Sibila, lugares contemporâneos da poesia: Viacheslav Kupriianov

Poeta, prosador, tradutor e crítico russo, VIACHESLAV KUPRIIANOV nasceu em Novosibirsk, em 1939, e vive em Moscou. Durante sua extensa carreira literária, Kupriianov publicou nove títulos entre poesia e prosa, a maioria traduzida em várias línguas europeias, além de editar uma importante antologia de suas traduções de poetas austríacos, alemães, suíços e norte-americanos (Moscou, Raduga, 2009).

3 poemas de Daniil Kharms

E o peixe cintila na água gelada,
E a casa aparece de longe minguada,
E late o cachorro de guarda ao rebanho,
E roda o Petróv aos pés da montanha,
E bate a bandeira na casa pequena,
E cresce no rego a verdura perene,
E o pó se prateia em cada enfieira,
E as moscas voando com toda a zoeira,
E as moças se aquecem ao sol do verão […]

И рыбка мелькает в прохладной реке,
И маленький домик стоит вдалеке,
И лает собака на стадо коров,
И под гору мчится в тележке Петров,
И вьется на домике маленький флаг,
И зреет на нивах питательный злак,
И пыль серебрится на каждом листе,
И мухи со свистом летают везде,
И девушки, греясь, на солнце лежат […]

As traduções do sol

Maiakovski nasceu na Geórgia em 1893. Aos catorze anos entrou para a facção bolchevique do Partido Social-Democrático Operário Russo, tendo sido preso várias vezes. Entrou na Escola de Belas Artes, onde se encontrou com David Burlyuk, que foi o grande incentivador de sua iniciação poética. Em 1912, com David Burlyuk, Khlebnikov e Kruchonykh, publica o manifesto cubo-futurista  “Uma bofetada no gosto do público”. Após a Revolução, trabalhou na Agência Telegráfica Russa e na revista LEF.

Poemas de V. Khlébnikov (1885-1922)

1) Из мешка На пол рассыпались вещи. И я думаю, Что мир – Только усмешка, Что теплится На устах повешенного. (1908)   De um saco roto Vazou quase tudo. E eu penso Que o mundo É só um riso maroto Luz fraca nos lábios De algum enforcado.   2) Девушки, те, что шагают Сапогами черных […]

Arkadii Dragomoshchenko en castellano

Sí, que escatimo lo guía el vino, silencio,
la terminación de los dedos. Por eso se escribe luego:
“victoria y armuelle”.
Queda que venga – el sitio. Los dioses mendigos junto al fogón.
Se quedaban. Eran. Con ninguno se repartían en venganza.
La envidia los distinguía. Como jarros vacíos.
Pero nosotros vivíamos. Sin saber por qué es que se sabe
que inicialmente es desconocido.

Seis Poemas Russos

I. СЧАСТЬЕ Стал каждый миг густым, как мед, Лучистым, как янтарь. Часам давно потерян счет И изгнан календарь. Как ненавистен мне расчет И чувства про запас! Свой годовой любви доход Я прокучу за час. I. FELICIDADE Denso como o mel, cada momento, Raiando como o âmbar. Há muito perdi […]

Corações maternos

No Brasil, “Coração materno” ganhou vida nova quando Caetano Veloso a incluiu no disco-manifesto Tropicália, de 1968, com arranjo de Rogério Duprat. A interpretação do músico baiano serviu de contraponto à de Vicente Celestino no momento exato em que o movimento tropicalista buscava denunciar o convencionalismo, o exagero estético e mesmo o grotesco presente em muitas canções brasileiras.

UPPER LAYERS OF THE ATMOSPHERE

[on Alexei Parshchikov] He was walking uphill, and it was as if he was tightening the strings with himself and nut drawings were taking form. — A. Parshchikov, DACHA ELEGY I’m not good with chronology, never have been. Everything happens now or didn’t happen at all. One the one hand, I am absolutely […]

From Indifference

Let us choose the version according to which a falling book is the condition of the story’s continuation and of a simultaneous inclusion into it of accidental ambivalence that presupposes its own presence as well as an absence that penetrates it. I knew a person who said only one word in a whole year: “don’t.” He is in the past.