Sobre Brito Broca

(Guaratinguetá, São Paulo, 1903 – Rio de Janeiro, 1961): Crítico literário e historiador que, a partir de 1934, se tornou responsável pela seção “Livros & Autores”, publicada pelo jornal A Gazeta, de São Paulo. É autor de, entre outras obras, A vida literária no Brasil: 1900 (1956) e Machado de Assis e a política mais outros estudos (1983). Foi Brito Broca quem pediu a Graciliano um artigo para a seção “Variedades” da revista Publicações Médicas e lhe sugeriu o assunto: o resultado é “Alguns tipos sem importância”, de 1939 (Confiram-se: BROCA, Brito. Prefácio a Linhas tortas. 5. ed. São Paulo: Martins, 1972; Remate de Males, Publicação do Departamento de Teoria Literária do Instituto de Estudos da Linguagem da Unicamp, Campinas, v. 11: Brito Broca — Vida literária e história cultural, 1991).

Uma palestra com Graciliano Ramos: Vidas secas

Apenas cinco personagens evoluem no livro: um homem, uma mulher, dois meninos e uma cachorrinha. Com essa comparsaria limitadíssima, criei o meu mundo. Aliás, não se trata de um romance de ambiente, como geralmente costumam fazer os escritores nordestinos e os regionalistas em geral. Eles se preocupam apenas com a paisagem, a pintura do meio, colocando os personagens em situação muito convencional. Não estudam, propriamente, a alma do sertanejo. Limitam-se a emprestar-lhe sentimentos e maneiras da gente da cidade, fazendo-os falar uma língua que não é absolutamente o linguajar desses seres broncos e primários. O estudo da alma do sertanejo, do Norte ou do Sul, ainda está por fazer em nossa literatura regionalista. Quem ler os romances regionalistas brasileiros faz uma ideia muito diversa do que seja o homem do mato.