A vida depois do Buda punk

Se Disney proibiu o selfie-stick é porque interpunha demasiada distância entre o eu e o eu. Para que o sistema se clone, o eu não deve colocar distância alguma entre o Vil Eu e o Vil Eu. Qualquer distância ameaça tornar-se crítica.

Esta época consiste em ocultar as verdades de Buda. Mesmo que o Budismo seja o ponto alto do pensamento terrícola, queremos alegar que esta flecha nunca nos feriu.

A literatura contemporânea é um passeio por parques de diversões. Nas literaturas experimentais, gringos veteranos como Burroughs e Acker já não seriam possíveis hoje em dia. O punk já está proibido. Ser escritor na Era Facebook significa Portar-se Bem: Like! Like! Like!

Quase tudo o que tem a ver com Milênio é detestável: foi desenhado pelas mídias. A tudo o que acontece reagem com uma referência ao mundo do espetáculo. Cada coisa que acontece no mundo lembra-lhes um filme ou um vídeo.

A guerra secreta da CIA contra a Cultura

O livro Who Paid the Piper: The CIA and the Cultural Cold War (London: Granta Books) de Francis Stonor Saunders conta em detalhes a maneira como a Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos (CIA) infiltrou-se e influenciou um grande número de organizações culturais por meio de seus agentes e de organizações filantrópicas associadas, como as Fundações Ford e Rockfeller. O livro revela ainda como a CIA no pós-guerra alistou muitos intelectuais na campanha para provar que o engajamento à esquerda é incompatível com a arte séria e o conhecimento.

A autora, Francis Stonor Saunders, detalha como e por que a CIA patrocinou congressos culturais, montou exibições de arte e organizou concertos. A Agência também publicou e produziu autores conhecidos que seguiam essa linha de Washington, patrocinou a arte abstrata e fez ataques à arte de conteúdo social. E, em todo o mundo, financiou publicações que atacavam o marxismo, o comunismo e as políticas revolucionárias.