Imaginação Pataquérica

Tal como o título sugere, trata-se de um texto-provocação de Charles Bernstein (publicado pela Chicago University Press em 2016 no livro Pitch of Poetry) em que se abordam, através de ajustes/ataques (fits), textos poéticos que admitem conceitos contraditórios (antinomianismo) na interpretação/performance de sua formação (midrash). Os bent studies, ou estudos torcidos (como a colher que se dobra, do mágico – explica o autor), trazem à baila os protagonistas abaixo – dramatis personae verticais x horizontais: os que defendem , em última análise, a poesia inovadora contra os “classicalistas”, que a excluem das aulas e das antologias. A essa poesia inovadora Charles Bernstein atribui uma imaginação pataquérica – inspirando-se quiçá em Alfred Jarry, o pai da patafísica – um termo plurívoco, com uma porção de derivados.

Perec, Borges e Oulipo

Literatura e Matemática, de Jacques Fux, publicado em 2016 pela editora Perspectiva, pesquisa as relações entre Georges Perec e Jorge Luis Borges sob o viés da Matemática e Lógica. Além de focar seu estudo em um campo pouco explorado dos estudos comparados no Brasil, o livro abre espaço para questionamentos que precisam ser feitos àqueles que produzem literatura atualmente. Para entendermos melhor do que ele fala, vamos reforçar a definição do termo contrainte. Não falamos aqui de ‘constrangimento’, por mais que essa conotação não se perca por completo, dependendo da leitura que se faz daquilo que o Oulipo impõe a seus adeptos. Falamos de uma “restrição inicial imposta à escrita de um texto ou livro”, como afirma Fux. No caso, a novidade do grupo francês Oulipo, do qual Perec foi adepto, foi a proposição de contraintes matemáticas na criação de obras literárias, sem por isso deixar de fazer uso de outras, como as linguísticas.