Padre Vieira: uma exegese do capital

Nos Cadernos do Promotor do Tribunal do Santo Ofício de Lisboa há denúncias contra o Pe. Antônio Vieira desde o ano de 1649, no entanto, somente em 1660 dá-se início ao processo inquisitorial movido contra ele. Documentos, qualificações, denúncias, cartas , ordens avolumam-se até o início formal do processo, em 1663, quando Vieira é chamado a depor no Tribunal do Santo Ofício de Coimbra. Daí até a sentença, em 1667, são quatro anos e trinta sessões de “exames” inquisitoriais, sendo que, encarcerado em setembro de 1665, nos dois últimos anos Vieira comparece na condição de réu preso.

Luis Dolhnikoff poeta

O poeta paulistano Luis Dolhnikoff vive longe da civilização. Mais precisamente no Pântano do Sul, uma praia isolada de Florianópolis. Vem daí o título do livro que acaba de lançar pela Quatro Cantos.  Impressões do pântano completa uma trilogia composta por Lodo (Ateliê, 2009) e As rugosidades do caos (Quatro Cantos, 2015, finalista do Jabuti 2016). Cada poema do livro (e dos livros), de diferentes formas, remete ao caos, ao pântano que se tornou o mundo contemporâneo. Toda utopia hoje mora no impossível. Dentro do real, do centro mesmo da real realidade, o poeta, atento, alvo de tudo, parece que escreve com os dentes trincados de raiva. O único que lhe interessa é uma completa cumplicidade. Ele interage com as coisas que erram. Chega a ser indecente essa tarefa justamente porque é (sempre foi?) indecente a vida, a dialética e os sujos conluios da política, como também são impróprias a dor e a flor dos encontros e desencontros. Um espelho do caos. Esse tipo de poesia passa longe do belo, porque o belo passa longe.

Relendo Leminski

O importante aqui é verificar a presença de duas questões fundamentais: a crítica e a publicidade, campos conceituais antagônicos em diversos aspectos embora muito semelhante no objetivo comum de convencer alguém (o leitor para a crítica e o consumidor para a propaganda) de alguma coisa. A diferença abissal entre esses dois campos parece ser o ponto de tensão colocado em discussão por Leminski: o tabu do não. Enquanto para a publicidade a linguagem positiva é imperativa, para a crítica é fundamental dissuadir tal “otimismo-mentira”. Só assim, segundo o poeta, é possível atingir esse “bem social”, essa esfera utópica e filosófica da “verdade”. É certo que uma vista rápida à edição de maior sucesso editorial de Leminski, sua Toda Poesia (Companhia das Letras, 2013), pode fazer cair por terra a disposição empreendida no referido ensaio. Ronald Augusto, por exemplo, em Uma análise da poesia de Leminski, publicado na Sibila, avalia precisamente as fraquezas críticas da edição e os problemas da dimensão publicitária dada à obra – sobretudo visando à divulgação comercial.