Régis Bonvicino na China

O poeta Régis Bonvicino participa, de 9 a 13 de novembro de 2011, da 2ª edição da International Poetry Nights in Hong Kong, em Hong Kong, China. O Encontro, dirigido artisticamente pelo poeta chinês Bei Dao, reúne dez poetas chineses e dez não chineses.

Os chineses são os seguintes: Chen Ko Hua, Ling Yu, Lo Chih Cheng, Tian Yuan, Wong Leung Wo, Xi Chuan, Yao Feng, Yip Fai, Yu Jian e Yu Xiang.

Os participantes ocidentais são o russo Arkadii Dagomoshchenko, a turca Bejan Matur, a mexicana María Baranda, o irlandês Paul Muldoon, a alemã Silke Scheuermann, o esloveno Tomaž Šalamun e a americana C. D. Wright. Participam ainda a indiana Vivek Narayan e o japonês Shuntarô Tanikawa.

O Encontro é promovido pelo Center for East Asian Studies of The Chinese University of Hong Kong, College of Liberal Arts and Social Sciences of City University of Hong Kong e pela School of Humanities and Social Science.

Régis Bonvicino lançará, pela editora Chinese University Press of Hong Kong, uma edição trilíngue de seus poemas: chinês, inglês e português (leia um poema em chinês/inglês/português no final desta nota).

Além de fazer uma leitura solo de seus poemas, vai debater o tema “Americas: New Wor(l)ds”, com María Baranda, Paul Muldoon e C. D. Wright. Bonvicino preparou um texto intitulado “A improvável poesia das Américas” (leia no final desta nota). Bonvicino visitará também a Universidade de Macau.

Alguns trabalhos de escritores brasileiros estão traduzidos para o chinês, como Os Sertões, de Euclides da Cunha, Dom Casmurro, de Machado de Assis, e Vidas Secas, de Graciliano Ramos.

A escritora modernista Patrícia Galvão, a Pagu, esteve na China em 1933, ano no qual lançou seu romance Parque Industrial. De lá enviou matérias para o Correio da Manhã e o Diário de Notícias, e o Diário da Noite, de São Paulo. Na Manchúria, Pagu assistiu à coroação do último imperador chinês, o príncipe Pu-Yi, proclamado soberano do estado-fantoche de Mandchukuo, criado pelos japoneses. Na China, entrevistou Sigmund Freud, que se encontrava naquele país em viagem de férias. Da China, Pagu trouxe a primeira muda de soja para o Brasil, que hoje é uma das riquezas brasileiras, exportadas para a própria China.

Régis Bonvicino lançou em 2007, em parceria com o poeta chinês Yao Feng, a única antologia de poesia chinesa contemporânea existente no Brasil, intitulada Um barco remenda o mar.

 

Poema

散文

一首詩不能像音樂那樣出售,不能像一幅畫、一首歌那樣出售,沒有人會付錢,哪怕是他媽的一塊錢。一首詩不能超越詞語存活,它是黑夜後面的太陽,它不能像散文那樣出售,除非它講述一個故事或者是一首諷刺詩,它不能出售,就像不能出售的廢鐵、花園裡的芒果樹碎木頭、燃燒過的汽油桶油,它甚至不如一隻在垃圾填埋區歌唱的金翅雀,或者下水道排出的黑糊糊的濁水,它不能像塗鴉、照片、視頻或者藝術電影那樣出售,不能像明信片或者複製品那樣出售。我是個糟糕的商人,做的是破爛的買賣,並被詞語的瘟疫困擾。

Tradução: Yao Feng

 

Prosa

Régis Bonvicino

Um poema não se vende como música, não se vende como quadro, como canção, ninguém dá um centavo, uma fava, um poema não vive além de suas palavras, sóis às avessas, não se vende como prosa, só como história ou arremedo de poema, não se vende como ferro-velho, pedaços de mangueira de um jardim, tambores de óleo queimado, sequer um pintassilgo, cantando no aterro de lixo ou a língua negra dos esgotos, que floresce algas, não se vende como grafite, não se vende como foto, vídeo ou filme de arte, não se vende como réplica ou post card, mau negociante de inutilidades, me tenha impregnado da praga das palavras.

Prose

A poem can’t be sold like music can, can’t be sold like a painting, like a song can, nobody gives a dime, a damn, a poem don’t live beyond its words, its dark and backward suns, can’t be sold like prose can, only as if it were a story or the mocking echo of a poem, can’t be sold like junk can, chunks of mango tree in a garden (or fragments of a garden hose), vats of burnt oil, even like a goldfinch can, singing in a trash dump, the black tongue of the sewers, where algae bloom, can’t be sold like graffiti can, like a photograph or video can, or any arty film, can’t be sold like a print or card can. Me, I’m a lousy trader in worthless things, beset by a plague of words.

Tradução: Charles Bernstein

Para saber mais sobre Régis Bonvicino

Visite http://regisbonvicino.com.br

Leia “A improvável poesia das Américas

Sobre International Poetry Nights in Hong Kong