Livro de Marcelo Tápia

Bem escolhido  o título dessa reunião, com algumas alterações, dos seis livros de  poemas de Marcelo Tápia,  ultimamente publicada pela Editora Perspectiva. Em geral os poetas gostam que suas obras sejam lidas cronologicamente, e os leitores também — isso dá-lhes o gosto de acompanhar a marcha da poética do autor. Embora na Introdução os poemas […]

O POEMA APOKRIF, DE JÁNOS PILINSZKY

János Pilinszky foi um poeta e dramaturgo húngaro que viveu entre 1921 e 1981.  Tive a imensa sorte de conhecer sua obra, há alguns anos, por intermédio de György Molnar, um amigo de Budapeste que pacientemente também me introduziu nas imensas poesias de János Arany e Petöfi  Sándor. Com 92 anos, Molnar é minha principal […]

Nocaute: 6 poetas / Cuba / hoje

Há poetas que ganham por pontos e poetas que ganham por nocaute. Há poetas passivos que esperam que uma correnteza os carregue e outros que fazem barulho e estardalhaço em meio à mais presunçosa delas. Como uma guerra relâmpago (Blitzkrieg), queremos colocar no Brasil a poesia cubana de hoje. Uma poesia que não entedia, porque fala a linguagem dos livros e do povo. Nocaute – porque não deixamos o desfecho da luta na mão dos árbitros corruptos do curral literário: os que te tiram da briga para entregá-la a alguém tão débil quanto eles. Em Cuba, sabemos que os boxeadores às vezes têm que cair de revés, contando até mil.

Kafka, filósofo do direito

Nossas leis não são universalmente conhecidas, são segredo do pequeno grupo de nobres que nos domina. Estamos convencidos de que essas velhas leis são observadas com exatidão, mas é extremamente penoso ser governado segundo leis que não se conhecem. Não penso neste caso nas diferentes possibilidades de interpretá-las nem nas desvantagens que há quando apenas indivíduos e não o povo inteiro podem participar da sua interpretação. Talvez essas desvantagens não sejam tão grandes assim. As leis são de fato muito antigas, séculos trabalharam na sua exegese, certamente até essa interpretação já se tornou lei, na verdade continuam a existir as liberdades possíveis no ato de interpretar, mas elas são muito limitadas. Além do mais é evidente que a nobreza não têm motivo algum, na interpretação, para se deixar influenciar pelo interesse pessoal em detrimento do nosso, pois as leis foram desde o início assentadas para os nobres, a nobreza está fora da lei e precisamente por isso a lei parece ter sido posta com exclusividade nas mãos da nobreza. Naturalmente existe sabedoria nisso – quem duvida da sabedoria das velhas leis? –, mas é também um tormento para nós, provavelmente algo inevitável.

ARTE BRASILEIRA EM LOS ANGELES

A mostra da Hauser & Wirth toma como base obras do brilhante pintor, fotógrafo e designer brasileiro Geraldo de Barros (1923-1998). Também associado ao movimento de arte concreta, Barros criou suas próprias imagens na pintura, colagem e fotografia, trazendo meios desconstrutivistas, incluindo obras nas quais “o efêmero, o fragmento, o tempo, o descontínuo e a ação, ao mesmo tempo, estão presentes”.

Lançamentos Solange Rebuzzi

Assis de Francisco Francisco de Assis O livro é fruto de uma viagem a Assis, realizada em 2016, e de leituras reflexivas em textos de historiadores que escreveram se debruçando sobre a vida de Francisco de Assis. E o pequenino livro Movimentos (na coleção Megamíni da editora)

Poemas

aquí se esculpe con los ojos oídos ojalá las imágenes se basten a sí mismas pero lo que dicen es y debe ser otra cosa del dueño amando hasta el olor de los billetes se los refriega por la trompa y los párpados como un artista las teorías en boga nada malo si mantuviera los […]

Beyond the wall

Beyond the wall (Além do muro), segundo selected poems de Régis Bonvicino publicado nos Estados Unidos – o primeiro foi Sky-eclipse, em 2000 – pela mesma Green Integer, em edição bilíngue, testemunha um trabalho de arqueologia poética centrada sobre os resíduos tóxicos do capitalismo terminal. Pois se mostra observável nos poemas o foco na condição de lixo em que as grifes e as referências culturais contemporâneas acabam por se situar. O filósofo Emil Cioran comparou a atividade escritural, numa de suas notas sobre Beckett, à obstinação daquele que, no budismo, busca a iluminação – como “o rato que rói um caixão”: “Todo escritor verdadeiro faz um esforço semelhante. É um destruidor que amplia a existência, que a enriquece minando-a”. Assim, o teor dramático da escrita de RB, em relação metonímica com a figura do poeta atravessando as ruas da cidade em decomposição, pode ser observado no poema “Caminho de hamster”: “Fedendo a cigarro e a mim mesmo/ cruzo uma avenida/ ao anoitecer/ sirenes, carros (…) fedendo como aquela maçã podre/ fedendo a música estúpida/ desses tempos.