Contracultura e Fonografia: o experimentalismo dos Mutantes em contexto

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Neste artigo analiso algumas canções da banda de pop-rock Os Mutantes. Sabe-se que a sua primeira formação, em 1966, contou com a cantora Rita Lee e os irmãos Arnaldo Baptista (contrabaixo e teclado) e Sérgio Dias (guitarra). Ademais, fala-se em um “quarto Mutante”, Cláudio Dias Baptista, responsável pela criação dos vários instrumentos da banda. Irmão mais velho dos Baptistas, Cláudio coloca-se como figura central para a arquitetura da experimentação sonora do grupo em um contexto em que, por um lado, a produção cultural brasileira fervilhava e, por outro, vivíamos uma tenebrosa ditadura civil-militar. Diante de tantas contradições caras a essa época, pretendo, em especial, apontar para dois aspectos: o movimento da contracultura e a sua relação com o desenvolvimento da Indústria Cultural no Brasil de fins da década de 1960 e meados dos anos 1970. Procuro demonstrar – ainda que soe discrepante – que o processo para a consolidação da Indústria Cultural no país contribuiu para o experimentalismo musical da banda. Não obstante, quando imersos na contracultura dos e nos anos 1970 esse experimentalismo tende a declinar. Experimentalismo no sentido do uso das referências de vanguarda, dos instrumentos criados e inusitados que deram às suas canções certa peculiaridade. Dentre outros aspectos, ocorre nesse contexto a reorganização do mercado fonográfico brasileiro em que elementos de “vanguarda” não são mais aceitos pelo mercado.