Donde no hay de Eduardo Milán

Foto: Régis Bonvicino

Eduardo Milán (Rivera, Uruguay, 1952) es, probablemente, quien más conoce de poesía latinoamericana y quien más piensa en ella. Sabe adónde nos han llevado la proliferación de adjetivos llorosos, el canto y el desencanto político y las recreaciones didácticas de las vanguardias. La coherencia entre los ensayos en los que denuncia esto y su poesía impide a esta última la manipulación emocional, habitando, entonces, una “nación sostenida en suelo de hundidos” (114). Para Milán hace rato ya que el poema fue y Donde no hay puede leerse como un manifiesto en contra de su pretendida trascendencia. El libro expone que la poesía es lenguaje, y se hace materialmente con él. Esto no es tan obvio como parece, pues en muchos de los poemas de Milán son los sonidos los que llaman, posteriormente, al sentido de las frases. Su propuesta es así contraria a la del poema habitual, que cuenta y luego suena. En el primer texto, por ejemplo, hay un “lugar paria sin par”, despachando la eternidad “para cuando se decía ‘éter’”, “se olía en el aire un óleo” y un “absoluto” (21) que bota el sol, la sílaba sol, la nota sol al verso siguiente, para declarar que la poesía aquí se jugará a ras de piso, sin totalitarismos luminosos. Renuncia, en otro desacuerdo, al poema con principio y conclusión, al poema que refiere miméticamente a lo vivido, proponiendo otra experiencia: la de estas palabras desplegándose incesantemente en la inquietud.

Sibila, lugares contemporâneos da poesia: Jean-Marie Gleize

JEAN-MARIE GLEIZE nasceu em Paris em 1º de abril de 1946. É professor de literatura na Universidade de Aix-en-Provence e na École Normale Supérieure de Lyon, onde também dirigiu o Centro de Estudos Poéticos (1999-2009). Com o conceito “simplificação”, o seu trabalho o leva a pensar, de modo crítico, na década de 1990, acerca da nudez e da literalidade como conceitos de análises poéticas e artísticas. Buscando fazer uma poesia realista, embora reconhecendo a impossibilidade de um resultado puramente objetivo, a sua escrita, aos poucos, se concentra em vários dispositivos, abrangendo notas, inclusão de textos heterogêneos, citação intertextual, referências de filmes e fotografia e apropriação pura e simples de materiais alheios. Além de suas várias publicações, é responsável pela gestão dos Nioques, núcleo no qual se retomam e exploram temas das vanguardas históricas de 1960-1970.

Sibila, lugares contemporâneos da poesia: Yi Sha

YI SHA nasceu em 1966 em Chegdu e mudou-se aos dois anos, junto com a família, para a cidade de Xi’an, na província de Shaanxi, cidade da China Central. Ainda na escola, publicou seus primeiros poemas. Estudou chinês na Universidade Normal de Beijing [Pequim] e tornou-se uma figura conhecida entre os poetas chineses que estudavam na universidade. Trabalhou para revistas literárias, como apresentador de TV, como editor independente, e agora é professor assistente junto à Universidade de Estudos Internacionais de Xi’an. Em 1988 publicou sua primeira coletânea de versos, mimeografada, Rua solitária, mas encontrou um editor oficial para sua próxima coletânea, Que os poetas morram de fome! (1994).

Sibila, lugares contemporâneos da poesia: Fernando Aguiar

FERNANDO AGUIAR nasceu em Lisboa, em 1956. É licenciado em Design de Comunicação pela Escola Superior de Belas Artes de Lisboa e professor de Educação Visual. Poeta, artista plástico e performer, publicou, entre outros, Poemas + ou – Histo(é)ricos (1974), O dedo (1981), Minimal poems (1994), Os olhos que o nosso olhar não vê (1999), Tudo por tudo (2009) e Estratégias do gosto (2011). Organizou, entre outras, as antologias de poesia experimental Poemografias: Perspectivas da Poesia Visual Portuguesa (1985, com Silvestre Pestana), Visuelle Poesie Aus Portugal (1990) Poesia Experimental dels 90 (1994) e Imaginários de Ruptura, Poéticas Experimentais (2002). Exposições individuais: POESI AV ISUAL (Lisboa, 1979), Ensaios para uma Nova Expressão da Escrita (Lisboa, 1983), Palavras Sob Palavra (Torres Vedras, 1984) e O Papel dos Signos (Setúbal, 1992). Tem performances documentadas em Rede de canalização (1987), Recent Actions (1997) e A essência dos sentidos (2001).

Sibila, lugares contemporâneos da poesia: Zhang Er

A poeta sino-americana ZHANG ER nasceu em Beijing, China, e mudou-se para Nova York em 1986. É também médica. Publicou quatro antologias de poesia em chinês, a mais recente Yellow Walls: A String of Doors (2010), além de edições bílingues como So Translating Rivers and Cities (2007) e Verses on Bird (2004). Foi coeditora da importante coletânea de poesia chinesa contemporânea Another Kind of Nation: An Anthology of Contemporary Chinese Poetry (2007). Reside em Olympia, Washington. Leciona atualmente no Evergreen State College, em Washington.

Sibila, lugares contemporâneos da poesia: Alberte Momán

ALBERTE MOMÁN NOVAL nasceu em Ferrol, Galícia, Espanha, em 1976. É engenheiro técnico agrícola e um dos importantes poetas galegos da atualidade, mantendo poeticamente viva uma língua que, através da variação dialetal do galego-português, confunde-se com as origens da própria língua portuguesa – o que fica surpreendentemente claro na entrevista abaixo e em seus poemas. Publicou, entre outros, O lobo da xente (Edicións Positivas, 2003), O alento da musa (Difusora de Letras Artes e Ideas, 2007), Ferrol e o que queda por chover (Lulu.com, 2008).

Sibila, lugares contemporâneos da poesia: Reynaldo Jiménez

REYNALDO JIMÉNEZ nasceu em Lima, Peru, em 1959. Vive em Buenos Aires desde 1963. Poeta, ensaísta, tradutor e editor, publicou, entre outros, os livros de poemas Tatuajes (1981), Eléctrico y despojo (1984), Ruido incidental / El té (1990), 600 puertas (1993) e La curva del eco (1998), O la sien sobre el lodo (Espartaria, 2000), Al paso volador de las perdices (Fundación Enma Egea, Cartagena, Murcia, 2001 – VII Premio de poesía ENMA EGEA de Cartagena 2001), Paisajes sobre el agua (Agua Clara, Alicante, 2003 – VII Premio TARDOR de poesía de Castellón 2002) [..]

Sibila, lugares contemporâneos da poesia: Paula Claire

PAULA CLAIRE é uma conhecida e reconhecida poeta experimental inglesa contemporânea. Começou a escrever poesia em 1961, recém-graduada na University College, Londres. Há mais de 25 anos, integra com Bob Cobbing o duo Koncrete Canticle. Publicou, entre outros, Mobile poems (Oxford 1968); Declarations, Poems 1961-91 (I.C.P.A. No 30, 1991); (Cat No 379) DI-VERS-ITY Poems 1991-2001 (I.S.V.P.A. No 37, 2001). WORDSWORKWONDERS (Selected Poems 1961-2010). Tornou-se “Fellow” da Royal Society of Arts em 2003.

Assassinato e tortura na era Vargas

Assassinatos com motivação política não foram raros durante a ditadura do Estado Novo (1937-1945). O caso mais gritante foi o fuzilamento de oito participantes do assalto ao Palácio Guanabara em 1938, organizado por militares e militantes da Ação Integralista Brasileira. Os oito tinham sido capturados e desarmados quando foram mortos nos fundos do palácio, como admitiu em suas memórias o general Góis Monteiro (1889-1956). Não houve qualquer investigação sobre o crime. Há referências a assassinatos nas revoltas comunistas de Natal e Recife em 1935 e nas delegacias de polícia, sobretudo na sede da Polícia Central, na Rua da Relação, na então capital da República, e nas casas de Detenção e Correção.

Poesia latino-americana e brasileira agora

A falha não corresponde aos poetas – na medida em que não podem ser avaliados pelo que não fazem – a falha é responsabilidade de uma crítica corrupta que medra com seus instrumentos colocados a serviço de uma ordem imóvel – imóvel porque as alternativas ao poder possuem a mesma noção cultural da ordem dominante – uma crítica cuja degradação a tornou paradoxal: uma crítica que não é crítica. A situação não é igual em toda a América Latina. No México este desgaste é notavelmente marcado, não assim na Argentina ou no Brasil, para dar exemplos claros. O que preocupa não é o colapso conjuntural do pensamento.