Abolicionismo

A escravatura – escrevia o Correio Brasiliense em Londres – é um mal para o indivíduo que a sofre e para o Estado onde ela se admite, lemos no O Brasil e a Inglaterra ou o tráfico dos africanos. No intuito de esboroar, derruir a montanha negra da escravidão no Brasil, ergueram-se em toda a parte apóstolos decididos, patriotas sinceros que pregam o avançamento da luz redentora, isto é, a abolição completa.

Depoimento de mulheres torturadas

Ele me disse: ‘Se você sair viva daqui, o que não vai acontecer, você pode me procurar no futuro. Eu sou o chefe, sou o Jesus Cristo [codinome do delegado de polícia Dirceu Gravina]’. Ele falava isso e virava a manivela para me dar choque. Ele também dizia: ‘Que militante de direitos humanos coisa nenhuma, nada disso, vocês estão envolvidos’. E virava a manivela. Havia umas ameaças assim: ‘Vamos prender todos os advogados de direitos humanos, colocá-los num avião e soltar na Amazônia’.

A autópsia de um “poema” de Kenneth Goldsmith

Ao fazer sua performance sob a imagem de Michael Brown em sua foto de formatura, Goldsmith emitiu, durante trinta minutos, uma cantoria incessante que  apagou qualquer afeto pessoal   e ele, frise-se, não permitiu nenhuma interrupção, a não ser a pausa que ele fez para ele mesmo tomar um copo de água. No entanto, apesar de seu magistral domínio do palco e do  público, ele não foi capaz de apropriar-se de forma  inteiramente  conveniente do vernáculo médico, o que, por sinal , não surpreende: a linguagem médica é complicada e acaba por excluir os que não tiveram o privilégio de aprendê-la. Assim ele ficou jogando com as palavras e até mesmo errando ao pronunciá-las. Onde Goldsmith falhou não foi nesses “erros”, que aliás  revelavam a verdade em  uma forma que o poema não  alcançava, mas na sua falta de humildade,  em sua insensibilidade quanto ao fato de  que existia algo ou alguém mais no auditório ( a presença ausente, a ausência presente no relatório da autópsia), ao lado da “ verdade” incessante de seu poema.

Marjorie Perloff fala da função da crítica

Marjorie Perloff nasceu Gabriele Mintz, em 1931, em uma família judia em Viena. Ante o terror nazista, sua família emigrou em 1938 quando Marjorie tinha seis anos e meio; foram primeiro para Zürich e depois para os Estados Unidos, estabelecendo-se em Riverdale, Nova York. Após estudar no Oberlin College de 1949 a 1952, ela se formou no Barnard College em 1953; nesse ano, casou-se com Joseph K. Perloff, cardiologista e professor de medicina na Streisand/American Heart Association e pediatra emérito na UCLA. Perloff completou sua graduação na Catholic University of America em Washington, obtendo um M.A. em 1956 e um Ph. D (com uma dissertação sobre W.B. Yeats) em 1965. Marjorie ministra cursos e escreve sobre poesia e poética dos séculos XX e XXI, ambas as artes anglo-americanas e de uma perspectiva comparatista, bem como sobre o intermedia e visuais. Ela é professora emérita de Inglês na Universidade de Stanford e Florença R. Scott, e professora emérita de Inglês na Universidade do Sul da Califórnia.

Darwin: a escravidão no Brasil

Darwin: a Life in Poems é um livro incomum, que mescla poesia e autobiografia, para recontar cronologicamente episódios da vida de Charles Darwin através de poemas. A autora do livro, a prestigiada poeta britânica Ruth Padel, tem dois dados importantes na sua própria hostória: além de ser trineta de Darwin, tem um interesse particular em poesia e ciência, tema que é objeto da sua escrita e atividade acadêmica como professora no King’s College London.

A submissão da universidade aos ‘mercados

Roberto Leher, professor titular da Faculdade de Educação e do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal do Rio de Janeiro, é o novo reitor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Com um extenso trabalho de pesquisa em políticas públicas na educação, Roberto Leher falou-nos do ensino universitário e da produção acadêmica, da investigação científica e da ideologia neoliberal aplicada à educação.

Contra os poetas

Por mais que se diga que a arte é uma espécie de chave, que a arte da poesia consiste precisamente em alcançar uma infinidade de matizes com poucos elementos, tais e parecidos argumentos não ocultam o primordial fenômeno de que com a máquina do verbo poético ocorreu o mesmo que com todas as demais máquinas, pois, em vez de servir a seu dono, se converteu em um fim em si; e, francamente, uma reação contra esse estado de coisas parece ainda mais justificada aqui do que em outros campos porque aqui estamos no terreno do humanismo par excellence.

Sibila, lugares contemporâneos da poesia: Mercedes Roffé

Mercedes Roffé: nascida em Buenos Aires, em 1954, é poeta, tradutora e editora.  Publicou: Poemas (Madri: Síntesis, 1977), El tapiz (com o heterônimo Ferdinand Oziel; Buenos Aires: Tierra Baldía, 1983), Cámara baja (Buenos Aires: Último Reino, 1987; Chile: Cuarto Propio, 1996), La noche y las palabras (Buenos Aires: Bajo la luna llena, 1996; Chile: Cuarto Propio, 1998), Definiciones Mayas (New York: Pen Press, 1999), Antología poética (Caracas: Pequeña Venecia, 2000), Canto errante (Buenos Aires: tsé-tsé, 2002), Memorial de agravios (Córdoba. Alción, 2002), a antologia Milenios caen de su vuelo (Tenerife: Colección Atlántica de Poesía, 2005), La ópera fantasma (Buenos Aires: Bajo la luna, 2005), Las linternas flotantes (Buenos Aires: Bajo la luna, 2009), La interrogación incesante. Entrevistas 1996-2012 (Madrid: Amargord, Colección Once, 2013) e Carcaj: Vislumbres (Madrid/México: Vaso Roto, 2014).

Sibila, lugares contemporâneos da poesia: Iván Humanes

Iván Humanes: Nascido em Barcelona em 1976, licenciou-se em Direito pela UB. Publicou: La memoria del laberinto (Biblioteca CyH, 2005), Malditos. La biblioteca olvidada (Grafein, 2006), 101 coños (Grafein, 2007), La emboscada (InÉditor, 2010) e Los caníbales (Libros del innombrable, 2011), finalista do prêmio Setenil 2012 de melhor livro de relatos publicado na Espanha. Primeiro prêmio no concurso de relatos curtos El Fungible e em Ciudad de Jerez, entre outros.
Participou de obras coletivas como La luz escondida (Libros del Innombrable), PervertiDos (Ediciones Traspiés), Cryptonomikon 6 (Cryptshow Festival) e Náufragos en San Borondón (Ed. Baile del Sol).
Codirigiu o documentário A.T. Cuadernos de tiempo e foi corroteirista do documentário El boxeador (Libros del Innombrable) e roteirista do longametragem Vestigis, dirigido por Iván Morillo.

Vinte e dois anos de silêncio do Patoá do poeta macaense Adé

Há vinte e dois anos, em 24 de março de 1993, falecia em Macau (ex-território português na China) o poeta macaense José dos Santos Ferreira, mais conhecido por Adé. Mestre do Patoá da era moderna, o dialeto de Macau da gente macaense de língua portuguesa.

Para recordar o Adé, leia o histórico da sua vida publicada na Revista Macau, e ouça o poema “Bote Dragám” (Barcos-Dragão) por ele recitado e acompanhe com os versos em patoá e a tradução em português ao lado.