Uma narrativa safa em época de censura

(Da literatura brasileira de expressão alemã)

Robert Weber (1895-1975)

Robert Weber (1895-1975)

Robert Weber, livreiro (Buchhändler) alemão, nascido em 24.02.1895 em Elberfeld, na Renânia do Norte, viaja ao Brasil em 1914 e, quando se prepara para voltar à Alemanha, fica difícil fazê-lo, porque nesse meio tempo explode a Primeira Grande Guerra. Assim, fica retido em terras brasileiras. Mas, logo em 1915, é contratado como professor pela colônia alemã de Erechim, no Rio Grande do Sul. Em simultâneo, consegue trabalho como escritor e fotógrafo no jornal Serra-Post e colabora também no Kalender der Serra-Post. Pelo que se conhece, sua primeira publicação data de 1924. Casa-se no país, em 1927, com Maria Luise Stein e, com ela, tem 4 filhos homens. A convite do Dr. Robert Löw, editor do Serra-Post, muda-se em 1928 para a cidade de Ijuí, onde também passa a ocupar as funções de desenhista na Livraria Serrana.

Em 1938, volta à Alemanha e, lá, vivencia a Segunda Guerra Mundial. Só regressa ao Brasil em 1949.

Fixa, então, residência em Porto Alegre e retoma suas atividades de desenhista gráfico e escritor, continuando a colaborar com as edições do jornal Serra-Post. Aposenta-se aos 76 anos e retira-se para a cidade de Canoas, onde falece em 17.09.1975 com 80 anos.

Sua obra abrange poesia e prosa e, dentro da prosa, algumas fábulas, conforme se pode consultar em “Literatura brasileira de expressão alemã”.

Este ensaio, porém, dá destaque ao seu conto Eine Weihnachtsmärchen (Um conto de Natal)1, porque, pelo que percebi, além de ser a primeira publicação literária do autor, o texto foge não só da temática explorada no conjunto de sua obra, mas também da temática recorrente na literatura brasileira de expressão alemã, que quase sempre foca a vida nas colônias. Talvez se possa até dizer que ele constitui uma exceção.

E, neste passo, recordo-me do ensaio Bodenständiges Schrifttum. Betrachtungen einer Dichterin. (Letras localistas. Considerações de uma poetisa), de Hilda Siri, outra escritora da literatura brasileira de língua alemã, que também trabalhou em jornais, publicado bem mais tarde em 1959, já depois das duas guerras, no qual ela reflete sobre a natureza da literatura teuto-brasileira, comentando:

Nas gavetas de meus colegas de trabalho encontram-se diversas pastas com as seguintes inscrições: histórias de jornal e artigos, poemas em comemoração ao dia 25 de julho, dia das Mães, Natal e Páscoa, histórias e poemas de anuário, traduções, etc. Bem mais embaixo está uma pasta arrumadinha sem nenhuma inscrição. Aí, nessa pasta, estão guardados os poemas, os contos e as histórias que não possuem qualquer perspectiva de publicação. Frequentemente, são trabalhos menores e maiores, valiosos, para os quais não se encontra editor e para os quais nem se dispõe de dinheiro suficiente para imprimi-los em editora privada.

Alguém no Brasil que procure pela autêntica literatura brasileira em língua alemã não a encontrará nos jornais e anuários, mas certamente nessas pastas sem inscrições.2

Traduzido com rigor, o título do conto de Robert Weber é Um conto de fadas de Natal. E este título estimula já à partida o imaginário cristão ocidental do leitor em duas direções: para o mundo do faz de conta da irrealidade das fadas, do misticismo telúrico, e para a atmosfera mágica da época natalina. Evocam-se, portanto, num primeiro momento, finais felizes para grandes atribulações e amor ao próximo, solidariedade e esperança num mundo melhor. O leitor relaxa.

A designação de “conto de fadas”, na trilha dos irmãos Grimm, também acena para atransmissão de tradições, de conhecimentos e valores culturais alemães à nova geração, constituída por filhos de imigrantes de idioma alemão, a fim de manter a identidade do grupo. Este título poderia até conduzir o leitor para o conhecido horizonte da inadequação dos festejos de Natal europeus sob clima tropical.

No entanto, nesta narrativa de apenas duas páginas, escritaem períodos curtos com preponderância de orações coordenadas, pontilhadas de repetições de variações do sintagma “e Deus via…”, que, ao não exigirem o acompanhamento de raciocínios complicados, facilitam muito a leitura, o fulcro é contundente, não tem nada de mágico.

A matriz do conto é a Paz de Versailles, de 1918. Ou melhor, o conto, publicado em 1924, propõe, em primeiro plano, a explicação do que fora o Tratado de Versailles, da perspectiva alemã, às crianças das colônias brasileiras.

Afinal, no Brasil do presidente Artur Bernardes (1922-26), a História Universal oficializada ensinava que o Tratado de Versailles pusera fim à Primeira Grande Guerra, na qual a Alemanha desempenhara o papel de inimiga perdedora e, portanto, tivera uma punição justa3.

Se o Brasil de 1914, na época governado pelo presidente Venceslau Brás, no princípio, não participara da Primeira Grande Guerra, tendo declarado oficialmente sua neutralidade em 4 de agosto desse mesmo ano, nem por isso saíra do conflito ileso: um navio brasileiro, o “Rio Branco”, fora afundado por um submarino alemão em 3 de maio de 1916, fato que gerara comoção nacional. As relações entre o Brasil e o Reich haviam ficado estremecidas. No dia 5 de abril de 1917, outro barco brasileiro, o “Paraná”, um dos maiores da marinha mercante, fora também torpedeado por um submarino alemão em águas francesas e três brasileiros tinham morrido. Em setembro deste mesmo ano, fora a vez do encouraçado “Macau” ser atacado. Indignados, os brasileiros haviam se levantado em manifestações, pedindo do governo uma resposta à altura. O ministro das relações exteriores, Lauro Müller, de origem alemã e favorável à neutralidade brasileira, fora obrigado a renunciar. Em Porto Alegre, tinham ocorrido manifestações mais belicosas que atacaram e depredaram estabelecimentos comerciais pertencentes a alemães ou seus descendentes, como, por exemplo, o Hotel Schmidt, a Sociedade Germânia, o clube Turnebund, o jornal Deutsche Zeitung. Pressionado, o governo brasileiro declarara guerra ao Reich em outubro de 1917 e usara este fato para reprimir com violência os opositores, declarando estado de sítio. Mesmo assim, em 1 de novembro de 1917, fora a vez de Petrópolis, onde o restaurante Brahma fora totalmente destruído e a Gesellschaft Germania, a Escola Alemã, a empresa Arp e o Diário Alemão foram depredados.

Como é que Robert Weber constrói sua narrativa para subverter, já em 1924, no Brasil, a leitura oficial da História a partir da visão dos vencidos, à semelhança do que Günter Grass vai fazer em 2002 no livro Im Krebsgang (Passo de caranguejo)4?

Logo de início, o autor ameniza com o título, como se viu, a tensão implícita no tema.

Depois começa a narrativa com a locução identificadora dos contos de fada “Era uma vez” (Eswareinmal). O distanciamento temporal imediatamente criado nutre a predisposição imaginativa do leitor habilmente preparada pelo título, alimenta também a paradigmática atmosfera mágica do Natal a unir a terra e o céu, na celebração do nascimento do menino Deus, a evocar o tempo da Criação in illo tempore, um tempo mítico, portanto. Esta estratégia literária atenua e amacia sobremaneira a contundência do tema a ser tratado. Este distanciamento temporal é providencial, porque poupa com delicadeza o leitor do choque frontal com a dureza da precisão do tempo factual, que remete por sua vez à rudeza e crueza dos acontecimentos.

A locução identificadora do conto de fadas “Era uma vez”, que pontua na narrativa o tempo mítico e o tempo cronológico distanciado, também introduz um espaço convenientemente anônimo: “Era uma vez um povo”. Com estes ardis poéticos, os leitores são conduzidos para fora do plano histórico e é neste plano ahistórico que são convidados a ouvir o desenrolar da história. Isto quer dizer que as emoções políticas são colocadas para fora da cena. E também leitores apressados e censores, que se guiarem apenas pelos títulos para identificarem o conteúdo dos textos publicados, também serão ludibriados.

Todavia, ultrapassado o título e a locução inicial, ainda no primeiro parágrafo, o tempo cronológico da narrativa passa a ser definido com mais precisão: é dezembro, é o Natal de 1918, o ano do Tratado de Versailles.

Em seguida, o espaço anônimo passa a ser identificável. O povo que perdera a guerra é o povo da República de Weimar. No detalhamento deste espaço físico e social, o leitor depara com a paisagem da degradação humana: os guerreiros de uma guerra perdida estão mortos e as crianças estão morrendo (de fome).

As abstrações inerentes ao conceito da Paz de Versailles, que constituem a célula mater do conto, são levadas ao mundo concreto e assumem a forma de personagens. Outras abstrações como Deus e Jesus também são antropomorfizadas. O nome do agressor é identificado. Trata-se de um falso herói, também denominado de Paz falsa, de morte e de Paz de Versailles. É esta falsa Paz que está matando as crianças neste reino já sem guerreiros, portanto, numa ação covarde.

Diz o texto:

Na guerra caíram os guerreiros, mas a paz devorava a força das crianças. Centenas de milhares crianças morriam dessa morte atroz instalada na paz, na Paz letal de Versailles.5

E são tantas as crianças mortas que a Via Láctea, que as conduz ao céu, está congestionada, chamando a atenção de Deus e obrigando-o a construir outra via paralela e outro portão de entrada no céu. Como esta falsa Paz não dá trégua, Deus é obrigado a enviar à terra um doador (conforme Propp)6, o Menino Jesus.

Diz o texto:

Veio, então, o Natal e todos se alegraram: os doentes, os mancos, os cegos, os velhos e as crianças. A paz malvada, porém, alegrou-se mais do que todos, pois os cantos das crianças indicavam-lhe os caminhos onde sua mão assassina podia matar.”7

E, enquanto o Menino Deus andava no meio do povo, a falsa Paz continuava matando e, não reconhecendo sequer o enviado divino, também o ameaçou de morte. Então, “o universo estremeceu, pois Deus, o Senhor, pulou do seu trono”8. O mundo profano e o mundo maravilhoso se entrelaçam, sugando o epicentro do descontentamento alemão para o céu.

Segue-se o embate entre o agressor, a falsa Paz de Versailles e o próprio Deus. Naturalmente, a vitória é de Deus e imediata. A ação, porém, continua com a investigação divina pela terra à procura da Paz verdadeira, pois o restabelecimento da harmonia geral é necessário.

E, na floresta escura de Compiègne, que é uma cidade ao norte de Paris, onde o Armistício é assinado em 11 de novembro de 1918, Deus descobre

um homem, que havia sido espancado, torturado e amarrado, de modo que não podia se mover.
“Quem é você?” perguntou o bom Deus. “Eu sou a Paz Mundial”, respondeu com dificuldade o que estava amarrado; “os meus inimigos me mantêm há anos preso aqui. Em breve morrerei. Ah, se os homens me salvassem; demônios me dominaram!”
“Quem são os que o amarraram?” indagou o todo Poderoso.
“Senhor, não conheço seus nomes, mas eles se denominam de membros do Supremo Conselho; e este Supremo Conselho raptou-me e, em meu lugar, colocou a Paz Mundial, a Paz de Versailles”.9

O espaço de aprisionamento da Paz verdadeira é duplamente sombrio. Além de ser a cidade, onde foi assinado o Armistício que, no conto, tem um peso negativo, Compiègne arrasta consigo uma carga semântica trágica, pois está associada também ao massacre de dezesseis freiras do Mosteiro das Carmelitas que, em 17 de julho de 1794, foram guilhotinadas por revolucionários franceses do Comitê de Salvação Pública, por ódio à religião.

No fim, a paz verdadeira é libertada e fortalecida, a harmonia é reposta, tanto no plano mítico das crianças mortas quanto no plano físico das crianças ainda vivas, e o mundo se alegra e se pacifica.

Como entender, porém, esta solução final para o conto? Não há como perder de vista que, apesar dos claros indícios históricos, a fabulação foi colocada num plano mítico-religioso. Apontariam a liquidação da Paz de Versailles histórica, tomada na narrativa como falsa, e a libertação da Paz verdadeira para um processo de sublimação coletivo, em que a Justiça é entregue às mãos do Criador? Mas em que consistiria essa Paz verdadeira libertada? Quais seriam os seus termos? Eis uma pergunta sem resposta aparente.

Observe-se, todavia, que a narrativa de Weber não termina com o simples restabelecimento da harmonia, que pressupõe a certeza de uma futura Justiça divina. O final do conto deixa uma mensagem moral às novas gerações. Encerra-se o texto com as seguintes palavras:

E, pelo mundo afora, noite após noite, resplandeciam as luzes para o consolo das mães das crianças assassinadas, para o espanto e dor de consciência dos malfeitores de Versailles e como advertência às gerações futuras.10

A mensagem está dada: A República de Weimar foi punida além da conta e covardemente. A correção da História está feita: a Paz de Versailles não foi o que parece ter sido. O apoio ao Deutschtum11 é reafirmado pelo professor Robert Weber.

Porém, a última frase, “como advertência às gerações futuras”, pode a meu ver receber duas interpretações, porque a palavra “Mahnung”, traduzida por advertência, em alemão significa “lembrança de fazer algo, não esquecimento”. De um lado, pode significar que as gerações futuras devem manter na memória as consequências terríveis de uma guerra e, por isso, evitá-la; de outro lado, pode significar que as gerações futuras não devem esquecer a injustiça sofrida pelo Reich e também pela República de Weimar, que lhe sucedeu.

Há leitores para as duas interpretações. Com a primeira interpretação estão os pacifistas de sempre.

Contudo, leitores houve/há que fizeram/fazem a segunda exegese. De fato, muitos historiadores, na trilha de W. Churchill, não concebem a Segunda Grande Guerra como outra guerra, senão como a continuação da primeira.

Embora a República de Weimar, com a ajuda norte-americana do Plano Dawes, reorganizasse seu sistema monetário e estimulasse a indústria, as Universidades, segundo Max Weber,

estavam sendo impregnadas por ideologias estranhas à educação. Mais precisamente, que o fascismo da nascente política nacional socialista estava começando a ameaçar o espírito crítico e a liberdade de pensamento. Os cargos acadêmicos eram, muitas vezes, preenchidos por indivíduos que utilizavam as cátedras para discursos políticos demagógicos de inspiração fascista. (WEBER, 1972, p. 13).

Um fenômeno, que se repetiu depois da Segunda Grande Guerra, hoje confirmado, pela pesquisa ordenada, por exemplo, no Ministério da Justiça, que visa a rastrear a presença nazista em suas dependências.

Não foi à toa que, em 22 de junho de 1940, ao invadir a França, Hitler exigiu o Armistício francês na mesma cidade de Compiègne e o reconhecimento da derrota francesa também em Versailles.

De qualquer modo, a publicação deste conto no Brasil de 1924 talvez só tenha sido possível ou por causa da artimanha poética contida no título e no começo da narrativa, levando a crer tratar-se o texto de um conto de fadas, ou por causa do desconhecimento geral da língua alemã no Brasil, ou ambas as coisas. Porque neste ano de 1924, sete anos depois das primeiras manifestações contra os alemães e seus descendentes no país, o presidente Artur Bernardes governa a nação por meio de leis repressivas que restringem a liberdade de imprensa e os direitos individuais. O país está a braços com revoltas, como a dos tenentes no Rio e em São Paulo. É o ano da formação da Coluna Prestes. O manifesto da poesia pau-brasil, de Oswaldo de Andrade, é uma afirmação da brasilidade da poesia produzida no país. Augusto Meyer, escritor descendente de alemães, mas já integrado à literatura brasileira canônica, havia publicado em 1923 A ilusão querida e em 1926 haveria de publicar Coração verde.

Só 14 anos depois, em 1938, o “perigo alemão” assustará de fato o governo de Getúlio Vargas, as escolas alemãs serão fechadas e o uso do idioma proibido.


Fontes Bibliográficas

WEBER, Robert. Ein Weihnachtsmärchen. In: Kalender der Serra-Post. Ijuí, Ulrich Löw, 1924, p. 101-102.
WEBER, Robert. Conto de Natal. Trad. Alceu Gregory. In: Literatura brasileira de expressão alemã. www.martiusstaden.org.br
WEBER, Max. Ciência e política, duas vocações. Trad. Leonidas Hegenberg e Octany Silveira da Mota. São Paulo, Cultrix, 1972.

Documentos eletrônicos

Wikipedia: Brasil na Primeira Guerra Mundial. Acesso em 11/06/12.

Wikipedia: Causas da Segunda Guerra Mundial. Acesso em 11/06/12.

Santos, Fabiane dos. A construção do inimigo: é tempo de guerra, medo e silêncio. Revista Santa Catarina em História – Florianópolis – UFSC – Brasil, v.1, n.2, 2007. Acesso em 30/8/2012

Notas

[1] Weber, Robert. Ein Weihnachtsmärchen. In: Kalender der Serra-Post. Ijuí, Ulrich Löw, 1924, p. 101-102.

[2] Trad. Luana Camargo. “In den Arbeitsfächern meiner Kolleginnen und Kollegen werden verschiedene Mappen liegen mit folgenden Aufschriften: Zeitungsgeschichten und Artikel, Gedichte zum 25. Juli, zum Muttertag, für Weihnachten und Ostern, Kalendergeschichten und – gedichte, Uebersetzungen [sic] usw. Ganz zu unterst liegt eine saubere Mappe ohne Aufschrift. Darin sind die Gedichte, Erzählungen und Romane verwahrt, für die keine Aussicht zur Veröffentlichung besteht. Es sind oftmals wertvolle kleinere und grössere Arbeiten, für die sich kein Verleger findet und für die im Eigenverlag drucken zu lassen das Geld nicht reicht.
Sucht jemand in Brasilien wahre brasilianische Literatur in deutscher Sprache, so wird er sie nicht in den Zeitungen und Kalender finden, sondern eben in diesen unbeschrifteten Mappen”.In: “Literatura brasileira de expressão alemã” – www.martiusstaden.org.br. Ou: Brasil-Post, São Paulo, 24.10. 1959, p. 1.

[3] Em janeiro de 1919, sem a presença dos derrotados, realiza-se em Paris a Conferência de Paz para produzir o documento onde serão discriminadas as indenizações da guerra, e este será elaborado de tal maneira que parece ter o objetivo precípuo de arrasar e de humilhar os alemães. O documento é entregue em maio e exige uma resposta no prazo de 15 dias. Em 28 de junho de 1919, o término e a perda da guerra são reconhecidos no Tratado de Versailles, assinado pelo ministro do exterior alemão, Hermann Müller.

[4] O romance trata do ataque russo ao navio “Wilhelm Gustloff”, cheio de civis alemães, fugindo da guerra, no final de 1945, no Mar Báltico. Morreram cerca de nove mil pessoas, entre elas, muitas crianças.

[5] Trad. Alceu Gregory. “Im Kriege fielen die Krieger, der Friede aber zerfraß die Kraft der Kinder. Hunderttausende Kinder starben diesen entsetzlichen Tod des Friedens, den Versailler Friedenstod.” Weber, Robert. Ein Weihnachtsmärchen. In: Kalender der Serra-Post. Ijuí, Ulrich Löw, 1924, p. 101-102.

[6] É possível empregar na análise deste conto a terminologia criada por Vladimir Propp em sua obra A morfologia dos contos de fadas, de 1928.

[7] Trad. Alceu Gregory. “Da kam das Weihnachtsfest zu dem Volke und es freuten sich alle, die Kranken, die Verstümmelten, die Blinden, die Alten und die Kinder. Der böse Friede aber freute sich mehr als alle, den der Gesang der Kinder wies ihm die Wege, wo seine droßelnde Hand töten konnte.” Weber, Robert. Ein Weihnachtsmärchen. In: Kalender der Serra-Post. Ijuí, Ulrich Löw, 1924, p. 101-102.

[8] Trad. Alceu Greogory. “Da erschütterte das Weltall, denn Gott der Herr sprang von seinem Throne.” Weber, Robert. Ein Weihnachtsmärchen. In: Kalender der Serra-Post. Ijuí, Ulrich Löw, 1924, p. 101-102.

[9] Trad. Alceu Gregory. “einen Menschen, der zerschlagen, gefoltert und so gefesselt war, daß er sich nicht rühren konnte.
“Wer bist du?” frug der liebe Gott. “Ich bin der Weltfrieden”, antwortete mühsam der Gebundene; “meine Peiniger halten mich seit Jahren hier gefangen. Ich werde wohl bald sterben. O, daß die Menschen mich erlösten, denn Teufel haben mich bezwungen!”
“Wer sind die, die dich banden?” so frug der Allmächtige.
“Herr, ich kenne nicht ihre Namen, aber sie nannten sich Mitglieder des Hohen Rates; und dieser Hohe Rat hat mich beraubt und einen andern zum Frieden, zum Weltfrieden, zum Versailler Frieden gemacht.” Weber, Robert. Ein Weihnachtsmärchen. In: Kalender der Serra-Post. Ijuí, Ulrich Löw, 1924, p. 101-102.

[10] Trad. Alceu Gregory. “In die Welt hinein aber strahlten Abend für Abend die Lichter der gemordeten Kindlein zum Trost der Mütter, zum Entsetzen und zur Gewissensqual der Uebeltäter von Versailles, zur Mahnung für die späteren Geschlechter.” Weber, Robert. Ein Weihnachtsmärchen. In: Kalender der Serra-Post. Ijuí, Ulrich Löw, 1924, p. 101-102.

[11] Deutschtum (germanidade) designa uma espécie de consciência nacional alemã, a envolver conceitos de cultura, de raça e de língua comuns, que expressam sentimentos de superioridade. A partir de 1852, a ideologia da Liga Pangermânica dá lugar de primazia ao Deutschtum que se torna presente também nas colônias alemãs do Brasil. A ele se deveria o progresso trazido ao primitivismo brasileiro dos primeiros tempos da colonização. Já Heine (1797-1856), apesar de judeu ou justamente por isso, havia comparado a língua alemã a uma pátria.

Sobre Celeste Ribeiro de Sousa

Celeste Ribeiro de Souza é pós-doutorada em Teoria Literária e Literatura Comparada pela Universidade de São Paulo/Universidade de Colônia (2000). Tem doutorado em Letras: Língua e Literatura Alemã também pela USP/Universidade de Colônia (1988) e mestrado em Letras (Língua e Literatura Alemã) pela USP (1979).