Além do muro

Beyond the wall (Além do muro) traz poemas dos três mais recentes livros de Régis Bonvicino: Estado crítico (2013, Hedra), Página órfã (2007, Martins Fontes) e Remorso do cosmos (2003, Ateliê Editorial). Os poemas foram traduzidos ao longo nos últimos 15 anos para publicação em revistas e para leituras do poeta nos Estados Unidos. O livro estampa cerca de 60 poemas. Este é o segundo selected poems de Bonvicino publicado nos EUA – o primeiro, Sky-eclipse (2000), editado também pela Green Integer, dava conta de um período anterior de sua obra. Os dois principais tradutores são Charles Bernstein e Odile Cisneros. Charles Bernstein é um dos grandes poetas e também um dos grandes críticos e teóricos de poesia dos Estados Unidos, com alcance mundial.

Sibila, lugares contemporâneos da poesia: Raúl Zurita

Raúl Zurita é um poeta nascido em Santiago do Chile em 1950. Apesar de sua nacionalidade, a Itália é país significativo em sua vida, partindo de sua ascendência italiana pelo lado materno. Aprendeu italiano e espanhol simultaneamente, e a literatura de Dante Alighieri foi a primeira a impactar em sua sensibilidade artística. Teve uma infância difícil, porque pobre e órfão de pai logo ao nascer. Sua avó, que cuidou de sua criação, odiava o solo chileno e seus compatriotas italianos, que triunfavam enquanto ela enfrentava a miséria.

Luiz Norões

Luiz Norões realizou, na segunda metade dos anos 1970 e durante a década seguinte, um conjunto de litografias. Esse conjunto de 27 trabalhos é singular no tempo e no espaço de sua ocorrência e por suas propriedades, ou algumas de suas realizações. Não sendo possível datar a execução das gravuras, algumas percepções ficam perdidas, mas é possível que elas não impeçam, em última análise, considerações ou questões que as imagens suscitam.

Um lugar sob o sol do além

Há algum tempo, escrevi um pequeno texto de apresentação na revista Cult sobre o filósofo e crítico russo-alemão Boris Groys (1947), pouco conhecido no Brasil. Como o tenho lido com muito interesse, pensei em estender a apresentação de seu pensamento aqui no seminário de psicanálise. Posso garantir que é dos mais originais entre a gente que, por ora, vive. A piada vai ficar clara mais adiante. Não por acaso Groys foi escolhido para escrever o catálogo da exposição The Air is on Fire, composta de desenhos, fotografias, pinturas e animações de David Lynch, exibida na Fondation Cartier pour l’art contemporain, em Paris, de 3 de março a 27 de maio de 2007.

A FALANGE DE MÁSCARAS DE WALY SALOMÃO

Me segura qu’eu vou dar um troço devia, segundo Waly Salomão, ser lido com olho-míssil e não com olho-fóssil. Seguindo essa indicação, tentei iluminá-lo através dos seus livros posteriores e vice-versa. A consideração sincrônica da obra de Waly pareceu-me revelar, por trás de uma fragmentariedade ostensiva, uma identidade fundamental de preocupações: se bem que, como se verá, uma identidade na antiidentidade. Aos meus olhos, essa descoberta pareceu confirmar o acerto da abordagem inicial.
Me segura qu’eu vou dar um troço (que doravante chamarei Me segura) foi publicado em 1972. Nos anos seguintes, Waly relatou muitas vezes as circunstâncias que ocasionaram a sua escritura. Em 1996, por exemplo.

A poesia na “era digital”

O artista norte-americano Kenneth Goldsmith publicou agora em 2016, no Brasil, a obra trânsito*. O livro é uma versão em português de Traffic, lançado em 2007 nos Estados Unidos, dublada agora, no caso, por dois jovens poetas, que ainda sondam um caminho mais próprio. Uso o termo “dublado”, pois foi assim que o livro foi exposto no papel por seus tradutores. Também em sua apresentação, na internet, lê-se que o trabalho é composto “de textos que transcrevem os engarrafamentos transmitidos por uma rádio de trânsito em São Paulo na véspera de um final de semana prolongado”, acrescentando-se que “a versão brasileira dublou o mecanismo do original, chegando a um texto que, entre o ready-made e a crônica, transforma o material descartável das ondas de rádio em livro”.

A Poesia Viva de Paulo Bruscky

Nesse sentido, a influência de alguns mentores do poema/processo, como Wlademir Dias Pino e Moacy Cirne, é notável na produção de Paulo Bruscky, que compactua a noção de participação do público e transformação inerente a uma poética que não se encerra em si mesma nem no pé da página, mas sim em uma ideia, um conceito.

Ladrões de Bicicleta (Ladri di Biciclette)

Eixo temático: O desenvolvimento da técnica na sociedade do capital tende a aparecer como desenvolvimento tecnológico, com objetos complexos assumindo formas estranhadas, que sob certas circunstâncias sócio-históricas podem assumir alto potencial destrutivo. Na medida em que se amplia, o fetichismo da mercadoria imprime sua marca indelével na sociabilidade humana, constituindo formas complexas de fetichismo social, criando a aparência de uma tecnologia onipotente e malévola.
O fetiche da técnica através dos objetos tecnológicos tende a ocultar a verdadeira dominação do capital como relação social a serviço da reprodução hermafrodita da riqueza abstrata. Na medida em que a tecnologia assume novas formas materiais, instaurando novas técnicas de virtualização de base bioinformática de intenso cariz manipulatório, tal fetichismo da técnica alcança maior intensidade e amplitude, principalmente no plano do imaginário social.

Quem foi R. D. Laing

Ronald David Laing, ou R.D.Laing foi um psiquiatra e psicoterapeuta escocês que se tornou famoso pela sua abordagem anticonvencional da psiquiatria, sobretudo no tratamento de pacientes esquizofrênicos. Ele nasceu em Glasgow em 1927, estudou medicina na Universidade de Glasgow, serviu como psiquiatra no exército britânico no início dos anos 1950, e posteriormente se mudou para Londres, onde fez sua formação na Tavistock Clinic.