Entrevista de Ezra Pound a P.P. Pasolini

Quando você chegou na Itália, ela era ainda pré-industrial, agrícola e artesanal. Agora, tornou-se uma nação bastante industrializada e produz uma literatura semelhante àquelas produzidas nos Estados Unidos e na Inglaterra, nesses últimos anos. Agora, a Itália é parte das nações industrializadas e culturalmente avançadas e então aflora um novo tipo de literatura que é típico das nações burguesas, industrializadas. Os movimentos de vanguarda se tornaram frequentes na Itália. Você reconhece a paternidade desses movimentos de agora na Itália ou não? Você fala e “então nações culturalmente avançadas e industrializadas”. Eu não concordo com esse “então”: eu não gosto disso. É difícil responder à sua questão, porque os movimentos de vanguarda não se desenvolveram na Itália industrializada de agora. Esse fenômeno, de produtos vanguardistas, ocorre no mundo todo.

Sibila, lugares contemporâneos da poesia: Pascal Poyet

Pascal Poyet nasceu em Rive-de-Gier em 1970. Cursou a escola de Belas Artes de Grenoble. Desde 1998, codirige com Goria as edições Contrat maint (mais de setenta títulos disponíveis), que publicam textos de artistas e de poetas contemporâneos, ensaios, traduções, em obras curtas cuja forma, inspirada na literatura de cordel brasileira, traduz uma utopia de pensamento e de ação.

Bibliografia: L’Entraînement, com Goria, contrat maint, 1998; Compadrio, com Jean Stern, contrat maint, 1998; Abigail Child, Climat / Plus, Format Américain, 1999; Charles Olson, Commencements, ouvrage collectif, Théâtre Typographique, 2000; L’Embarras, Patin & Couffin, 2000; Principes d’équivalences, Fidel Anthelme X, 2001; Expédients, La Chambre, 2002; Peter Gizzi, Revival, cipM / Spectres Familiers, 2003; Au compère, Le bleu du ciel, 2005; David Antin, je n’ai jamais su quelle heure il était, Héros-Limite, 2008; Trois textes cinq définitions, avec Goria, lnk, 2010; Draguer l’évidence, Éric Pesty éditeur, 2011;

Sibila, lugares contemporâneos da poesia: Omid Shams

Omid Shams é um escritor iraniano, crítico literário e jornalista freelance. Fez mestrado no American Studies da Universidade de Torino, Itália, e publicou vários livros, incluindo poemas, romances e traduções de proeminentes autores americanos para Farsi, como Ginsberg e Bergstein. Ele escreveu ensaios sobre poesia e teoria crítica, publicados em vários jornais literários, revistas e também on-line. Foi coeditor de revistas literárias como Zendeh Rood, Bidaar e Dastoor.

Os Alfenins sem açucar de Adrain

CONSUBSTANTdJETIVOS COMUNS de ADRIAN’DOS DELIMA O artesanato-culinário do poeta no livro anunciado no título de meu texto não é, óbvio, vindo de uma cozinha industrial. Seus doces são, paradoxalmente, feitos sem açúcar. Com afetos, penso que sim, uma vez que crítica, derrisão, corrosão podem ser afetos. Não obstante, não é nada disso que quero falar, […]

Relevos: Olhar-Gesto-Objeto

Mais uma vez, esses Relevos recentes de Luciano Figueiredo atestam uma das mais contínuas adesões ao construtivismo, seja na história ou na atualidade artística. Obra de uma coerente inventividade, profundamente convencida da relevância presente e ainda inesgotada da
aventura abstrato-geométrica brasileira, Luciano coloca em ação aquela atitude experimental que nos deu tantas obras decisivas e fundamentais, identificadas logo à primeira vista. Diante deles – Relevos – ocorre, de imediato, a indagação: relevo, pintura ou objeto?

Sibila, lugares contemporâneos da poesia: Hu Xudong

Como poeta leitor de poesia, geralmente, prefiro aqueles poemas de alta sensibilidade, com tessituras complexas, ares de inteligência e de alegria. Como professor de literatura contemporânea comparada, leio poemas que, muitas vezes, se afastam de meu gosto pessoal, mas que me acrescentam, seja como poeta, seja pela sua importância na cena literária. Como tradutor, eu escolho aquelas poesias que se constituem como desafio à tradução ao chinês e que eu possa ler através da leitura do texto-fonte ou da tradução inglesa. Alguns poemas conseguem justamente se encaixar nessas três categorias e são os que mais aprecio.

O pão dos insanos de Christine Lavant

Christine Lavant (1915-1973) é o pseudônimo de Christine Thonhauser (nome de casamento: Christine Habernig), uma poeta austríaca. Christine nasceu na aldeia de Großedling, no Vale do Lavant (Lavanttal), em uma família de origens humildes. Mais tarde, ela adotou como pseudônimo o nome desse vale.  Recém-nascida, Lavant sofreu de uma infecção nos gânglios linfáticos submandibular e cervical […]

A dificuldade de ser de Jean Cocteau

Vem de ser lançado o indispensável A dificuldade de ser (Editora Autêntica), de Jean Cocteau (1889-1963). O livro foi redigido durante a 2ª Grande Guerra e editado na França em 1947. Trata-se, de fato, de uma arte poética feita a partir do relato de sua vida, da infância até o momento de finalização do texto, quando passara dos 50 anos. Ao mesmo tempo, o livro possui um caráter de testemunho ativo, aliás, às vezes crítico, de um dos períodos mais ricos da cena europeia, então cubista, surrealista, construtivista. E há, ainda, na obra, um viés de depoimento acerca de suas personagens maiores: o compositor Eric Satie (um de seus mestres), Picasso, o poeta Guillaume Apolinaire, o bailarino e coreógrafo russo Nijinski, Charles Chaplin, o dramaturgo Jean Genet e tantos outros de primeira linha.
Cocteau foi, em essência, um poeta, que escreveu romances, peças de teatro, crítica literária, fez filmes e foi um artista plástico inspirado, que deixou sua marca em capelas de pescadores então abandonadas da Provence e da Côte D’Azur .

Crédito à morte: a crise sem fim do capitalismo

Quem quer se lembrar agora? O grande medo de outubro de 2008 parece já mais distante do que “o grande medo” do início da Revolução Francesa. Mas naquele momento, tinha“-se a impressão de que grandes buracos davam entrada à água que levava a pique o navio. Tinha”-se até a impressão de que todo mundo, sem dizê-lo, já esperava por isso há muito tempo. Os experts se interrogavam abertamente sobre a solvência até dos Estados mais fortes, e os jornais estampavam em primeira página a possibilidade de uma falência em cadeia das cadernetas de poupança na França. Em reuniões de família, discutia“-se acerca da necessidade de se retirar todo o dinheiro do banco e guardá”-lo em casa; usuários dos trens se perguntavam, comprando um bilhete com antecedência, se ainda poderiam pegá”-los. O presidente americano George Bush se dirigia à nação para falar da crise financeira em termos semelhantes àqueles empregados depois do 11 de setembro de 2001, e o Le Monde trazia como título em sua revista de outubro: “O fim de um mundo”.