Sibila, lugares contemporâneos da poesia: Daniel Freidemberg

Dos anos 1970 a 80, integrou o Partido Comunista. Trabalhou como operário em fábricas, estudou Psicologia e Teatro. Em 1970, fundou a oficina literária Mario Jorge De Lellis, na Sociedad Argentina de Escritores, que passou a funcionar na Sociedad Argentina de Artistas Plásticos, a Galería Meridiana e a Casa Latinoamericana.
Em 1972, publicou Los que siguen, con Lucina Alvarez, Guillermo Boido, Guillermo Martínez Yantorno, Armando Najmanovich, Rubén Reches, Jorge Ricardo Aulicino e Manuel Ruano (Ediciones Noé). Integrou o grupo fundador da revista literária El Juguete Rabioso, dirigida por Jorge Aulicino e da qual foi editor. E em 1986 foi do grupo fundador da revista Diario de Poesía, tendo participado de seu conselho editorial até 2005. Dirige a coleção de poesia Musarisca, do Editorial Colihue (Buenos Aires).
Obra poética: Blues del que vuelve solo a casa, Buenos Aires, El Escarabajo de Oro, 1973; Diario en la crisis, Buenos Aires, Libros de Tierra Firme, 1986, 2ª edición: 1990;

A ÁSPERA BELEZA
DA POESIA QUE RENOVOU O MODERNISMO BRASILEIRO

A poeta paulista Orides Fontela (1940-1998) surgiu na cena literária brasileira da segunda metade do século XX por meio de alguns dos nomes mais influentes das críticas literária e acadêmica (a começar de Antonio Candido). E se revelaria, afinal, a poeta mais importante de sua geração, que reúne autores mais conhecidos, ou menos desconhecidos, como Hilda Hilst, Adélia Prado, Roberto Piva e Paulo Leminski. Entender os motivos da dissintonia entre sua importância e seu reconhecimento pode revelar algo ou muita coisa sobre o estado da poesia brasileira contemporânea, sua recepção pública e sua crítica.
Quando descoberta por Davi Arrigucci Jr. através de um poema publicado no jornal de sua cidade, São João da Boa Vista, em 1965 (o que pouco depois resultaria em seu primeiro livro, Transposição, coorganizado por ele), Orides Fontela, sem o saber, e à mais completa revelia de seus 25 anos, estava ou foi posta no centro do embate mais duro travado nas letras brasileiras desde as primeiras reações e rejeições ao Modernismo de 22.

Perspectivas da crítica literária hoje

Estudar literatura hoje é algo estranho; deveria ser a coisa mais fácil, e, no entanto, é o troço mais complicado. Deveria ser a coisa mais fácil, porque o que é necessário é pouco, e está disponível. Para estudar literatura direito você só precisa de quatro componentes básicos: livros, tempo, boca e ouvido. Idealmente, a coisa funcionaria da seguinte maneira: a pessoa lê uma diversidade de textos, simplesmente por curiosidade, porque são interessantes e dão prazer;

Sibila, lugares contemporâneos da poesia: Pascal Poyet

Pascal Poyet nasceu em Rive-de-Gier em 1970. Cursou a escola de Belas Artes de Grenoble. Desde 1998, codirige com Goria as edições Contrat maint (mais de setenta títulos disponíveis), que publicam textos de artistas e de poetas contemporâneos, ensaios, traduções, em obras curtas cuja forma, inspirada na literatura de cordel brasileira, traduz uma utopia de pensamento e de ação.

Bibliografia: L’Entraînement, com Goria, contrat maint, 1998; Compadrio, com Jean Stern, contrat maint, 1998; Abigail Child, Climat / Plus, Format Américain, 1999; Charles Olson, Commencements, ouvrage collectif, Théâtre Typographique, 2000; L’Embarras, Patin & Couffin, 2000; Principes d’équivalences, Fidel Anthelme X, 2001; Expédients, La Chambre, 2002; Peter Gizzi, Revival, cipM / Spectres Familiers, 2003; Au compère, Le bleu du ciel, 2005; David Antin, je n’ai jamais su quelle heure il était, Héros-Limite, 2008; Trois textes cinq définitions, avec Goria, lnk, 2010; Draguer l’évidence, Éric Pesty éditeur, 2011;

A poética das redes sociais

A Poesia tomou sua forma no interior das Tradições. Agora, as Redes têm, praticamente, substituído as Tradições. As Tradições se formaram entre os Vivos e os Mortos. As Redes se formam entre os Vivos. A ausência dos mortos confere às Redes qualidades que não são deste mundo. Escrever nas Redes é diferente de escrever nas Tradições. Essa distinção é crucial.

A musa falida

A questão mais direta seria: há uma literatura comprometida com o novo que esteja sendo produzida na e pela internet? Se há, ainda não ganhou evidência no meio dos que não conhecem muito profundamente o meio. A literatura que mais aparece na internet é a mesma que mais aparece em qualquer suporte tradicional: literatura rala, sem grande exigência de invenção, e sem qualquer exploração experimental de seu próprio suporte

A vida depois do Buda punk

Se Disney proibiu o selfie-stick é porque interpunha demasiada distância entre o eu e o eu. Para que o sistema se clone, o eu não deve colocar distância alguma entre o Vil Eu e o Vil Eu. Qualquer distância ameaça tornar-se crítica.

Esta época consiste em ocultar as verdades de Buda. Mesmo que o Budismo seja o ponto alto do pensamento terrícola, queremos alegar que esta flecha nunca nos feriu.

A literatura contemporânea é um passeio por parques de diversões. Nas literaturas experimentais, gringos veteranos como Burroughs e Acker já não seriam possíveis hoje em dia. O punk já está proibido. Ser escritor na Era Facebook significa Portar-se Bem: Like! Like! Like!

Quase tudo o que tem a ver com Milênio é detestável: foi desenhado pelas mídias. A tudo o que acontece reagem com uma referência ao mundo do espetáculo. Cada coisa que acontece no mundo lembra-lhes um filme ou um vídeo.

Os encontros literários

Proponho que suspendamos definitivamente os encontros literários. Os encontros literários são nefastos por todos os ângulos que se analise; são eventos que dão lucro, como já se disse, às empresas e aos organizadores e que servem de consolo vazio a poetas e romancistas. É melhor encontrar outras soluções para a poesia e para a literatura.