Promising Names

Antonio Moura
     (1964)

HONG-KONG
     A Edson e Fátima Secches

Paira
   sobre as cabeças
uma alta quantia de estrelas

Na terra
   olhos vendados
onde se lê grafitado: à venda

Sob
o céu
esticado
– tenda –
   o burburinho-mercado
prega
(pregão)
a milhõe$
        $
         $
      $
       $
$
de planetas

(nuvens com etiquetas)

à noite
   o sol é ouro especulado

(Hong-Kong & outros poemas, 1999)

HONG-KONG
     for Edson and Fátima Secches

Hovers
over heads
a large quantity of stars

On earth
   blindfolded eyes
where one reads graffitied: for sale

Above
the sky
stretched
   —tent—
the clamoring market
nail
(proclaim)
the million$
        $
         $
      $
       $
of planets

(clouds with labels)

to the night
   the sun is speculated gold

(Tr. Jennifer Sarah Frota)

MOCAMBO

Meio-dia

olho-Sol
esbugalhado: Ó

os
so
retorcido: S
em brasa

sob a
pele sub
humana
esti — papiro — cada
seca sobre a carne zero
exposta ao
céu — miséria
a pino

Corpo — haste
ainda em riste

neste

cemi
tério-favela, semi
lírio

(Hong-Kong & outros poemas, 1999)

HIDEOUT

Mid-day

solstice-ocular
ogle: Oh
os
sif
ied
twisted: S
smoldering

above the
skin sub
human
stre — papyrus — tched
dry above the zero flesh
exposed to the
sky — high
misery

Body — staff
unsheathed even

in this

ceme
tary—slum, semi
lilly

(Tr. Jennifer Sarah Frota)

NOITES, DIAS
     A Luciana Medeiros

Noites de seda obsedantes
Dias de caos causticantes

Um céu silêncio de estrelas
explosão diamantes

Um sol confusão de homens
nomes entre si distantes

Um céu macio, sexo
Um sol duro, osso

Um mundo sem nexo
exigindo corpo

(Hong Kong & outros poemas, 1999)

NIGHTS, DAYS
     for Luciana Medeiros

Nights, Days

Nights of silk obsessed
Days of chaos embittered

A sky silence of stars
explosion diamonds

A sun confusion of men
names among themselves distant

A sky soft, sex
A sun hard, bone

A world without nexus
demanding body

(Tr. Jennifer Sarah Frota)

Anibal Cristobo
     (1979)

CÉU DO AIATOLÁ

A voz do Aiatolá — UNKNOWN
PERSISTING SUBSTANCE — é também
uma fita de luz

repetida no ar como fluxo magnético
e decomposta em cálculos e ritmos, em calor,
em impulsos binários

e é o monte
com seu kit de fragrâncias e de ventos

e arenga,
domadora de pedras e de imagens.

O must do Aiatolá não é uma distorção: é fulgor
que rege no deserto e nas flores
— nas lajes simétricas
como na ramagem estroboscópica
da árvore e a lua: — Aiatolá’s sky
no alto da torre. —

(Teste de Iguana, 1997)

SKY OF THE AIATOLA

Aiatola’s voice “UNKNOWN
PERSISTING SUBSTANCE” is also
a stream of light

repeated in the air as magnetic flux
and decomposed in calculations and rhythms, in heat,
in binary impulses

and is the name
with its kit of fragrances and winds

and tirades,
tamer of rocks and images.

The must of Aiatola is not a distortion: a blaze
that reigns in the desert, in the flowers
in the symmetrical gravestones
as in the estrustroboscopic
of the tree and of the moon: — Aiatola’s sky
high on the tower. —

(Tr. Jennifer Sarah Frota)

OFF

Não há beleza: há vôo;
há pássaro no poste ou nada. Vazio
no cenário, estático
na sua arte de confundir as vozes.
Não há gozo; há segundos
de um loop acrobático, expressivo/impressivo
com flores no céu, virtual. Não há
imaginação e não há acordo
com nada
que siga prometendo e esteja teso,
imprimindo seu vôo no revés do ar, não cante
como na primeira manhã. —

(Teste de Iguana, 1997)

OFF

There is no beauty: there is flight;
there is a bird on a telephone pole or nothing. Emptiness
in the scenario, static
in its craft of blending voices.
There is no bliss; there are seconds
of an acrobatic loop, expressive/impressive
with flowers in the sky, virtual. There is no
imagination and there is no harmony
with anything
that follows promising and taut,
imprinting its reverse flight from the air, doesn’t sing
like on the first morning. —

(Tr. Jennifer Sarah Frota)

SINGLE CACTO

Um traço aqui, com
sua definição
do vazio incessante: este cacto
é uma nova imagem
onde esgotar as forças

e seu corpo não volta a nós;
seu crescimento assim,
vedado
à imaginação, à ilusão
desta luz de mercúrio, destes brinquedos
que repetem a série: “a poesia
era essa maquiagem, esse estado
de coisas,
fenômenos

apresentados ali, na credulidade
de outra linguagem.

Os cactos adormecem na espera, na
voz da lembrança. Não abandonam
seu sítio:

vão inquietar
vão chegar assim até nosso repouso

“O cacto é
essa matéria fútil, espelhada
no árido do dia, quase
intratável?”. É.

Rodeado pelas luzes,
se abandona de si; e a sua
mudez
é cacto, regressa ao infinito. —

(Teste de Iguana, 1997)

SINGLE CACTUS

A trace here, with
its outline
of incessant emptiness: this cactus
is a new image
where to drain the forces

and its body do not return to us;
its growth thus,
sealed
to the imagination, to the illusion
of this mercurial light, of these playthings
which repeat the chant: “poetry
was this make-up, this state
of things,
phenomena

presented there, in the quality
of another language.

the cacti doze in wait, in the
voice of remembrance. They don’t abandon
their site:

they disturb
they even reach us in our rest

“Is the cactus
this futile material, burnished
by the arid day, almost
unmanageable?” Yes.

surrounded by lights
abandons itself; and its
muteness
is cactus, returned to the infinite.

(Tr. Jennifer Sarah Frota)

Tarso M. de Melo
     (1976)

ESPAÇOS

no espaço o silêncio
de marceau

à luz, escuro
e grávido de som
um gesto

ofício mudo

lúdico
anti-músico
guardando
um pássaro
em cada pulso

(A lapso, 1999)

SPACES

in the space the silence
of marceau

in the light, dark
and pregnant with sound
a gesture

mute occupation

ludic
anti-music
hiding
a bird
in each beat

(Tr. Jennifer Sarah Frota)

LEITURAS

quase cego,

lendo, acreditando
em deus – personagem
de murilo mendes –
e duvidando de tudo
o que existe
e está vendo

quase, enxer-
gando, sem querer
um ou outro livro
ou todos, ou, como
nunca, nenhum,
mas persistindo

sempre cego
a quase todos
por querer ver
demais o mesmo

(A lapso, 1999)

READINGS

almost blind,

reading, believing
in god—the person
murilo mendes—
and doubting all
that exists
and is seen

almost, see-
ing, without wanting
one book or another
or all of them, or, as
never before, none,
but insisting

and blind
to almost all of them
for wanting to see
too much the same

(Tr. Jennifer Sarah Frota)