Você me dá a sua palavra?

Do silêncio ao murmúrio utópico do artista

Margem da palavra
Entre as escuras duas
Margens da palavra
Clareira, luz madura
Rosa da palavra
Puro silêncio, nosso pai
Caetano Veloso

Eu sou um outro agora e no entanto o mesmo.
James Joyce, Ulisses, p. 13

Eu sou um outro eu agora.
James Joyce, Ulisses, p. 214

Água da palavra

Você me dá a sua palavra? é um trabalho que nasce como um olho d’água. Do nada, do deserto, do calor, do subterrâneo, e sobretudo de uma esperança. Você me dá a sua palavra? é uma aposta no fluxo da linguagem, em que um gesto simples torna-se ato de criação. Tudo acontece a partir de uma escolha e de uma decisão. Eleger um objeto qualquer do cotidiano: um prendedor de roupas de madeira, e a partir desse objeto, e de sua nomenclatura tão significativa, decidir que será este o suporte da palavra do outro, escrita de seu próprio punho. Mas quem é o outro? Meu interlocutor antes anônimo, sempre aleatório, é agora reconhecido pelo vocábulo manuscrito em sua língua materna, destinado a perder-se em um mar de outras palavras.

“Não é que o mar é aquilo que Algy chama de uma grande e doce mãe?”[7]. Esta é a voz de Buck Mulligan, em um de seus diálogos com Stephen, no labiríntico romance Ulisses, de James Joyce. No fluxo das águas temos o mar-mãe e o rio-pai.

Mares e rios de palavras foi o que propôs o título do 10º Congresso Internacional da Sociedade Europeia de Estudos Utópicos, “Far other worlds and other seas”, realizado na cidade do Porto, em Portugal, em julho de 2009. Neste momento, é impossível deixar de trazer para perto de nós um dos grandes inventores da literatura brasileira, João Guimarães Rosa, em um conto marcante intitulado “A terceira margem do rio”, cujo texto fez com que Caetano Veloso produzisse uma canção. Vejamos um trecho do conto que abre espaço para todo um imaginário a respeito das margens da palavra e da possibilidade de acreditar em utopias:

Nosso pai não voltou. Ele não tinha ido a nenhuma parte. Só executava a invenção de se permanecer naqueles espaços do rio, de meio a meio, sempre dentro da canoa, para dela não saltar, nunca mais. A estranheza dessa verdade deu para estarrecer de todo a gente. Aquilo que não havia, acontecia.

Nesse trabalho, peço a palavra do interlocutor, solicitando que ela seja escrita em um prendedor de roupas de madeira, em sua língua materna. O fio do varal é a linha do poema anônimo, contorno de um horizonte provável, verso e reverso do cotidiano manuscrito. Surge aqui o atributo da escolha: uma palavra entre tantas possíveis, na qual um significante escorrega de mão para mão. Desde o mês de novembro de 2004 venho pedindo a palavra a pessoas com as quais me deparo nas mais comuns e diversas situações do dia a dia. Essas pessoas fazem da vida esse delicado fio que sustenta o imaginário de cada um de nós.

Transformar uma coisa em outra. Eis o sentido da arte, no qual busco o alento do cálculo incorreto, do número variável, da adição em que prevalece a unidade: 1+1+1… infinitamente, em que uma palavra em um prendedor de roupas solta a metáfora da poesia, quando uma coisa é o que é mas também poderia ser de outro modo. E aqui estão postas, simultaneamente, a soma e a diferença entre a palavra dita e a palavra escrita: a utopia em um pequeno intervalo de tempo e espaço imensurável.

 

Proa da palavra

Uma pergunta gera outra pergunta. Na maior parte das vezes em que proponho Você me dá a sua palavra?,nos mais variados idiomas, surge quase imediatamente a seguinte questão: “Pode ser qualquer palavra?”, o que já considero uma acrobacia da proposição, uma salto triplo sem rede, por tratar-se de um lance do pensamento rumo a uma possibilidade extremamente ampla. Qualquer palavra! Reforço, então, quase como um balbucio: “a sua palavra”. Como se esse apontamento fosse o suficiente para sublinhar o caráter íntimo de minha solicitação, o chamamento por aquilo que vem de dentro, e que pode gerar um discurso próprio. A sua palavra, aquela que poderia identificar o sujeito, fazendo-o reconhecer em si um atributo ou um ideal. Da proa da palavra avista-se um horizonte. Qualquer palavra, quando escrita em um prendedor de roupas, torna-se subitamente uma palavra especial.

 

Margem da palavra

Aquele que pede a palavra sabe que não está pedindo pouco, e quem escreve deposita uma confiança ímpar em seu destinatário. Há aqui uma relação com a palavra de honra, com a manutenção da palavra dita ou escrita, assumindo uma postura ética diante do mundo, entre verdades e mentiras que na maior parte das vezes ultrapassam o caráter literário ou ficcional de nossa subjetividade para chegar aos paradoxos do contexto social e político em que cada um de nós vive, e com os quais combate da maneira que pode. É preciso contar sobre as origens desse trabalho, mesmo que resumidas ao essencial. Sendo convidada pela Funarte, Fundação Nacional de Arte, vinculada ao Ministério da Cultura no Brasil, para participar de um evento envolvendo deslocamentos de artistas brasileiros em todo o território nacional, o meu destino foi definido como sendo o Amapá, mais precisamente Macapá, a capital desse estado da região Norte do país. Área de desmatamento intenso, com o objetivo de importação de madeira triturada, às margens do rio Amazonas, sem sombra de árvores para fugir do calor. Antes de partir para essa viagem (que até hoje chamo de horizonte vertical, pois venho do extremo sul do país), dei-me conta da necessidade de um mapa. Este foi meu desenho sonoro:

 

AMAPÁ

O MAPA

UMA PÁ.

 

Assim, segui com a ideia de que viajaria acompanhada de um mapa (que seria o masculino de Amapá) e de uma pá (que, ao comprar em uma loja de ferragens em Porto Alegre, segui a denominação funcional de uma pá carregadeira, em vez de uma pá de corte, uma pá de jardim ou uma pá cimenteira). Levar uma pá carregadeira ao Amapá, tendo nas mãos um mapa, já seria o meu trabalho conceitual. Chegando à cidade, soube que o prefeito estava preso desde o dia anterior, o que gerou tensão política em toda a cidade, impossibilitando a continuidade do evento tal como ele tinha sido planejado. Mudei também o rumo de minha proposição, comprando todos os prendedores de madeira que encontrei naquele dia e naquela cidade (tempo-espaço). Isso porque também formulei uma pergunta ao motorista que me conduziu ao hotel, questionando as razões pelas quais o prefeito se encontrava detido pela Polícia Federal. A resposta foi bastante simples: “Ele faltou com a palavra!”. Somente no dia seguinte, ao ler os jornais, soube que se tratava de um desvio de verbas. Nesse momento, assumi o desejo de realizar um desvio de verbos.[1]

 

Rosa da palavra

“Gosto do Pessoa na pessoa, do rosa no Rosa”. Assim canta Caetano em sua canção “Língua”, enfatizando: “Minha pátria é minha língua”.[2] Sendo assim, temos a nossa flor a regar todos os dias, exercitando a construção de uma linguagem específica, ainda em movimento de tessitura, tal qual a teia de uma aranha incansável e vaidosa de sua frágil seda. Nossas secreções trabalham. Uma rosa é um nome, é uma flor, é uma proposição de vida, é uma atitude, é uma ideia. Um prendedor de roupas de madeira é barco e rio ao mesmo tempo, é um objeto que provoca diálogo com outros objetos e com sujeitos que dele se aproximam. Objeto comum, corriqueiro, fazendo-se pátria quando suporte da palavra.

 

Asa da palavra

1+1+1+1+1+1+1+1… Esta não é uma questão de contabilidade. A forma de apresentação desse trabalho estaria mais próxima, talvez, de uma vontade de perceber o que fica entre uma coisa e outra, após uma disposição que justapõe objetos (ou palavras) lado a lado, e a cada apresentação há algo cambiante, pois as palavras-prendedores (como palavras-chave de um texto) sempre mudam de lugar. Rumo ao infinito, como a proposição artística de Roman Opalka, intitulada Opalka 1965/1-∞, torna-se muito mais uma carta de intenções, uma forma de dizer “I am still alive”, como o fez On Kawara com sua série de cartões-postais enviados desde 1966 a seus amigos e conhecidos, inseridos em sua prática artística conceitual. Você me dá a sua palavra? é a minha forma de afirmar que eu ainda estou viva enquanto não morrer. Aliás, percebo aqui uma estratégia subjetiva de acreditar na imortalidade, não como no mito de Sibila, com seus tantos anos de vida quanto os grãos de areia na concha de suas mãos, mas mais próxima à formulação de Jean Parvulesco, respondendo à pergunta da jornalista Patrícia, personagem de um dos filmes de Godard: “Qual é a sua maior ambição na vida?”. Resposta: “Tornar-me imortal, e depois morrer”.[3]

Você me dá a sua palavra? se inscreve como um projeto de vida que me mantém em permanente estado de diálogo, e é isto o que me entusiasma. É uma espécie de acumulação, mas nada fica estagnado. Tudo é pulsante, como palavras de um texto que ainda não está escrito. De alguma forma tudo está conectado. A primeira palavra escrita, e a que mais se repete ao longo desses anos, é amor. Todas as palavras mudam de sentido a cada vez que outra é acrescida, principalmente quando ocorre a repetição amor amor amor amor amor… Sempre ímpar, pois é manuscrita, cada palavra garante relações de espaço e de tempo também únicas. Uma rosa é uma rosa é uma rosa, já nos disse Gerturde Stein. Em uma mesma linha contínua, encontramos geografias distantes, pessoas que já morreram, crianças que já cresceram, e eu mesma, em uma única palavra: obrigada.

 

Casa da palavra

Estamos no lugar das possibilidades infinitas. Mundo-abrigo. Espaço para morar e demorar. Tempo de pausa e parada. Você me dá a sua palavra? exige a interrupção do passo e a disponibilidade do tempo que muitas vezes não temos. “Qualquer palavra?” Está aberto o mar das possibilidades. Qualquer palavra, escrita nas partes visíveis do objeto, e que seja legível. Uma palavra escrita na língua materna, que deixe o traço da origem de quem escreve. O caráter manuscrito já é a assinatura do autor. Trabalho coletivo que se torna anônimo na medida em que não há assinaturas. Mas, o que é uma palavra? E quando ela é escrita para ser dada, oferecida ao outro, o que é que acontece? O que acontece é uma generosidade que põe o mundo da linguagem em circulação. Há quem dê a palavra e há quem a retenha em mãos, subtraindo-se assim da participação no trabalho do outro. Você me dá a sua palavra? é uma obra feita a partir de pequenas doações, e abriga um babelismo. Babel, este é o nome da torre que teve sua construção interrompida (uma fala inacabada), segundo o texto bíblico de Gênesis, quando Yahweh declarou a impossibilidade de ter um nome próprio (Shem). Mas alguma coisa se passa entre a palavra e a escritura. O texto ainda não está escrito.

 

Brasa da palavra

Todo o calor está no atrito entre a ponta da caneta e a superfície de madeira do prendedor de roupas. Pois é assim que se marca, com ferro em brasa, pirógrafos da imaginação que somos, a história de um tempo que passa e que não podemos reter. “Querer reter o tempo é um ato de heroísmo”, diz a artista norte-americana Jenny Holzerem um de seus escritos-obras.

Assim como nós tecemos e teceremos nossos corpos – disse Stephen – dia após dia, suas moléculas se movendo de um lado para outro, assim também o artista tece e destece a sua imagem. E como o sinal no meu peito direito está onde estava quando nasci, embora todo o meu corpo tenha sido tecido sem parar com uma nova substância, assim também através do fantasma do pai inquieto a imagem do filho anulado olha à frente. No instante intenso da imaginação, quando o espírito – diz Stephen – é carvão desvanescente, aquilo que eu já fui é aquilo que eu sou e aquilo que dentro das possibilidades eu posso vir a ser (Ulisses, p. 219).

 

Hora da palavra

A hora da palavra é esta: agora.

“A vida são muitos dias”, diria Stephen Dédalus, em meio a um diálogo do romance-rio Ulisses. E ainda acrescenta: “Isto terá fim”.O que proponho com o meu trabalho em processo seria quase igual, mas com outra formulação: A vida são muitos prendedores de roupas (ou muitas palavras, se vocês quiserem). Isso pode não ter fim. E, por essa razão, insere-se no que venho denominando FALAS INACABADAS.

 

Fora da palavra

Estar dentro ou fora da palavra, eis a questão. Ser pego de surpresa por uma pergunta: Você me dá a sua palavra? Uma palavra é dada, DADÁ… incorporando o acaso do encontro e algum resquício da escrita automática dos surrealistas. Desprendo a palavra individual, retirando-a de um contexto íntimo, para incorporá-la àquilo que ainda não tem forma fixa, mas que assume o caráter prático de um fio de varal suspenso, um arame esticado e fixo, a partir de suas pontas, em um lugar onde seja possível amarrar esse fio único, sem rupturas (que hoje tem quarenta metros e dezoito quilos), para que o fluxo das palavras-prendedores de roupas não seja rompido. Embora a cada apresentação todas as palavras mudem de lugar, tal qual as moléculas de nosso corpo, há sempre um fluir de vocábulos em distintos idiomas, algo que produz murmúrio e voz.

Há poucas semanas, no Parc Monsouris, em Paris, onde justamentefui caminhar e pensar na formatação final deste trabalho que agora apresento, fui pega de surpresa por palavras soltas no ar. Sim, foi esta a minha impressão, pois perto de mim não havia ninguém, apenas bancos de praça e alguns passantes ao longe. À medida que eu caminhava, ouvia sussurros. Parei. Haveria alguém me chamando? Ou eu estaria ouvindo meus próprios pensamentos? A princípio achei que poderia ser uma brincadeira, uma forma de chamar a atenção… Continuei a caminhar, mas a voz sussurrante insistia em dizer algumas palavras que eu não entendia. Observei um objeto estranho sob certos bancos de praça, e deduzi que seriam dispositivos sonoros.A obra sonora MURMURES, de Christian Boltanski, está situada no Parc Montsouris, nas proximidades da Cité Universitaire. O que o artista fez foi gravar uma série de confissões amorosas enunciadas por estudantes de diferentes nacionalidades, em sua língua de origem. Um dispositivo de fitas sonoras foi instalado sob dez bancos do parque, no Boulevard Jourdan, difundindo assim esses murmúrios. Uma proposição artística que atinge, ao mesmo tempo, o caráter multicultural da capital parisiense e o contexto cosmopolita dos bulevares dos marechais.[4]

Christian Boltanski estaria, dessa forma, pedindo e dando a palavra ao mesmo tempo? Na língua materna dos estudantes da Cité Universitaire de Paris, palavras de amor e de ternura, já gravadas pelo artista, estariam solicitando e oferecendo um tempo de pausa aos caminhantes distraídos como eu. Somente na minha segunda volta no parque me dispus a parar e a sentar em um dos bancos, a fim de usufruir plenamente a proposta do artista. São poucos minutos de registro sonoro, mas suficientes para abrir a fresta entre o dentro e o fora de nossa realidade cotidiana. “Murmúrio” é o título do trabalho. Em francês, a sonoridade também favorece uma imagem de fronteira permeável: mur = muro // mûre = maduro. Um muro maduro, uma parede mole, uma superfície já plena de marcas, raspagens, acidentes diversos e micro-organismos criados espontaneamente pelo tempo que passa. Uma escrita visível, um texto invisível, uma passagem do silêncio ao murmúrio do artista.

Em 1950, Francis Ponge publicou um de seus textos que trata do trabalho do artista, enquanto obra que produz o efeito de nos fazer parar e nos reposicionar diante dos problemas causados pela fragmentação contínua de tempo e espaço no mundo contemporâneo. Tais objetos concebidos pelos artistas, que aparentemente não serviriam para nada na concepção do mundo mercantilista, acabam por nos provocar sentimentos profundos a ponto de nos reconstituir o gosto pelo lazer e pelo prazer do repouso. Trata-se de “O murmúrio”,[5] em que Ponge pontua claramente a função do artista enquanto aquela capaz de reintegrar o homem ao funcionamento do mundo em seu contexto cultural, social e político. Do silêncio paralizante ao murmúrio eloquente, cá estamos nós atravessando o muro maduro das margens da palavra.

 

Tora da palavra

“Aquilo que não havia, acontecia.” Eis o que nos disse Guimarães Rosa. O impossível ato de se manter entre margens se faz existir, no puro exercício de manutenção de uma ideia. Tal o exercício de estilo de Raymond Queneau, que nos conta 99 vezes a mesma história, um fait-divers parisiense banal como subir em um ônibus. A tora da palavra está ali, circulando pela cidade, para quem nela quiser se apoiar (para não afundar na melancolia líquida do dia a dia). Tora-tronco, tora-corpo, tora-livro em rolo. Torá. O que se inicia não é finalizado: no fim está o começo, como um método de vida, com um murmúrio potente, um grito contra o homem-máquina que só faz repetir, repetir, repetir, sem estar atento ao que poderia ser diferente.[6]

 


Notas

  1. Referência direta a um trabalho criado concomitantemente ao Você me dá a sua palavra?, intitulado UMA PÁ LAVRA – uma pá, que cava um buraco, que carrega areia, que cimenta uma construção, também escreve. Uma das definições do verbo lavrar, em português, é escrever. Escrever de próprio punho.
  2. De Fernando Pessoa por Bernardo Soares: “Não tenho sentimento nenhum político ou social. Tenho, porém, num sentido, um alto sentimento patriótico. Minha pátria é a língua portuguesa. Nada me pesaria que invadissem ou tomassem Portugal, desde que não me incomodassem pessoalmente. Mas odeio, com ódio verdadeiro, com o único ódio que sinto, não quem escreve mal português, não quem não sabe sintaxe, não quem escreve em ortografia simplificada, mas a página mal escrita, como pessoa própria, a sintaxe errada, como gente em que se bata, a ortografia sem ípsilon, como escarro direto que me enoja independentemente de quem o cuspisse.
    Sim, porque a ortografia também é gente. A palavra é completa vista e ouvida. E a gala da transliteração greco-romana veste-ma do seu vero manto régio, pelo qual é senhora e rainha”. Cf.
    Livro do desassossego, vol. I. Lisboa: Ática, 1982.
  3. Jean Parvulesco é escritor e jornalista françês de origem romena, nascido em 1929. Após a Segunda Guerra Mundial, decidiu escapar do regime comunista. Chegando à Iugoslávia, atravessa o rio Danúbio a nado em julho de 1948. Graças a seus artigos sobre a Nouvelle Vague na França, ele aparece em filmes de Jean-Luc Godard como Acossado (À bout de souffle), cujo papel é dado ao ator Jean-Pierre Melville. Cf. http://fr.wikipedia.org/wiki/Jean_Parvulesco.
  4. O Boulevard Jourdan é uma das avenidas do 14e arrondissement de Paris. É parte da chamada pequena cinturada cidade ou Boulevards des Maréchaux. Essa avenida recebeu o nome do conde Jean-Baptiste Jourdan (1762-1833), marechal da França.
  5. O título “O murmúrio” é seguido de um subtítulo que particularmente nos interessa: “Condição e destino do artista”. PONGE, Francis. Méthodes. Paris: Gallimard, 1999, p. 153.
  6. Referência ao verso de Manoel de Barros: “repetir repetir repetir até tornar diferente”.
  7. Ulisses. Tradução de Bernardina da Silveira Pinto. Rio de Janeiro, Objetiva, 2005, p.6

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