Vanguardismo ou passadismo?

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Desde o final do século XIX, intelectuais brasileiros mantiveram uma intensa relação com aquilo que acontecia nos grandes centros europeus. Não eram incomuns as viagens de artistas brasileiros para países como França e Itália, em especial aqueles de alguma forma ligados ao mundo das artes visuais. Existiam, ainda que operando de modo pouco burocratizado e racionalizado, bolsas que financiavam a permanência de artistas em formação na Europa, a fim de lhes garantirem aprendizado técnico e contato com as tendências estéticas ora em vigor no Velho Mundo.

Criticalidade e vertigem: uma entrevista de Régis Bonvicino

Sibila foi criada para ampliar um diálogo com poetas do Brasil e do mundo inteiro, não apenas do Brasil; para se ter um ponto de vista internacional, para formar uma comunidade que pudesse compartilhar ideias como a de alguma inovação – mas uma inovação contemporânea, não passada, não saudosista. E também para focar em uma questão importante, que parece haver sido abandonada pelo mundo afora, mas que é uma parte que conta muito na literatura: a crítica literária. Dessa forma, Sibila tenta ser livre, na medida em que pensa e permite pensar, e ela concebe um tipo de poesia forte e independente. Ao mesmo tempo, eu sinto que nisso estamos de certa forma sozinhos… um tipo de solidão que partilhamos com amigos locais e amigos internacionais… Mas eu gosto do projeto, um projeto que está sempre aberto a transformações. Já desde uns cinco, seis anos atrás, o objetivo principal tem sido o da crítica, em relação à poesia, em relação à produção de poesia… crítica independente… não há arte sem espírito crítico. Eu poderia passar dias falando sobre a Sibila, que está hoje entre os maiores arquivos digitais de poesia da América Latina, sem verbas estatais, bolsas, apoios públicos, ou universitários. Ainda bem que é assim.

O conto popular ancestral na Rússia e no sertão

Quanto às histórias brasileiras semelhantes àquela que se desenrola na tela, Jerusa assinala que elas perfazem um esquema semelhante ao do trovador Kerib. Basta lembrar que a peregrinação do trovador Kerib “é a do herói em caminho, em serviço amoroso e busca de riqueza, mas é também a do religioso à procura de unidade, integração e compatibilidade do sagrado e do profano” (p. 188). Nos contos populares brasileiros, sobretudo do Nordeste, destaca-se a figura do herói pobre: “vaqueiros, boiadeiros, jardineiros e mesmo heróis sem profissão, que se apaixonam pela filha do poderoso fazendeiro ou ‘coronel’ de terras”. Em razão do amor proibido, esse “herói” é expulso e se autoexila para enriquecer. Passa a peregrinar e, depois de vencer todos os obstáculos, volta à sua terra natal.

O sol também se levanta

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Sibila, lugares contemporâneos da poesia: Rery Maldonado

RERY MALDONADO nasceu em Tarija (Bolívia) em 1976. Desde 1997 vive em Berlim, onde trabalha como tradutora, autora e desenvolve projetos culturais. Publicou Los superdemokraticos, eine politische literarische Theorie (Verbrecher Verlag, 2011) com Nikola Richter, La república en el espejo (Montevideo, La Propia Cartonera, 2011) e Andar por casa (Buenos Aires, Eloísa Cartonera, 2007, e La Paz, Yerba Mala Cartonera, 2009). Com o grupo Los Superdemokraticos, realizou uma turnê de leituras por alguns países da América Latina (Goethe Institut) e pela Hungria (Universidad de Debrezen) em 2011. Participou do “Poesiefestival Berlin 2011”, “Latinale, festival de poesía latinoamericana de Berlín” (2008, 2009, 2010 e 2013) e do “Der ekart över havet” em Malmö, Suécia, em 2010.

Sibila, lugares contemporâneos da poesia: Cristino Bogado

CRISTINO BOGADO nasceu em Assunção, em 1967. Publicou: Plágio inconsciente de Leopoldo, editado na Espanha em 2014; Contra o futebol e outros nihilpoemas, em 2013; Dandy com vertigem, em 2004; Desperezamiento Punk, em 2007; Suco Loco, Last poesia paraguaia 1996-2007, em 2007; Dandy Maká Ut, em 2008; Eros. Feminino Erotika parawayensis Poesia, em 2009; Tatu ro’o metafísico (xapoesía em poro’unhol) em 2008; Quase Parawayo, em 2009; Amor KARAIVA, em 2010, entre outros livros. Publicou também poemas e ensaios em revistas chilenas como Bilis e Mar com Soroche, mexicanas como Orientação e Metropolis, peruanas como Pen Pelicano, espanholas como La Caja Stores (fanzine) e Daimon, laissezaller e La Migra na Argentina.

Sibila, lugares contemporâneos da poesia: Charles Bernstein

O poeta e professor CHARLES BERNSTEIN, nascido em 1950 em Nova Iorque, onde vive, é uma das principais forças das letras norte-americanas. Autor de vários livros de poesia e de crítica literária, é o co-fundador e co-editor de PennSound, o maior arquivo de leituras de poetas do mundo todo e do pioneiro Electronic Poetry Center. No Brasil, publicou o livro Histórias da guerra em 2008. Para ele, “a poesia é alguma coisa em longo prazo”. Nome de alcance mundial, ele afirma que o melhor suporte para sua poesia é o diálogo: “Tenho tido a sorte, desde quase o primeiro momento, de contar com bons companheiros”.

Sibila, lugares contemporâneos da poesia: Tina Quintana

AGUSTINA QUINTANA nasceu em 1994, em La Falda, Argentina. É uma das participantes da antologia Cuentos de grandes pequeños a los trece años. Viveu por uns tempos na selva panamenha, onde escreveu uma novela sobre um falso pastor e a crise argentina de 2001. Mora em Buenos Aires, onde estuda Filologia. Escreve desde os seis anos.

A língua portuguesa e o domínio das culturas anglo-saxônicas

HELDER MALTA MACEDO (Krugersdorp, África do Sul, 30 de novembro de 1935) é um poeta, romancista, ensaísta, crítico e investigador literário, português. A sua obra ficcional, dentre a qual se destaca o romance PartesdeÁfrica (1991), no qual o autor usa técnicas narrativas para revelar as ficções da memória, expondo a fronteira entre o fato e a invenção, é considerada uma das mais originais da literatura portuguesa contemporânea. Opositor ao regime salazarista e como tal censurado, perseguido e preso, acabou por exilar-se em Londres onde, entre 1960 e 1971, foi colaborador regular da BBC. Licenciou-se em Literatura e História, apresentando como tese de licenciatura um estudo sobre Bernardim Ribeiro, e doutorou-se em Letras em 1974 na Universidade de Londres, onde lecionava desde 1971 no King’s College, com a tese intitulada “Nós – uma leitura de Cesário Verde”, livro de excelência e referência sobre o poeta até hoje. Nesta entrevista Macedo fala sobre a língua portuguesa no mundo.