Poesia da Provença

GUILHEM DE POITIERS (1071-1127) Ab la dolçor del temps novel folhon li bosc, e li aucel chanton chascus en lor latí segon lo vers del nòvel chan; adonc està já qu’òm s’aisí d’aissò dont òm a plus talan. Com a doçura do tempo novo florescem os bosques e as aves cantam cada uma delas no […]

A dialética do canto e das palavras

A seguir uma entrevista com Pèire Bec ou Pierre Bec, um dos maiores especialistas em poesia trovadoresca das últimas décadas, oportuna pelo fato de Bob Dylan acabar de receber o prêmio Nobel de literatura, reacendendo-se, em consequencia, toda uma discussão sobre a poesia trovadoresca e sua complexidade, sobre a alta e a baixa cultura e suas fronteiras agora também no século XXI. E, igualmente, sobre as origens da própria poesia e o debate sobre a qualidade das obras dos dos poetas-músicos.

A FALANGE DE MÁSCARAS DE WALY SALOMÃO

Me segura qu’eu vou dar um troço devia, segundo Waly Salomão, ser lido com olho-míssil e não com olho-fóssil. Seguindo essa indicação, tentei iluminá-lo através dos seus livros posteriores e vice-versa. A consideração sincrônica da obra de Waly pareceu-me revelar, por trás de uma fragmentariedade ostensiva, uma identidade fundamental de preocupações: se bem que, como se verá, uma identidade na antiidentidade. Aos meus olhos, essa descoberta pareceu confirmar o acerto da abordagem inicial.
Me segura qu’eu vou dar um troço (que doravante chamarei Me segura) foi publicado em 1972. Nos anos seguintes, Waly relatou muitas vezes as circunstâncias que ocasionaram a sua escritura. Em 1996, por exemplo.

A ironia de Baudelaire

A ironia de Baudelaire nos leva a desconfiar do poeta, pois ela nos lembra que antes de qualquer coisa, estamos diante de uma mera aparência. A ironia nos ensina a desconfiar dos cantos das sereias, pois o poeta pode ser um hipócrita, um mentiroso. Se anunciando como tal o poeta nos torna imune a toda mistificação. Através da ironia a arte se mostra como o que ela realmente é: ficção.

A técnica do escritor em treze teses

Quem se propõe a escrever uma obra de grande envergadura deve ser indulgente consigo mesmo e, ao terminar sua tarefa diária, deve se conceder tudo aquilo que não prejudique a continuidade da mesma. Fale sobre o já realizado, de todas as maneiras, mas não leia nenhuma passagem a ninguém do trabalho em progresso. Qualquer gratificação que você obtenha dessa forma irá retardar o seu tempo. Se seguir o conselho, o desejo crescente de comunicação tornar-se-á, ao cabo, um motor para a conclusão do trabalho.

Conversa com João Cabral de Melo Neto

Documentários às vezes são pouco conhecidos do público em geral por não fazerem parte dos circuitos comerciais de cinema. É o caso de Recife/Sevilha, exibido apenas em um canal fechado de TV e em festivais, a exemplo da XXVII Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e do XXXI Festival de Cinema de Gramado, ambos em 2003.

Gracián e Vieira: o lugar do “mistério”

O topos do “mistério”, aplicado por tratadistas e oradores do século XVII, funda-se no postulado de uma natureza cujas espécies repõem uma substância infinita e invisível, análoga e proporcional à divindade. Enquanto sobreposição do infinito no finito, a proposição de uma “presença sem vista” tem sido interpretada, na história da cultura, como paradoxo e artifício gratuito, como efeito típico de uma época que se toma por “miracular”[1] e afeita a toda sorte de irracionalismos. Entretanto, retomadas algumas de suas referências históricas, aqui exemplarmente atinentes ao emprego que delas é feito pelo jesuíta aragonês Baltasar Gracián (1601-1658) e pelo jesuíta português Antonio Vieira (1608-1697)

A poesia de Stéphane Mallarmé

A palavra demonstra a inutilidade da ficção, o esforço inútil que seria tentar reproduzir, representar um objeto tal como ele é. Mallarmé em “Crise de Vers” aponta muitas características da linguagem. Entre elas se encontra, como exemplo, o fato de que as línguas são muitas e imperfeitas, um único objeto corresponde a uma palavra diferente em cada língua, o que evidenciaria que estas não tocam matériellement la vérité, mas, sim, commercialement. Mas a teoria da linguagem de Mallarmé vai muito além desta constatação.

Abolicionismo

A escravatura – escrevia o Correio Brasiliense em Londres – é um mal para o indivíduo que a sofre e para o Estado onde ela se admite, lemos no O Brasil e a Inglaterra ou o tráfico dos africanos. No intuito de esboroar, derruir a montanha negra da escravidão no Brasil, ergueram-se em toda a parte apóstolos decididos, patriotas sinceros que pregam o avançamento da luz redentora, isto é, a abolição completa.

Darwin: a escravidão no Brasil

Darwin: a Life in Poems é um livro incomum, que mescla poesia e autobiografia, para recontar cronologicamente episódios da vida de Charles Darwin através de poemas. A autora do livro, a prestigiada poeta britânica Ruth Padel, tem dois dados importantes na sua própria história: além de ser trineta de Darwin, tem um interesse particular em poesia e ciência, tema que é objeto da sua escrita e atividade acadêmica como professora no King’s College London.