Fim

Quando eu morrer batam em latas,Rompam aos saltos e aos pinotes,Façam estalar no ar chicotes,Chamem palhaços e acrobatas!Que o meu caixão vá sobre um burroAjaezado à andaluza:A um morto nada se recusa,E eu quero por força ir de burro!…                         Nasceu em 19 de […]

Mário Faustino dialoga com Marianne Moore

POESIA Mário Faustino Eu também não gosto lá muito dela: há coisas mais importantes ………………… que toda essa charanga. Lendo-a, todavia, com o mais perfeito desdém, a gente acaba …………………….descobrindo nela, afinal de contas, um lugar para o genuíno. …….Mãos que podem apertar, olhos …….que se podem dilatar, cabelo capaz de eriçar-se …………..se for preciso, […]

MORRE JOVEM O QUE OS DEUSES AMAM

Morre jovem o que os Deuses amam, é um preceito da sabedoria antiga.* E por certo a imaginação, que figura novos mundos, e a arte, que em obras os finge, são os sinais notáveis desse amor divino. Não concedem os Deuses esses dons para que sejamos felizes, senão para que sejamos seus pares. Quem ama, ama só o igual, porque o faz igual com amá-lo. Como porém o homem não pode ser igual dos Deuses, pois o Destino os separou, não corre homem nem se alteia deus pelo amor divino; estagna só deus fingido, doente da sua ficção.

Teoria do não-objeto

A expressão não-objeto não pretende designar um objeto negativo ou qualquer coisa que seja o oposto dos objetos materiais com propriedades exatamente contrárias desses objetos. O não-objeto não é um antiobjeto mas um objeto especial em que se pretende realizada a síntese de experiências sensoriais e mentais: um corpo transparente ao conhecimento fenomenológico, integralmente perceptível, […]

Poesia da Provença

GUILHEM DE POITIERS (1071-1127) Ab la dolçor del temps novel folhon li bosc, e li aucel chanton chascus en lor latí segon lo vers del nòvel chan; adonc està já qu’òm s’aisí d’aissò dont òm a plus talan. Com a doçura do tempo novo florescem os bosques e as aves cantam cada uma delas no […]

A dialética do canto e das palavras

A seguir uma entrevista com Pèire Bec ou Pierre Bec, um dos maiores especialistas em poesia trovadoresca das últimas décadas, oportuna pelo fato de Bob Dylan acabar de receber o prêmio Nobel de literatura, reacendendo-se, em consequencia, toda uma discussão sobre a poesia trovadoresca e sua complexidade, sobre a alta e a baixa cultura e suas fronteiras agora também no século XXI. E, igualmente, sobre as origens da própria poesia e o debate sobre a qualidade das obras dos dos poetas-músicos.

A FALANGE DE MÁSCARAS DE WALY SALOMÃO

Me segura qu’eu vou dar um troço devia, segundo Waly Salomão, ser lido com olho-míssil e não com olho-fóssil. Seguindo essa indicação, tentei iluminá-lo através dos seus livros posteriores e vice-versa. A consideração sincrônica da obra de Waly pareceu-me revelar, por trás de uma fragmentariedade ostensiva, uma identidade fundamental de preocupações: se bem que, como se verá, uma identidade na antiidentidade. Aos meus olhos, essa descoberta pareceu confirmar o acerto da abordagem inicial.
Me segura qu’eu vou dar um troço (que doravante chamarei Me segura) foi publicado em 1972. Nos anos seguintes, Waly relatou muitas vezes as circunstâncias que ocasionaram a sua escritura. Em 1996, por exemplo.

A ironia de Baudelaire

A ironia de Baudelaire nos leva a desconfiar do poeta, pois ela nos lembra que antes de qualquer coisa, estamos diante de uma mera aparência. A ironia nos ensina a desconfiar dos cantos das sereias, pois o poeta pode ser um hipócrita, um mentiroso. Se anunciando como tal o poeta nos torna imune a toda mistificação. Através da ironia a arte se mostra como o que ela realmente é: ficção.

A técnica do escritor em treze teses

Quem se propõe a escrever uma obra de grande envergadura deve ser indulgente consigo mesmo e, ao terminar sua tarefa diária, deve se conceder tudo aquilo que não prejudique a continuidade da mesma. Fale sobre o já realizado, de todas as maneiras, mas não leia nenhuma passagem a ninguém do trabalho em progresso. Qualquer gratificação que você obtenha dessa forma irá retardar o seu tempo. Se seguir o conselho, o desejo crescente de comunicação tornar-se-á, ao cabo, um motor para a conclusão do trabalho.

Conversa com João Cabral de Melo Neto

Documentários às vezes são pouco conhecidos do público em geral por não fazerem parte dos circuitos comerciais de cinema. É o caso de Recife/Sevilha, exibido apenas em um canal fechado de TV e em festivais, a exemplo da XXVII Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e do XXXI Festival de Cinema de Gramado, ambos em 2003.