METAPOLÍTICA OU O FASCISMO DOS ANTIFASCISTAS

O substantivo “metapolítica” é apresentado aqui por Pasolini, que também questiona a representatividade dos partidos políticos e dos posicionamentos da mídia, como do importante jornal Il Messagero. Seu tema central é uma greve de fome de um dos mais importantes políticos libertários europeus do século XX, Marco Panella (1930-2016). Um dos fundadores do Partido Radical, promoveu campanhas pela separação do Estado e da Igreja Católica, a favor do divórcio, do aborto, da liberação das drogas, pelos direitos humanos dos então países da Europa Oriental (em 1968, foi preso em Sofia distribuindo panfletos contra o regime stalinista), além de ter sido um dos primeiros grandes promotores da causa ambientalista e da União Europeia, visando o fim das guerras no continente.

A poesia irrefletida

Há pouco mais de dois meses, o poeta Eduardo Milán (Rivera, 1952), que vive há anos no México, passou por Montevidéu. Ele não participou de nenhum desses grandes eventos em que os leitores regulares e compradores de livros usados se misturam, mas dedicou um tempo para dar uma palestra intitulada “A nova situação da poesia latino-americana”. E uma das primeiras coisas que disse naquela ocasião, depois de ter brevemente referido quem ele era, onde viveu e quando e onde nasceu, foi que esse artefato semântico sugerido pelo título da palestra não era, estritamente falando, outra coisa que não uma questão especulativa. “Hoje eu fui a uma rádio e me perguntaram, como se intrigados, o que era essa ‘nova situação de poesia latino-americana’, como se eu tivesse alguma coisa escondida, algo que ainda não havia chegado como uma novidade ao Uruguai. Eu disse a eles que o discurso ou reflexão sobre a poesia latino-americana não se constitui em um saber, e isso foi pior, pois pareceu que eu estava ocultando algo essencial, uma espécie de formalização ausente, e afinal acabamos falando sobre música, que é onde todos são felizes”. Assim, com essa mistura de humor.

AOS AMIGOS POETAS

Para tentar contribuir com o grande, tenso e intenso debate nacional que hoje ocorre em torno da questão cultural relevante para a situação da poesia contemporânea, pensamos que valeria a pena lançar mão de poucos, mas alguns esclarecedores dados objetivos. Assim, através do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e de uma longa lista de entrevistas, descobrimos alguns fatos essenciais. Os dois mais importantes: há hoje cerca de 50 mil poetas em atividade no Brasil; o motivo da imensa maioria para escrever poesia é escrever poesia. Do primeiro fato concluímos, provisoriamente, que o problema das baixíssimas tiragens de livros de poesia seria imediata e facilmente resolvido se houvesse uma maior solidaridade entre os poetas, ousamos mesmo dizer, um movimento poetista, à maneira de tantos outros grupos atuais. A solidariedade poética do poetismo teria como primeira tarefa estimular os poetas a lerem seus “irmãos de linguagem”, o que garantiria, no limite, tiragens de 50 mil cópias, uma brutal revolução em relação ao quadro atual, em que à abundância de poetas parece corresponder uma quase completa inexistência ou desistência de leitores.