Sobre Régis Bonvicino

Poeta, autor, entre outros de Até agora (Imprensa Oficial do Estado de S. Paulo), e diretor da revista Sibila.

Entrevista de Régis Bonvicino a Joca Reiners Terron

Os anos 1970 foram confusos: não tinham a força dos anos 1960 mas apenas a persistência da contracultura, já meio diluída, e aqui seguia uma ditadura; tudo muito confuso, tudo já muito “dado”, “decidido”. Eu acho que entrei em fuga da mpb no começo dos anos 1980. E daí perdi – ideologicamente – contato com esse universo; quando eu mantinha contato, não me sentia à vontade. Me interessava mais o confronto proposto, em uma época, pela mpb do que a mpb em si.

Além do muro

Beyond the wall (Além do muro) traz poemas dos três mais recentes livros de Régis Bonvicino: Estado crítico (2013, Hedra), Página órfã (2007, Martins Fontes) e Remorso do cosmos (2003, Ateliê Editorial). Os poemas foram traduzidos ao longo nos últimos 15 anos para publicação em revistas e para leituras do poeta nos Estados Unidos. O livro estampa cerca de 60 poemas. Este é o segundo selected poems de Bonvicino publicado nos EUA – o primeiro, Sky-eclipse (2000), editado também pela Green Integer, dava conta de um período anterior de sua obra. Os dois principais tradutores são Charles Bernstein e Odile Cisneros. Charles Bernstein é um dos grandes poetas e também um dos grandes críticos e teóricos de poesia dos Estados Unidos, com alcance mundial.

A Nova Utopia

A exposição se utiliza de três poemas, um só do livro Estado crítico (Editora Hedra, 2013), os outros dois inéditos: “A nova utopia”, que lhe é título, o poema “Frontispício”, que foi projetado na fachada do prédio da OI em Ipanema, e o poema “Tempus fugit”, de Estado crítico.

Régis Bonvicino na OI FUTURO IPANEMA

A Oi, o Governo do Rio de Janeiro, Secretaria de Estado de Cultura e Lei Estadual de Incentivo à Cultura do Rio de Janeiro convidam para a exposição A NOVA UTOPIA de Regis Bonvicino Curadoria Alberto Saraiva Abertura 30 de julho de 2016, sábado, às 19h30 OI FUTURO IPANEMA Galeria 1 e Vitrine (térreo) Visitação:  31 de julho a 25 de setembro De terça a domingo, das 13h às 21h Rua Visconde de Pirajá, 54 – Ipanema Tel.: 3131 9333 Tempus fugit O Face me dispõe na tela O Face é uma flor-estrela de boca aberta O Face não é flor que se cheire O Face jamais fica às moscas O Face desmascara a farsa do ready-made A chuva é molhada A pedra é dura O céu, no Face, é azul No Face, vai chegar a nossa vez Hoje envio os parabéns ao poeta Ron Silliman, 66 O Face é fake como uma nêspera O Face é tão fake como o funeral de Neruda O Face encara a verdade de costas O Face pega no nervo excita na vigília desova presunto O Face é um espião barato, prêt-à-porter, feito para mim e para você O Face é muito mais que um […]

Livro de Régis Bonvicino e Susan Bee

Criei o selo Global Books para editar poetas que considero importantes não só apenas em suas tradições, mas também em nível internacional. O nome Global Books encontra sua origem num estudo de livros de artistas da Collectif Génération, feito por Paul Van Capelleveen, conservador da Biblioteca Nacional da Holanda. Ao longo dos anos editei poetas como John Ashbery (Estados Unidos), Jean-Louis Baudry (França), Michel Deguy (França), Ann Lauterbach (Estados Unidos), Kenji Nakagami (Japão), Mónica de la Torre (México), John Yau (Estados Unidos) e Jean-Pierre Verheggen (Bélgica), entre outros tantos bastante significativos.

A dificuldade de ser de Jean Cocteau

Vem de ser lançado o indispensável A dificuldade de ser (Editora Autêntica), de Jean Cocteau (1889-1963). O livro foi redigido durante a 2ª Grande Guerra e editado na França em 1947. Trata-se, de fato, de uma arte poética feita a partir do relato de sua vida, da infância até o momento de finalização do texto, quando passara dos 50 anos. Ao mesmo tempo, o livro possui um caráter de testemunho ativo, aliás, às vezes crítico, de um dos períodos mais ricos da cena europeia, então cubista, surrealista, construtivista. E há, ainda, na obra, um viés de depoimento acerca de suas personagens maiores: o compositor Eric Satie (um de seus mestres), Picasso, o poeta Guillaume Apolinaire, o bailarino e coreógrafo russo Nijinski, Charles Chaplin, o dramaturgo Jean Genet e tantos outros de primeira linha.
Cocteau foi, em essência, um poeta, que escreveu romances, peças de teatro, crítica literária, fez filmes e foi um artista plástico inspirado, que deixou sua marca em capelas de pescadores então abandonadas da Provence e da Côte D’Azur .

Pablo Neruda em Rangum, Burma

O poema “Rangum” consta de Memorial de Isla Negra, publicado em 1964, por ocasião do sexagésimo aniversário de Pablo Neruda. Neruda escreveu, em parte, Residencia en la tierra, de 1935, em Rangum, então capital de Burma, onde viveu em 1927, na condição de cônsul chileno. Em seguida, como diplomata, oficiou no Ceilão, em Singapura e pôde conhecer o Oriente – tão fundamental para os melhores momentos de sua escritura. Na cidade de Rangum, com 23 anos, liga-se a uma prostituta, a qual nomeia como Josie Bliss, sem nunca revelar seu nome birmanês.

Criticality and Vertigo: An Interview with Régis Bonvicino

RB: Yes, I agree with this phrase from Ezra Pound. He was referring to the newspapers: you read an article you like and you keep it. A week later, you take it out and reread it. This is a concept of innovation I like because it has a basis on reality. A poem that was once innovative will always be useful for something, for making you think, etc…. But I do not use the concept of innovation as often as I used to. I am not that fond of the historical concepts of innovation anymore. Innovation needs to be redefined. I do not know exactly what “innovation” could mean, for example, in the United States, since they are, by definition, the land of innovation… So “innovation” has a specific meaning in the US, another one in Brazil, yet another one in Sweden, in China… Innovation is a relative concept and can become a contradiction if it is conceived as a tradition.

Lugares contemporâneos da poesia: suicídio ou revolução

O latino Horácio afirmou há dois mil anos que a poesia pretendia “instruir ou deleitar” [“aut prodesse aut delectare”]. A primeira afirmação se compreende porque, na Antiguidade, a poesia tinha quase tantos usos quanto a prosa tem hoje (prosa que então não existia como a conhecemos): teologia, narrativas, teatro, filosofia e manuais técnicos (agricultura, por exemplo) já foram escritos em versos. A poesia não tem mais tais usos “instrutivos”. Tampouco os “deleitosos”, pois estes, hoje, respondem pelo nome de entretenimento. E a poesia não faz parte da cultura de massa (ao contrário da prosa).

Criticalidade e vertigem: uma entrevista de Régis Bonvicino

Sibila foi criada para ampliar um diálogo com poetas do Brasil e do mundo inteiro, não apenas do Brasil; para se ter um ponto de vista internacional, para formar uma comunidade que pudesse compartilhar ideias como a de alguma inovação – mas uma inovação contemporânea, não passada, não saudosista. E também para focar em uma questão importante, que parece haver sido abandonada pelo mundo afora, mas que é uma parte que conta muito na literatura: a crítica literária. Dessa forma, Sibila tenta ser livre, na medida em que pensa e permite pensar, e ela concebe um tipo de poesia forte e independente. Ao mesmo tempo, eu sinto que nisso estamos de certa forma sozinhos… um tipo de solidão que partilhamos com amigos locais e amigos internacionais… Mas eu gosto do projeto, um projeto que está sempre aberto a transformações. Já desde uns cinco, seis anos atrás, o objetivo principal tem sido o da crítica, em relação à poesia, em relação à produção de poesia… crítica independente… não há arte sem espírito crítico. Eu poderia passar dias falando sobre a Sibila, que está hoje entre os maiores arquivos digitais de poesia da América Latina, sem verbas estatais, bolsas, apoios públicos, ou universitários. Ainda bem que é assim.