O mundo contemporâneo

Por fim, a canção movimentou uma parte muito significativa da experiência contracultural do século XX, e permitiu, no tempo das vanguardas culturais, a dissolução crítica e a reconstrução de comportamentos sobre a égide libertária, para um imenso público, já mundial, que se formava com ela. A canção, na forma de choque do rock, acompanhou o primeiro tempo da globalização mundial do capital…

Sibila, lugares contemporâneos da poesia: François Luong

Isso depende realmente daquilo que se entende por “público”. A poesia em si não tem um lugar importante na discussão pública, na França ou nos EUA. Ela tem a imagem de uma arte relativamente obscura e hermética. Também exige mais atenção do que um tweet de 140 caracteres, o que me parece ser o essencial da consumação textual de nossos dias. O público, em geral, requer uma satisfação imediata, coisa que a poesia, tradicionalmente entendida, não fornece. Quanto a isso, pode ser que poetas brasileiros tais como Décio Pignatari estejam adiante dos poetas franceses ou americanos pela maneira como eles questionam os modos de consumação contemporâneos.

A autópsia de um “poema” de Kenneth Goldsmith

Ao fazer sua performance sob a imagem de Michael Brown em sua foto de formatura, Goldsmith emitiu, durante trinta minutos, uma cantoria incessante que  apagou qualquer afeto pessoal   e ele, frise-se, não permitiu nenhuma interrupção, a não ser a pausa que ele fez para ele mesmo tomar um copo de água. No entanto, apesar de seu magistral domínio do palco e do  público, ele não foi capaz de apropriar-se de forma  inteiramente  conveniente do vernáculo médico, o que, por sinal , não surpreende: a linguagem médica é complicada e acaba por excluir os que não tiveram o privilégio de aprendê-la. Assim ele ficou jogando com as palavras e até mesmo errando ao pronunciá-las. Onde Goldsmith falhou não foi nesses “erros”, que aliás  revelavam a verdade em  uma forma que o poema não  alcançava, mas na sua falta de humildade,  em sua insensibilidade quanto ao fato de  que existia algo ou alguém mais no auditório ( a presença ausente, a ausência presente no relatório da autópsia), ao lado da “ verdade” incessante de seu poema.

Marjorie Perloff fala da função da crítica

Marjorie Perloff nasceu Gabriele Mintz, em 1931, em uma família judia em Viena. Ante o terror nazista, sua família emigrou em 1938 quando Marjorie tinha seis anos e meio; foram primeiro para Zürich e depois para os Estados Unidos, estabelecendo-se em Riverdale, Nova York. Após estudar no Oberlin College de 1949 a 1952, ela se formou no Barnard College em 1953; nesse ano, casou-se com Joseph K. Perloff, cardiologista e professor de medicina na Streisand/American Heart Association e pediatra emérito na UCLA. Perloff completou sua graduação na Catholic University of America em Washington, obtendo um M.A. em 1956 e um Ph. D (com uma dissertação sobre W.B. Yeats) em 1965. Marjorie ministra cursos e escreve sobre poesia e poética dos séculos XX e XXI, ambas as artes anglo-americanas e de uma perspectiva comparatista, bem como sobre o intermedia e visuais. Ela é professora emérita de Inglês na Universidade de Stanford e Florença R. Scott, e professora emérita de Inglês na Universidade do Sul da Califórnia.

Contra os poetas

Por mais que se diga que a arte é uma espécie de chave, que a arte da poesia consiste precisamente em alcançar uma infinidade de matizes com poucos elementos, tais e parecidos argumentos não ocultam o primordial fenômeno de que com a máquina do verbo poético ocorreu o mesmo que com todas as demais máquinas, pois, em vez de servir a seu dono, se converteu em um fim em si; e, francamente, uma reação contra esse estado de coisas parece ainda mais justificada aqui do que em outros campos porque aqui estamos no terreno do humanismo par excellence.

Sibila, lugares contemporâneos da poesia: Mercedes Roffé

Mercedes Roffé: nascida em Buenos Aires, em 1954, é poeta, tradutora e editora.  Publicou: Poemas (Madri: Síntesis, 1977), El tapiz (com o heterônimo Ferdinand Oziel; Buenos Aires: Tierra Baldía, 1983), Cámara baja (Buenos Aires: Último Reino, 1987; Chile: Cuarto Propio, 1996), La noche y las palabras (Buenos Aires: Bajo la luna llena, 1996; Chile: Cuarto Propio, 1998), Definiciones Mayas (New York: Pen Press, 1999), Antología poética (Caracas: Pequeña Venecia, 2000), Canto errante (Buenos Aires: tsé-tsé, 2002), Memorial de agravios (Córdoba. Alción, 2002), a antologia Milenios caen de su vuelo (Tenerife: Colección Atlántica de Poesía, 2005), La ópera fantasma (Buenos Aires: Bajo la luna, 2005), Las linternas flotantes (Buenos Aires: Bajo la luna, 2009), La interrogación incesante. Entrevistas 1996-2012 (Madrid: Amargord, Colección Once, 2013) e Carcaj: Vislumbres (Madrid/México: Vaso Roto, 2014).

Sibila, lugares contemporâneos da poesia: Iván Humanes

Iván Humanes: Nascido em Barcelona em 1976, licenciou-se em Direito pela UB. Publicou: La memoria del laberinto (Biblioteca CyH, 2005), Malditos. La biblioteca olvidada (Grafein, 2006), 101 coños (Grafein, 2007), La emboscada (InÉditor, 2010) e Los caníbales (Libros del innombrable, 2011), finalista do prêmio Setenil 2012 de melhor livro de relatos publicado na Espanha. Primeiro prêmio no concurso de relatos curtos El Fungible e em Ciudad de Jerez, entre outros.
Participou de obras coletivas como La luz escondida (Libros del Innombrable), PervertiDos (Ediciones Traspiés), Cryptonomikon 6 (Cryptshow Festival) e Náufragos en San Borondón (Ed. Baile del Sol).
Codirigiu o documentário A.T. Cuadernos de tiempo e foi corroteirista do documentário El boxeador (Libros del Innombrable) e roteirista do longametragem Vestigis, dirigido por Iván Morillo.

Vinte e dois anos de silêncio do Patoá do poeta macaense Adé

Há vinte e dois anos, em 24 de março de 1993, falecia em Macau (ex-território português na China) o poeta macaense José dos Santos Ferreira, mais conhecido por Adé. Mestre do Patoá da era moderna, o dialeto de Macau da gente macaense de língua portuguesa.

Para recordar o Adé, leia o histórico da sua vida publicada na Revista Macau, e ouça o poema “Bote Dragám” (Barcos-Dragão) por ele recitado e acompanhe com os versos em patoá e a tradução em português ao lado.

Sermões, a pregação sem medida de Nuno Ramos

No que diz respeito aos processos construtivo e formal, no sentido de uma determinação compositiva, Sermões parece não ter um desígnio preciso. Tudo vai ao modo do acaso, como se o autor levasse um encontrão fortuito e desse episódio surgisse sua pregação sem medida. A forma é insignificante e meramente contingente, isto é, poderia ser diferente, o impulso poderia vir de qualquer lado. Ainda que pareça uma ideia fora do lugar – e para provar o contrário julgo ser oportuno apelar ao domínio das artes visuais de onde vem Nuno Ramos –, eu diria que sua poesia é uma tentativa não muito bem sucedida de transposição do informalismo pictórico para o campo da criação verbal.

Sibila, lugares contemporâneos da poesia: Thérèse Bachand

THÉRÈSE BACHAND, nascida em Oakland, Califórnia, em 1953, é poeta e consultora de política social. Cresceu em uma grande família de sete filhos; seu pai, de origem franco-canadense, foi um advogado e, mais tarde, juiz de direito. Sua mãe, uma professora de escola, manteve laços estreitos com amigos que viviam em um convento nas proximidades. Bachand fez o Cowell College em Santa Cruz, Califórnia, onde estudou com o grande pensador Norman O. Brown. Ela se mudou para Marin em 1975, onde trabalhou primeiro como faxineira, e depois como técnica de continuidade no filme Black Stallion.

Em 1983, Bachand e sua família se mudaram para Los Angeles; seu foco principal era criar as duas filhas. Trabalhou como voluntária em pré-escolas. Em 1996, ela também trabalhou como voluntária no Centro de Artes Literárias da Califórnia chamado Beyond Baroque.