Há pouco mais de dois meses, o poeta Eduardo Milán (Rivera, 1952), que vive há anos no México, passou por Montevidéu. Ele não participou de nenhum desses grandes eventos em que os leitores regulares e compradores de livros usados se misturam, mas dedicou um tempo para dar uma palestra intitulada “A nova situação da poesia latino-americana”. E uma das primeiras coisas que disse naquela ocasião, depois de ter brevemente referido quem ele era, onde viveu e quando e onde nasceu, foi que esse artefato semântico sugerido pelo título da palestra não era, estritamente falando, outra coisa que não uma questão especulativa. “Hoje eu fui a uma rádio e me perguntaram, como se intrigados, o que era essa ‘nova situação de poesia latino-americana’, como se eu tivesse alguma coisa escondida, algo que ainda não havia chegado como uma novidade ao Uruguai. Eu disse a eles que o discurso ou reflexão sobre a poesia latino-americana não se constitui em um saber, e isso foi pior, pois pareceu que eu estava ocultando algo essencial, uma espécie de formalização ausente, e afinal acabamos falando sobre música, que é onde todos são felizes”. Assim, com essa mistura de humor.