César Vallejo en español selvagem y portunhol trasatlántico

Se investiga la actual poesía de la región y se perciben dos ejes particularmente presentes y activos; los cuales, además, subterráneamente se tocan. Nos referimos a aquélla en “portunhol selvagem” (Douglas Diegues y otros), en el Cono Sur; y una poesía que podríamos denominar “opaca” (Éduard Glissant), que tiene al español como su traductor o mediador cultural (Julio Ortega) –presente de José María Arguedas a César Calvo– y, no menos, a la obra de César Vallejo –en particular Trilce (1922)– como su explícito o implícito paradigma.

O novo livro de Júlio Castañon Guimarães

O poeta mineiro Júlio Castañon Guimarães, 66 anos, vem construindo, já há bastante tempo, uma obra sólida que inclui não só livros de poemas, mas também de ensaios (estudos sobre Murilo Mendes e Bandeira, por ex.) e de traduções (de Mallarmé e Valéry, entre outros). Sua última publicação é uma cuidada plaquete tipográfico-artesanal com um poema longo: “Em viagem – uns estudos” (BH, Tipografia do Zé, 2017) – com 250 exemplares.

O telefone de Avital Ronell

A transformação de livro filosófico em palco operante de linguagens, capazes de atravessar um domínio disciplinar específico, logo desponta em The Telephone Book, de Avital Ronell. Por conta mesmo da performatividade em torno de constructos inseparáveis do desempenho e da instrumentação de traços gnosiológicos assim como de enunciados, que se acionam na órbita da logofonia (exemplificável no dispositivo-chave concentrado pelo aparelho telefônico). Todo um capítulo anterior de implicações com o desconstrucionismo derrideano nos Estados Unidos, no qual Avital Ronell se insere – a princípio, atuando como tradutora e hostess das visitas do pensador francês em suas estadas anuais na New York University –, pode ser traçado, de modo a definir seu surgimento como filósofa. O ensaio de Derrida centrado sobre James Joyce – Ulysse gramofone (1987), datado dois anos antes de The Telephone Book –, expõe, por um lado uma nítida fonte das ramificações entre pensamento e repertório tecnomaquínico no itinerário de Avital Ronell. Apresenta-se, em outro extremo.

JOYCE SEGUNDO UMBERTO ECO

Apesar de ser um grande apologista do close reading dos textos literários para a descoberta da obra em si, tal como preconizavam os Formalistas Russos, no caso de Joyce (1882-1941) Umberto Eco abre-se para a imanência e diz textualmente: “Em Joyce, para se compreender o desenvolvimento de sua poética, é necessário remontar continuamente ao seu desenvolvimento espiritual

Depoimento de Serge Pey

Serge Pey acaba de receber o Grand Prix National de Poésie 2017 na França. Pey nasceu em 1950 em uma família de classe trabalhadora no bairro de Hers em Toulouse. Filhos de imigrantes da Guerra Civil Espanhola, sua adolescência foi marcada pela luta contra o General Franco. Ativista igualmente contra a Guerra do Vietnã, ele participou dos movimentos de maio e junho 1968 em Paris. Ao lado de seu compromisso político, ele, ainda jovem, se tornou poeta, interessando-se por Lorca, Whitman, Antonio Machado, Machado, Rimbaud, Baudelaire, Villon, Yannis Ritsos Alfred Jarry, Tristan Tzara, trovadores provençais, Antonin Artaud, poemas xamânicas, visuais e dadaístas. No início dos anos 1970, Serge Pey inaugura o que denomina “poesia da ação”, experimentando múltiplas formas e valorizando sobretudo a oralidade. Pey é um nômade e, em sua editora, Edições da Tribo, uma cooperativa, publicou autores como Bernard Manciet, Jean-Luc Parant, Gaston Puel, Rafaël Alberti, Dominique, Pham Cong Thien, o sexto Dalai Lama, Allen Ginsberg, Ernesto Cardenal.

A neovanguarda italiana dos anos 1960

Toda a vanguarda declara ruptura formal com os esquemas artísticos anteriores. Apresenta-se como portadora do poder de destruição do consenso formal que, em dado momento, define o que merece o nome de arte. Ora, o que é admirável é que, ao longo do século, o que está em jogo nessa ruptura permanece sem variar.

UMA TRAGÉDIA NÃO NEGRA

No filme Crimes and Misdemeanors (1989), escrito e dirigido por Woody Allen, há uma cena em que o personagem Lester – um bem-sucedido e pernóstico produtor de cinema e televisão, interpretado por Alan Alda – sintetiza, em resposta a uma pergunta que um jovem lhe dirige, sua teoria sobre a comédia. Lester narra que um aluno, durante aula em Harvard, lhe propõe a seguinte indagação: “Whats’s comedy?”. Sua resposta: “Comedy is tragedy plus time”. Lester argumenta que só com o passar do tempo é que se pode desentranhar a comédia, o riso, de eventos ou situações trágicas.Qual a razão de começar esse texto sobre a “tragédia carioca” do poeta Vinicius de Moraes com a lembrança dessa passagem fílmica? Ora, não se trata aqui, obviamente, de promover a gargalhada com relação ao Orfeu da Conceição[2], mas antes, de reconsiderar, tirando vantagem do tempo transcorrido desde sua criação e de sua primeira encenação, alguns aspectos contidos na peça de Vinicius de Moraes que, hoje – e a partir de uma suspeição não digo.

Redescobrindo Hilda Siri

A memória, como é sabido, é uma instância fundamental para a aquisição do conhecimento: não só como receptáculo na origem do mesmo, quando as sensações estimuladas pelo mundo exterior, após transformadas em imagens, são recebidas e armazenadas no cérebro, mas também como arquivo, onde o conhecimento é retido e mantido sob formas maleáveis.

Sibila, lugares contemporâneos da poesia: Guillermo Parra

Guillermo Parra sempre esteve entre o inglês e o espanhol, entre os Estados Unidos e a Venezuela. Nascido em Cambridge, em 1970, de pai venezuelano e mãe norte-americana, seus primeiros anos de vida transcorreram em uma eterna mudança entre países, forjando para si mesmo um gosto literário ambidestro que cristalizou em seus estudos de literatura. Com seu blog Venepoetics (http://venepoetics.blogspot.com), ele se dá a conhecer na órbita letrada nacional: uma iniciativa sem igual na promoção literária venezuelana que desde 2003 abre aos leitores falantes de inglês as portas não só de poetas consagrados como José Antonio Ramos Sucre, mas também de vozes jovens e de iniciativas críticas locais, através de traduções de seu próprio punho e letra.

DA MÚSICA OVO-PODRE E DA POESIA ZUMBI

A PBC (poesia brasileira contemporânea), assim como a MPB (música popular brasileira, para quem não se lembra), morreu. Quem constatou a morte da segunda não fui eu, mas Chico Buarque de Hollanda, que declarou, explicitamente: “A canção morreu” (e a canção era o gênero musical por excelência da MPB).