Sibila, lugares contemporâneos da poesia: Enrique Winter

ENRIQUE WINTER (Santiago, 1982) é autor, em poesia, de Atar las naves (prêmio Festival de Todas las Artes Víctor Jara), Rascacielos, Guía de despacho (prêmio Concurso Nacional de Poesía y Cuento Joven) e, ao lado de Gonzalo Planet, do álbum Agua en polvo (prêmio Fondo para el Fomento de la Música Nacional) –reunidos em Primer movimiento e republicados nos livros Código civil y Oben das Meer unten der Himmel–, e de Sign Tongue (prêmio Goodmorning Menagerie Chapbook-in-Translation), a ser lançado em muito breve sob o título Lengua de señas (prêmio Concurso Nacional de Poesía Pablo de Rokha), além de autor do romance Las bolsas de basura, já publicado em 2015. Traduziu Charles Bernstein para o espanhol e publicou as traduções em livros que mudam de título e número de páginas conforme o país de publicação: Blanco inmóvil, Abuso de sustancias y Grandes éxitos, lançadas no Chile, no México e no Equador, e –junto com Bruno Cuneo e Cristóbal Joannon– Decepciones do inglês Philip Larkin. É também mestre em escrita criativa pela New York University (NYU). Trabalhou como editor nas Ediciones del Temple e foi advogado da Câmara dos Deputados do Chile.

Leitura de poesia

Sibila: Você lê poesia?

Winter: Sim, ainda.

Sibila: Que poesia você lê?

Winter: A que corre riscos estéticos e atua em mim como disparadora de ideias ou de ritmos, provocando-me o desejo de escrever. A poesia de meus contemporâneos, em comunidade de diálogo. Também releio a poesia clássica, um referente de sensibilidade e deleite, mais do que de resultado.

Sibila: Você acha que a leitura de poesia tem algum efeito?

Winter: Estudei Direito por considerá-lo um caminho direto para mudar a sociedade. Isto, porém, não ocorria, uma vez que meus representados, com a ganância dos juízos, compravam apenas mais coisas desnecessárias. Creio que a poesia, por sua parte, deforma os limites da linguagem e, com isso, os da realidade. Ler poesia permite ser os outros cheirando-nos à nossa frente.

Escrita de poesia

Sibila: O que você espera ao escrever poesia?

Winter: Conhecer-me um pouco, e entender um pouco os outros, desaprender as convenções da linguagem. Repetir duas notas até que vibrem como nunca antes. O prazer que encontro quando creio que isso aconteça, e sobretudo no próprio ato de escrever, em seu giro em si.

Sibila: Qual o melhor efeito que você imagina para a prática da poesia?

Winter: A vertigem e a submersão, a visão do vazio. Deixar-se levar pelo acúmulo de sons e de imagens, criando raras combinações do que não está definido. Cantarolar essa música e comover-se, sincera e ironicamente, de modo a poder comover outra pessoa. Dizer algo.

Sibila: Você acha que a sua poesia tem interesse público?

Winter: Oxalá elimine os preconceitos quanto ao uso normativo das palavras e nas consequências das diferenças entre as pessoas, abra mentes e abrigos. Se conseguir inquietar, mostrando o que estava ali e não era notado, já terá cumprido seu reduzido papel, coletivo, de importância suficiente para mim.

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Publicação de poesia

Sibila: Qual o melhor suporte para a sua poesia?

Winter: Pergunto-me onde está o poema. Pode ser reproduzido na folha em branco ou na internet, e ainda em livro. A maneira de lê-lo escapa a meu controle, como as canções que ouvimos sem querer. Um petisco que satisfaz um pouco a fome quando o apresento oralmente, como antigamente: meus poemas de memória, que é aquilo que nos falta como nações, olhando para quem me escuta.

Sibila: Qual o melhor resultado que você espera da publicação da sua poesia?

Winter: Abalar a linguagem do poder com o poder da linguagem. Conectar-me com sensibilidades perdidas em diferentes países e idiomas, a partir de uma cosmogonia pessoal que as estimule. Gerar temperaturas ligadas à liberação de certos sentidos – do escrito e do corpo –, pensando-os.

Sibila: Qual o melhor leitor de seu livro de poesia?

Winter: Os melhores leitores são aqueles suficientemente flexíveis para caber nos espaços daquilo que não digo, habitantes ativos da elipse: tradutores de minha tradução das palavras e experiências. Os que vivem o poema dentro de si, sem precisar de um fora ao qual se referir.

Sibila: O que você mais gostaria que acontecesse após a publicação da sua poesia?

Winter: Devolver aos leitores partes do caráter sensorial do mundo por meio da mesma linguagem que as eliminou. Ter construído uma plataforma que interaja com outras disciplinas artísticas e que permita diversas interpretações. Que sua própria contingência faça a poesia permanecer.

*  *  *

Lectura de poesía

Sibila: ¿Usted lee poesía?

Winter: Sí, todavía.

Sibila: ¿Qué poesía lee?

Winter: La que corre riesgos estéticos y opera en mí como disparadora de ideas o ritmos, provocándome el deseo de escribir. La de mis contemporáneos, en comunidad de diálogo. También releo la clásica, un referente de sensibilidad y goce más que de resultado.

Sibila: ¿Leer poesía tiene algún efecto?

Winter: Estudié Derecho porque lo creí un camino directo para cambiar la sociedad, pero esto no ocurría, pues mis representados, con la ganancia de los juicios, sólo compraban más cosas que no necesitaban. Creo que la poesía, por su parte, deforma los límites del lenguaje y, con ello, los de la realidad. Leerla permite ser los otros oliéndonos de frente.

Escritura de poesía

Sibila: ¿Qué espera usted al escribir poesía?

Winter: Conocerme algo y de a poco entender a los demás, desaprender las convenciones del lenguaje. Reiterar un par de notas hasta que vibren como nunca antes. El placer que encuentro cuando creo que esto sucede y sobre todo en el acto mismo de escribir, en el merodeo.

Sibila: ¿Cuál sería el mejor efecto que puede uno obtener de la práctica de poesía?

Winter: El mareo y sumergimiento, el vistazo del vacío. Dejarse llevar por la acumulación de sonidos e imágenes creando combinaciones raras de lo que no está definido. Tararear esa música y conmoverse, sincera e irónicamente, de modo de poder conmover a otro. Decir algo.

Sibila: ¿Su poesía tiene interés público?

Winter: Ojalá quite prejuicios en el uso normativo de las palabras y en las consecuencias de las diferencias entre las personas, abra mentes y refugios. Con que inquiete, mostrando lo que estaba ahí sin ser notado, ya habrá cumplido un pequeño rol, colectivo, de suficiente relevancia para mí.

Publicación de poesía

Sibila: ¿Cuál es el mejor soporte para su poesía?

Winter: Me pregunto dónde está el poema. Puede ser reproducido en la hoja en blanco o en internet, y aun en un libro el orden en el que se lo lee queda fuera de mi control, como las canciones que escuchamos en aleatorio. Un picoteo que también sacia algo del hambre cuando lo presento de forma oral, como ancestralmente: mis poemas de memoria, que es lo que nos falta como naciones, mirando a quienes me escuchan.

Sibila: ¿Cuál es el mejor resultado que espera de la publicación de su poesía?

Winter: Remecer al lenguaje del poder desde el poder del lenguaje. Conectarme con sensibilidades perdidas en distintos países e idiomas, a partir de una cosmogonía personal que les estimule. Generar tibiezas ligadas a la liberación de ciertos sentidos – de lo escrito y del cuerpo –, pensándolos.

Sibila: ¿Quién sería el mejor lector de sus libros de poesía?

Winter: Unos suficientemente flexibles para caber en los espacios de lo que no digo, habitantes activos de la elipsis: traductores de mi traducción de las palabras y experiencias. Los que vivan el poema desde adentro de ellos sin requerir un afuera al cual referirlo.

Sibila: ¿Qué es lo que más le gustaría que sucediera después de la publicación de su poesía?

Winter: Devolverles parte de la sensorialidad del mundo a los lectores, por vía del mismo lenguaje que se las quitó. Haber construido una plataforma que interactúe con otras disciplinas artísticas y habilite diversas interpretaciones. Que su propia contingencia la haga permanecer.

*  *  *

Poemas

Sóis

Um sol, a fortuna
surpreende a garçonete que recebe
a gorjeta qual deus do mesmo nome.

Um sol vermelho na praia, píxel no olho
de uma foto digital que não nos devíamo bater,
interrompida por linhas de nuvem (as cataratas)
e a tevê do ônibus,
poeira que impede outras poeiras
em um deserto que nenhum passageiro reclama,
despercebido o mar (a íris).

O ônibus ronda a estrada negra
que corta o arrebol,
uma camiseta, seria dos rangers,
se estivesse na minha terra e não
onde nenhuma obra se concluiu
para evadir impostos ou olhar as estrelas,
apenas cobertas por roupa íntima pendurada
e flamejando: camisetas de uma equipe pequena
visitando o estádio da massa televisiva.
A roda do triciclo armando um tráfego este sol
seu reflexo três quartos na água,
mais a tela do ônibus que esse olho vermelho.
Uma vez me disseram que era um sol.

E se para tocar o sol bastava
pôr o dedo mínimo na primeira
corda depois do dó, sempre ensinaram
melhor o anular, contornar
como o cartaz – fechado – nos bares
e me dá vontade de lhes dizer qual
é o câmbio de sol para peso,
mas a taxa é outra (jogo de mãos
e caretas) quando pronuncio
na guitarra.

No céu despejado não há pontos de referência
para dizer perto ou longe.

Melhor que venha o sol, que trague
a quem os permitem apenas quinze dias
retribuindo o ano de maltratos
(era grátis, gratuito, grátis, grátis).
Com a cor tijolo das casas
sem terminar (já, quase todas)
dourado o ouro, o dia, o homem
não a prata, a lua, a mulher (por acaso a tela
ou melhor a fortuna da garçonete que recebe
a gorjeta qual deus do mesmo nome).
As dezenas de vezes que tentamos a foto
com o pôr do sol, a espera
por revelar um rolo que nos apresentaria
negros de novo, tapando um vermelho incompreensível.

Na cidade que habito eu decido
se me alimento, se me abrigo, se olho minhas pisadas quando me viro.
Quem decide lá fora é o sol,
se cresce algo de comer, se morro
de hipotermia ou transpiro.
Rezaria antes para ele que por ninguém:

gema de ovo do campo
derramada no mar a taça
não do galã da tevê
e sim dos espectadores.

A clara prévia a revolver-se é uma nuvem
e o céu cobre a frigideira.
O ruído desse azeite lembra o das ondas
quando se está no mar e não com a concha no ouvido,
a regadores quando encharcam, e

os filmes nos roubaram até o entardecer.
O ônibus nos tem roubado a viagem.

Jornaleiros construíram o e ao sol
como os deste ônibus, que nem se olham
agora que a energia pode reinventar-se em outros sóis,
sem bronzeamentos
ainda que se jurem convidados.

Difícil adorar a um único sol
quando já existe a palavra sóis
e um não sabe se viu ontem o mesmo
(mudaram o caminho e a abraçada
quando no caminho lhe saíram brotos
e a que amamos, o cenho franzido
as dezenas de vezes que tentamos a foto
com o pôr do sol, a espera
por revelar um rolo que nos apresentaria
negros de novo, tapando um vermelho incompreensível
como o do olho em tomadas digitais.
Por acaso fique só o vermelho puro
que veem os fechados sob o sol,
finos pássaros de interferência.

A terramoça (palabra!) disse
para uma melhor visão do filme
melhor fechar as cortinas.

Soles

Un sol, la dicha
sorprende a la mesera que recibe
la propina cual dios del mismo nombre.

Un sol rojo en la playa, píxel en el ojo
de una foto digital que no debimos sacarnos,
interrumpido por líneas de nube (las cataratas)
y la tele del bus,
polvo que impide otros polvos
en un desierto que ningún pasajero reclama,
inadvertido el mar (el iris).

El bus auspicia la negra carretera
que corta el arrebol,
una camiseta que sería de rangers
si estuviera en mi tierra y no
donde ninguna construcción se ha terminado
para eludir impuestos o mirar las estrellas,
apenas cubiertas por la ropa interior colgada
y flameando: camisetas de un equipo pequeño
visitando el estadio de la masa tevita.
La rueda del triciclo armando un taco, este sol
tres cuartos en el agua su reflejo,
más la pantalla del bus que ese ojo rojo.

Una vez me dijeron que era un sol.

Y si para tocar el sol bastaba
poner el dedo chico en la primera
cuerda luego del do, siempre enseñaron
mejor el anular, voltearlos
como el cartel cerrado en los boliches
y me dan ganas de contarles cuál
es el cambio de sol a peso,
pero la tasa es otra (juego de manos
y muecas) cuando la pronuncio
en la guitarra.

En el cielo despejado no hay puntos de referencia
para decir cerca o lejos.

Mejor que venga el sol, que trague
a quienes lo permiten apenas quince días
retribuyendo el año de maltratos
(era gratis, gratuito, gratis, gratis).
Con el color ladrillo de las casas
sin terminar (ya, casi todas)
dorado el oro, el día, el hombre
no la plata, la luna, la mujer (acaso la pantalla
o bien la dicha de la mesera que recibe
la propina cual dios del mismo nombre).
Las decenas de veces que intentamos la foto
con la puesta de sol, la espera
por revelar un rollo que nos presentaría
negros de nuevo, tapando un rojo inentendible.

En la ciudad que habito yo decido
si me alimento, si me abrigo, si miro mis pisadas cuando vuelva.
Quien decide afuera es el sol,
si crece algo de comer, si muero
de hipotermia o transpiro.
Le rezaría a él antes que a nadie:

yema de huevo de campo
derramada en mar la copa
no del galán de la tele
sí de los espectadores.

La clara previa a revolverse es una nube
y el cielo cubre la paila.
El ruido de ese aceite recuerda al de las olas
cuando se está en el mar y no con la conchita en el oído,
a regadores cuando empapan, y

las películas nos robaron hasta el atardecer.
El bus nos ha robado el viaje.

Al sol lo construyeron jornaleros
como los de este bus, que ni lo miran
ahora que la energía puede inventarse en otros soles,
que no los broncearán
aunque se juren invitados.

Difícil adorar a un único sol
cuando ya existe la palabra soles
y uno no sabe si vio el mismo ayer
(cambiaron el camino y la abrazada)
cuando al camino le salieron brotes
y a la que amamos, el fruncido ceño
las decenas de veces que intentamos la foto
con la puesta de sol, la espera
por revelar un rollo que nos presentaría
negros de nuevo, tapando un rojo inentendible
como el del ojo en tomas digitales.
Acaso quede el puro rojo
que ven los cerrados cuando al sol,
delgados pájaros de interferencia.

La terramoza (qué palabra) dice
que para una mejor visión de la película
se cierren las cortinas.

Alinho

Desliza a rocha no azeite da baleia sem baleia.
Um modo de vida é apenas um líquido viscoso
espuma sobre outro modo de mar.
Dos noruegueses aos bascos dúzias de arpoadores
timoneiros por bicho. Depois dois à distância. Depois
a água é mais densa.
Lembra o brilho do azeite ao lavar as panelas
e os barcos de papel sulcando o arco-íris
da mancha. Mar adentro a baleia
evapora o fantasma do arpão.

Seu âmbar cinzento fixou o perfume
dos que não cheiram à água
nem olham para o céu para não enrugar a testa.

Adere a rocha no sal da lagoa cáhuil
mil anos salineiros mil os mineiros de rio salgado.
Um modo de vida é o modo de vida é um futuro.
Não confunde tempo com porte não derrama azeite
só extrai e aos poucos o que matou. Pirites.
Mamões maduros. A carne se conserva em sal
e do cobre a luz que não dá a isca

escorre para este cenário.

Aliño

Resbala la roca en el aceite de la ballena sin ballena.
Un modo de vida es apenas un líquido viscoso
espuma sobre otro modo de mar.
De los noruegos a los vascos docenas de arponeros
timoneles por bicho. Después dos a distancia. Después
el agua es más densa.
Recuerda el brillo del aceite al lavar las ollas
y los barcos de papel surcando el arco iris
de la mancha. Mar adentro la ballena
evapora el fantasma del arpón.

Su ámbar gris fijó el perfume
de quienes no huelen el agua
ni miran al cielo por no arrugar la frente.

Adhiere la roca en la sal de laguna cáhuil
mil años salineros mil los pirquineros de río salado.
Un modo de vida es el modo de vida es uno futuro.
No confunde tiempo con porte no derrama aceite
sólo extrae y de a poco lo que ha muerto. Piritas.
Papayas maduras. La carne se conserva en sal
y del cobre la luz que no da el cebo

escurre a este escenario.

Traduções: Virna Teixeira

*  *  *

Leia a série completa

 

Lugares contemporâneos da poesia

Concepção do projeto: Alcir Pécora e Régis Bonvicino
Texto introdutório: Alcir Pécora
Realização: Régis Bonvicino, com a colaboração de Aurora Bernardini e Charles Bernstein

Há reiterados momentos do contemporâneo em que a prática da poesia se parece exatamente apenas uma prática, uma empiria, uma rotina. Faz-se poesia porque poesia é feita. Edita-se poesia porque livros de poesia são editados e foram editados. Por que não continuar editando-os?

Mas qual o significado da arte, quando a arte se reduz a empiria, procedimento habitual que não problematiza os seus meios? Que deixa de inventar os seus próprios fins? Que não desconfia de sua forma conhecida, nem arrisca um lance contra si, inconformada?

Para tentar saber o que pensam a respeito da poesia que produzem alguns dos mais destacados poetas estrangeiros em ação hoje, a Revista Sibila propôs-lhes algumas perguntas simples, primitivas até – silly questions! –, cujo escopo principal é deixar de tomar como naturais ou óbvios os automatismos da prática.

Trata-se de saber dos poetas, da maneira mais direta possível, o que ainda os move a ler, a escrever e a lançar um livro de poesia – ou, mais genericamente, a publicar poesia, seja qual for o suporte.

A condição de, por ora, ouvir apenas os estrangeiros é estratégica aqui. Convém evitar respostas que possam ser neutralizadas a priori por posicionamentos desconfiados de vizinhança.

Leitura de poesia, esforço de poesia e publicação de poesia: nada disso é compulsório, nada disso se explica de antemão. Tudo o que se faz, nesse domínio, é fruto de exigência apenas imaginária. Nada obriga, a não ser a obrigação que se inventa para si.

A revista Sibila quer saber que invenção é essa. Ou seja: o que os poetas ainda podem imaginar para a prática que os define como poetas.

Contemporary places for poetry

There are plenty of moments in our current life when the practice of poetry seems exactly a practice, something empirical, a kind of routine. One makes poetry because poetry has been made. One publishes poetry because books of poetry are published and were published, why not going on publishing them?

But what meaning does art have when art is reduced to empiricism, the habitual procedure which doesn’t discuss its means? Which doesn’t any longer make up its own aims? Which is not suspicious of its usual form, nor runs the risk of a move against itself, unresigned?

Trying to know what some of the most distinguished foreign poets in action today think about their own poetry, Sibila proposed some very simple questions, some naïve questions – silly questions! –, whose principal aim is no longer to consider as natural ( as obvious) the automatisms of the poetical practice.

Sibila asks the poets to tell in the more direct way what still moves them to read, to write, to publish a book of poetry – or, more generically, to publish poetry, in whatever support.

The choice, for the moment, to listen only to foreign poets’ voice is a strategic one. It’s better to avoid answers which would be neutralized a priori, due to suspicious neighbourly attitudes.

Reading poetry, straining to write poetry, publishing poetry: not at all compulsory, all this, not at all explainable in advance. Everything you do in this domain is the result of mere imaginary exacting. Nothing obliges you, unless the obligation you invent yourself, for yourself. Sibila wants to know what kind of invention is that. Id est: what poets may still make up for the practice which defines them as poets.

Sobre Enrique Winter

(Santiago, 1982) É autor, em poesia, de Atar las naves (prêmio Festival de Todas las Artes Víctor Jara), Rascacielos, Guía de despacho (prêmio Concurso Nacional de Poesía y Cuento Joven) e, ao lado de Gonzalo Planet, do álbum Agua en polvo (prêmio Fondo para el Fomento de la Música Nacional) –reunidos em Primer movimiento e republicados nos livros Código civil y Oben das Meer unten der Himmel–, e de Sign Tongue (prêmio Goodmorning Menagerie Chapbook-in-Translation), a ser lançado em muito breve sob o título Lengua de señas (prêmio Concurso Nacional de Poesía Pablo de Rokha), além de autor do romance Las bolsas de basura, já publicado em 2015. Traduziu Charles Bernstein para o espanhol e publicou as traduções em livros que mudam de título e número de páginas conforme o país de publicação: Blanco inmóvil, Abuso de sustancias y Grandes éxitos, lançadas no Chile, no México e no Equador, e –junto com Bruno Cuneo e Cristóbal Joannon– Decepciones do inglês Philip Larkin. É também mestre em escrita criativa pela New York University (NYU). Trabalhou como editor nas Ediciones del Temple e foi advogado da Câmara dos Deputados do Chile.