Sobre Eduardo Sinkevisque

Doutor em Letras: Literatura Brasileira (FFLCH/USP), Pós-doutor em Teoria Literária (IEL/UNICAMP), Pós-Doutor em História (IFCH/UFRGS).

Os Alfenins sem açucar de Adrain

CONSUBSTANTdJETIVOS COMUNS de ADRIAN’DOS DELIMA O artesanato-culinário do poeta no livro anunciado no título de meu texto não é, óbvio, vindo de uma cozinha industrial. Seus doces são, paradoxalmente, feitos sem açúcar. Com afetos, penso que sim, uma vez que crítica, derrisão, corrosão podem ser afetos. Não obstante, não é nada disso que quero falar, […]

O X que sustenta uma plataforma: pauta, solfejo e cardápio freyrianos

O leitor de Gilberto Freyre, neste início de milênio, absolutamente não é o mesmo dos anos 30 que, maravilhado, aplaudiu Casa-grande & senzala e Lamartine Babo. Tampouco é aquele que se encantou com Francisco Alves dos anos 40, ou com a bossa nova dos 50. O leitor dessa vez é ouvinte de Carlinhos Brown, negro; de Chico Science, índio; de Marisa Monte, morena; de Zélia Duncan, branca; de Chico César, negro, mulato, e de Lenine, galego, quase holandês.

Poesia-pintura: “A Máquina do Mundo” de Drummond

Este artigo objetiva, após breve descrição e análise, interpretar o poema de Carlos Drummond de Andrade intitulado “A Máquina do Mundo”, à luz da retórica antiga, reconhecendo, particularmente, a noção de ut pictura poesis como expediente retórico na confecção do texto. Essa hipótese de leitura se evidencia através do modo como a máquina se apresenta ao “eu lírico”, como o decoro retórico – as referências alegóricas e às letras dos séculos XIV ao XVI – e uma prática discursiva moderna, porém alusiva às práticas seiscentistas e setecentistas – estão presentes no texto. Mais do que analisar e interpretar, no poema, o sujeito poético particularmente ou o sujeito em geral, centro da discussão modernista, essa leitura pretende focalizar, em especial, a figuração da presença e da forma de apresentação da máquina do mundo frente ao sujeito.

Estilo agudo em História: Ciceronianos & anticiceronianos do século XVII

Até hoje, o que se estudou, no Brasil, sobre estilo seiscentista em prosa data de 1950. Afrânio Coutinho, talvez único no Brasil a tratar da questão, caracteriza-a pela oposição ciceronianismo/anticiceronianismo dos estilos humilde/grande, mas não define, nem delimita um corpus ao chamar de “prosa barroca” os textos que estuda. Vários gêneros são apagados pela etiqueta. A tese de Coutinho não dá conta da questão por ser muito fluida. Embora trate do modelo ciceroniano em prosa, Coutinho afirma haver, no século XVII, o predomínio de um anticiceronianismo que propõe Tácito e Sêneca como modelos, ao lado de retomadas da retórica aristotélica, contra o ciceronianismo.  Apoiando-se, principalmente, nos trabalhos de Morris Croll, Coutinho caracteriza o genus humile com a citação de Muret.