Lançamentos Solange Rebuzzi

Assis de Francisco Francisco de Assis O livro é fruto de uma viagem a Assis, realizada em 2016, e de leituras reflexivas em textos de historiadores que escreveram se debruçando sobre a vida de Francisco de Assis. E o pequenino livro Movimentos (na coleção Megamíni da editora)

Poemas

aquí se esculpe con los ojos oídos ojalá las imágenes se basten a sí mismas pero lo que dicen es y debe ser otra cosa del dueño amando hasta el olor de los billetes se los refriega por la trompa y los párpados como un artista las teorías en boga nada malo si mantuviera los […]

Beyond the wall

Beyond the wall (Além do muro), segundo selected poems de Régis Bonvicino publicado nos Estados Unidos – o primeiro foi Sky-eclipse, em 2000 – pela mesma Green Integer, em edição bilíngue, testemunha um trabalho de arqueologia poética centrada sobre os resíduos tóxicos do capitalismo terminal. Pois se mostra observável nos poemas o foco na condição de lixo em que as grifes e as referências culturais contemporâneas acabam por se situar. O filósofo Emil Cioran comparou a atividade escritural, numa de suas notas sobre Beckett, à obstinação daquele que, no budismo, busca a iluminação – como “o rato que rói um caixão”: “Todo escritor verdadeiro faz um esforço semelhante. É um destruidor que amplia a existência, que a enriquece minando-a”. Assim, o teor dramático da escrita de RB, em relação metonímica com a figura do poeta atravessando as ruas da cidade em decomposição, pode ser observado no poema “Caminho de hamster”: “Fedendo a cigarro e a mim mesmo/ cruzo uma avenida/ ao anoitecer/ sirenes, carros (…) fedendo como aquela maçã podre/ fedendo a música estúpida/ desses tempos.

Flagelos do Senhor

Faltavam oito para o meio-dia quando Andrei terminou sua vida autêntica e começou a falsa — ele marcou esse fato com precisão. Ele começou a vida falsa com a preparação do desjejum. Dirigiu-se à cozinha comunal coberta de fuligem onde havia mesinhas individuais na mesma quantidade das famílias de inquilinos, colocou sobre o fogão a frigideira da senhoria, derramou alguns ovos na gordura endurecida de frituras anteriores e, atento ao chiar dos ovos, pensou em como poderia aproveitar seu dia, sem que perdesse e depreciasse o que havia acabado de descobrir. Se ficasse sozinho, significaria passar um dia cerebral, orientado para uma direção, concentrado num único ponto, o que fatalmente o levaria a dúvidas e poderia anular seu achado. Já se ele encontrasse pessoas com suas ninharias cotidianas, significaria comparar continuamente sua descoberta secreta com as trivialidades que aconteciam em volta e, como resultado, deixaria uma má impressão de si e ainda defrontaria seu pensamento ainda frágil com algo já estabelecido, palpável e sólido, o que, de novo, reduziria e empalideceria seu achado.

César Vallejo en español selvagem y portunhol trasatlántico

Se investiga la actual poesía de la región y se perciben dos ejes particularmente presentes y activos; los cuales, además, subterráneamente se tocan. Nos referimos a aquélla en “portunhol selvagem” (Douglas Diegues y otros), en el Cono Sur; y una poesía que podríamos denominar “opaca” (Éduard Glissant), que tiene al español como su traductor o mediador cultural (Julio Ortega) –presente de José María Arguedas a César Calvo– y, no menos, a la obra de César Vallejo –en particular Trilce (1922)– como su explícito o implícito paradigma.

O novo livro de Júlio Castañon Guimarães

O poeta mineiro Júlio Castañon Guimarães, 66 anos, vem construindo, já há bastante tempo, uma obra sólida que inclui não só livros de poemas, mas também de ensaios (estudos sobre Murilo Mendes e Bandeira, por ex.) e de traduções (de Mallarmé e Valéry, entre outros). Sua última publicação é uma cuidada plaquete tipográfico-artesanal com um poema longo: “Em viagem – uns estudos” (BH, Tipografia do Zé, 2017) – com 250 exemplares.

O telefone de Avital Ronell

A transformação de livro filosófico em palco operante de linguagens, capazes de atravessar um domínio disciplinar específico, logo desponta em The Telephone Book, de Avital Ronell. Por conta mesmo da performatividade em torno de constructos inseparáveis do desempenho e da instrumentação de traços gnosiológicos assim como de enunciados, que se acionam na órbita da logofonia (exemplificável no dispositivo-chave concentrado pelo aparelho telefônico). Todo um capítulo anterior de implicações com o desconstrucionismo derrideano nos Estados Unidos, no qual Avital Ronell se insere – a princípio, atuando como tradutora e hostess das visitas do pensador francês em suas estadas anuais na New York University –, pode ser traçado, de modo a definir seu surgimento como filósofa. O ensaio de Derrida centrado sobre James Joyce – Ulysse gramofone (1987), datado dois anos antes de The Telephone Book –, expõe, por um lado uma nítida fonte das ramificações entre pensamento e repertório tecnomaquínico no itinerário de Avital Ronell. Apresenta-se, em outro extremo.

JOYCE SEGUNDO UMBERTO ECO

Apesar de ser um grande apologista do close reading dos textos literários para a descoberta da obra em si, tal como preconizavam os Formalistas Russos, no caso de Joyce (1882-1941) Umberto Eco abre-se para a imanência e diz textualmente: “Em Joyce, para se compreender o desenvolvimento de sua poética, é necessário remontar continuamente ao seu desenvolvimento espiritual