Virna Teixeira: Três Poemas

Um carrossel no Algarve. Round and Round. Simetria de neurônios-espelho, linguagem de gestos. Entimemas. E o reflexo do céu sobre a mesa. Na praia de Arrifana. Escuto Words na estrada nacional. Travessa das almas, calma de heroína no vilarejo. Laranjas e ciprestes. Come pastéis de massa tenra. Netuno burlesco e café austríaco, labirinto escuro no jardim do Éden. Estranho coração independente pendurado no lustre. Caranguejos de louça, recobertos de renda. Toothpick, Lisbon and the Orcas Islands. Sutura de espaço externo: linha distinta sobre o Tejo.

* * *

Ventiladores de teto não abafam este calor. Estufa, fleur tropicale. Finir l’aventure a travers le monde. Na vereda um pintor retoca quadros. Trânsito lento de táxis e ônibus que tocam boleros. Plátanos. Subir os degraus de minúsculas salsotecas. Cristos, cumbias e luzes. Ay que me gusta mucho. Como se movem os latinos. De calças apertadas na zona rosa. A la orden. Uma boneca para minha filha, un sombrero para mi papá. Secu de camarones y club verde. Tomo sol de biquíni branco entre turistas alemães. Acordo de um sonho com iguanas y fogo.

* * *

Linha azul sobre o têxtil turco. Uma mulher nua bordada no calico. Deitada embaixo do mar. It hurts. Ela disse não. Love is blue, mas a água recobre argumentos. Netuno e a erosão marinha. Âmnio, mergulho no Tirreno. Banhos exfoliantes de haman, amor devocional, descalços na mesquita. Futuro uma luxúria, mas como medir a perda. Esta espera, quem escapa do tempo presente. Tentar ópio. Atenta aos sinais de fumaça. Uma costura circular dispersa outra vez a voz interna.