Mata-borrão

(para Flávio Motta)

eu diria I’m encantado, e então
uma nuviosa designação de continentes
involuntaáios por jogos
nasais, fundos jogos, acende
ao longe
entre os anos desperdidos itinerantes
como faíscas de amarguras
abdominais, como bichos de cristal na nuca muda, acende
o
nome mais amado mais miolo mais milagre
e o quem diz: “agora!”e o
quem

cai no corte mítico do mundo, nas luminosas
trovejadas
generações dos nomes: léxico
jejum e fresco come o prado de espinafre de
trevo
no recôncavo, pálidas requisições de ecos
e espirros e réplicas,
ânforas anoitecidas
no pulmão gigante, palpitantes gengivas,
cenoiras
africanas, paleoafricanas, protoafricanas, coxas
rasgadas o
abertas, polpas de abóboras
ideais: agora, agora. Nam rectitudo
per se est
phallica, truncada também, devagazinha:

onde uma zigoma torna-se
sigla e sigilo, torna-se
constellação deitada nas escuras polpas sem
nomes
e incha-se então de raiva a fonte das medidas
e das mudançãs, lá,
eu digo, provocar
o poder subhumano da pasmação, do broto
não mortal, o
voo ocioso, o ganir
chupado, de víboras nas câimbras
das vagas, dos grans,
e veremos lampejar
a alta caça, a esgrima
em voz baixa na caveira, as
balanças de ossos
eschatologicos, agora mismo,

si o sangue da
sombra não é sangue ni sombra,
si o cavalo do cavalo agora é sombra
desmaiada
o sombra brotada na suma sombra ostra, o som
da tromba saca o
celeste descontecer, afrouxa
o orvalho, e o remo corta em dois as cinzas
dos vivos e as cinzas dos sons, como
na páscoa dos continentes cortó o
Brazil e a Angola,
cortó as árvores da ciência e as árvores da
loucura
peregrinante, cortó o tubarão em dois espelhos
a tromba grande:
não agora.

Bahia, 1951