Sibila, lugares contemporâneos da poesia: Fernando Escobar Páez

O interesse, entre outros, pelo equatoriano FERNANDO ESCOBAR PAÉZ consiste no fato de que ele se aposentou – muito jovem – de ser “poeta” – um ato raro que pode ser entendido como crítica ao panorama atual, melífluo, sem ideias etc., e como reafirmação vigorosa da própria poesia. Elenasceu em Quito, Equador, em 1982. Poeta e narrador, traduzido para diversos idiomas: inglês, alemão, português e francês. Colabora regularmente em vários periódicos, nas seções de cultura e de política.

Livros: Los Ganadores y Yo (Quito, Ecuador: Machete Rabioso Editores, 2006); Miss O’ginia (Quito, Ecuador: Doble Rostro Editores, 2011); Escúpemeenlaverga (Zaragoza, España: Editorial Cartonerita Niña Bonita, 2013); Miss O’ginia 2.0 y otras parafilias normales (Barcelona, España: Editorial FOC, 2013).

Publicações nas antologias: Toda la poesía al asador, antología Argentina – Ecuador (Quito: Alianza Francesa, 2005); Tickets de ida y vuelta (Arequipa, Peru: Cascahuesos Editores, 2012); 4M3R1C4 2.0 (México, México DF, 2012); Naipesarreglados (Ciudad de Guatemala, Guatemala: Catafixia Editores, 2012); Líneas y versos para incitar el vuelo (México DF, México: Editorial Destos Deme Dos, 2012); TeaPartyII (Arica, Chile: Editorial Cinosargo, 2013); Habaneros (Santiago, Chile: Quimantú, 2013); Opio,fútbolparaleer (Quito, Ecuador: 5ta Avenida Ediciones, 2014).

Leitura de poesia

Sibila: Você lê poesia?

Páez: Na verdade, ultimamente tenho lido mais narrativa, mas dediquei-me muito ao estudo de vários poetas que considero fundamentais e aos quais volto sempre.

Sibila: Que poesia você lê?

Páez: Sou um tanto eclético em minhas leituras de poesia, cito alguns de meus poetas favoritos: Leopoldo María Panero, T.S. Eliot, Arthur Rimbaud, Isidore Ducasse, Juan José Rodinás, Ángel Ortuño, Federico García Lorca, Dylan Thomas, Adonis, entre outros.

Sibila: Você acha que a leitura de poesia tem algum efeito?

Páez: Gostaria de acreditar que sim, ao menos se a intenção que você tem é a de escrever, a leitura se torna indispensável para retroalimentar sua obra. Por outro lado, leitores empedernidos de poesia, como Stálin, assassinaram milhões de pessoas e queimaram livros. Ler poesia não converte você em um ser humano melhor, apenas lhe dá alguma coisa da beleza que está presente também em atos violentos.

Escrita de poesia

Sibila: O que você espera ao escrever poesia?

Páez: Tenho poucas expectativas quanto a isso. Creio ser um poeta aposentado (publiquei duas coletâneas e não tenho a intenção de publicar outras). No momento interessa-me orientar meu trabalho para a narrativa. Entretanto, muitas vezes, no passado, os poemas saíam-me como que por acidente e não descarto a possibilidade de que, em algum momento, isso volte a acontecer.

Sibila: Qual o melhor efeito que você imagina para a prática da poesia?

Páez: No meu caso, o efeito imediato de escrever poesia foi o de aprofundar meu alcoolismo. Gostava de sentar-me e beber, enquanto escrevia (obviamente, muita dessa produção foi parar diretamente no lixo).

Sibila: Você acha que a sua poesia tem interesse público?

Páez: Tomara que a poesia nunca venha a ter interesse público, pelo menos não como o concebem os políticos. A poesia não deve ser considerada um bem ou uma moeda de troca; não precisa nem de bolsas, nem de outras invenções burocráticas que possam contribuir para que a vida do poeta seja mais suportável, porém desnaturalizam seu trabalho.

Publicação de poesia

Sibila: Qual o melhor suporte para a sua poesia?

Páez: A vingança. Quando escrevia poesia, os melhores textos eram aqueles que vinham contaminados pelo ódio por alguém, quase sempre por alguma mulher.

Sibila: Qual o melhor resultado que você espera da publicação da sua poesia?

Páez: Provocar uma reação forte no leitor, deixá-lo aturdido como se tivesse recebido uma descarga elétrica que o tornasse vulnerável e inclinado a cometer atos vis.

Sibila: Qual o melhor leitor de seu livro de poesia?

Páez: (Não sei se entendi bem a pergunta, suponho que fale de alguém em particular… No meu caso não tenho isso de leitor favorito, quando muito, alguns amigos de confiança a quem envio os rascunhos do texto para ter sua opinião, principalmente quanto aos aspectos formais do poema, mas não do conteúdo, pois aí faço sempre o que me dá na telha).

Sibila: O que você mais gostaria que acontecesse após a publicação da sua poesia?

Páez: Receber ameaças. Se alguém se ofende com o que eu escrevo – coisa que acontece muitas vezes – significa que o poema provoca alguma coisa.

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Lectura de poesía

Sibila: ¿Usted lee poesía?

Páez: En realidad, últimamente leo más narrativa, pero durante años, me dediqué al estudio de varios poetas que considero fundamentales y a los que retorno seguido.

Sibila: ¿Qué poesía lee?

Páez: Soy un tanto ecléctico en mis lecturas de poesía, pero por citar algunos de mis poetas favoritos Leopoldo María Panero, T.S. Eliot, Arthur Rimbaud, Isidore Ducasse, Juan José Rodinás, Ángel Ortuño, Federico García Lorca, Dylan Thomas, Adonis, entre otros.

Sibila: ¿Leer poesía tiene algún efecto?

Páez: Me gustaría creer que sí, al menos si tu intención es escribir, la lectura se vuelve indispensable para retroalimentar tu obra. Por otro lado, lectores empedernidos de poesía como Iosif Stalin asesinaron a millones de personas y quemaron libros. Leer poesía no te convierte en mejor ser humano, solo te da algo de belleza, la cual también se halla presente en actos violentos.

Escritura de poesía

Sibila: ¿Qué espera usted al escribir poesía?

Páez: Mis expectativas son bajas al respecto. Creo que soy un poeta jubilado (publiqué dos poemarios y no tengo intención de publicar más) y de momento me interesa orientar mi trabajo hacia la narrativa… sin embargo, muchas veces en el pasado los poemas me salían casi por accidente y no descarto que algún rato me vuelva a pasar.

Sibila: ¿Cuál sería el mejor efecto que puede uno obtener de la práctica de poesía?

Páez: En mi caso, el efecto inmediato de escribir poesía fue profundizar mi alcoholismo. Me gustaba sentarme a beber mientras escribía (obviamente, mucha de esa producción fue directo a la basura).

Sibila: ¿Su poesía tiene interés público?

Páez: Ojalá la poesía nunca tenga interés público, al menos no de acuerdo a como lo conciben los políticos. la poesía no debe ser considerada como un bien o moneda de cambio, no necesita de becas ni demás inventos burocráticos que pueden ayudar a que la vida material del poeta sea más llevadera, pero que desnaturalizan su trabajo.

Publicación de poesía

Sibila: ¿Cuál es el mejor soporte para su poesía?

Páez: La venganza. Cuando escribía poesía, los mejores textos eran aquellos contaminados por el odio hacia alguien, casi siempre alguna mujer.

Sibila: ¿Cuál es el mejor resultado que espera de la publicación de su poesía?

Páez: Provocar una reacción fuerte en el lector, dejarlo aturdido como si hubiera recibido una descarga eléctrica que lo vuelve vulnerable y proclive a cometer actos viles.

Sibila: ¿Quién sería el mejor lector de sus libros de poesía?

Páez: (No estoy seguro de entender la pregunta, supongo que habla de una persona en específico… en mi caso, no tengo eso de lector favorito, máximo algunos amigos de confianza a los que les envío los borradores del texto para pedirles su opinión, sobre todo en aspectos formales del poema, más no del contenido, que ahí siempre hago lo que me da la gana).

Sibila: ¿Qué es lo que más le gustaría que sucediera después de la publicación de su poesía?

Páez: Recibir amenazas. Si alguien se ofende por lo que escribo – cosa que sucede a menudo – significa que el poema provoca algo.

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Do livro Escúpemeenlaverga
(Zaragoza, España: Editorial Cartonerita Niña Bonita, 2013)

Volta: com camisola, mamadeira e verga alheia

Te deixo com teu namorado
Esse que tens em casa
conectada ao facebook
as noites de quarta-feira
quinta
sexta
sábado
e domingo
quando mijo nas esquinas
porque o meu pusher é lerdo!

Nesta segunda-feira cedo
como ele fez muita grana
teu namorado, não o meu pusher vagabundo
eu te escrevo para dizer
que, no café da manhã, comi meninas olhosverdes pornôs
com muita cerveja gelada.
Posso fazer duas coisas ao mesmo tempo.
Três se tu contares que te escrevo agora
E quatro, meus votos de “o melhor” para ti

Tua calcinha está ficando maior
de tantos filhinhos que o teu senhor te pôs na barriga

Esclareço que não quero vê-la obesa
É que te prefiro ocupada
com o alento da camisola
da mamadeira
e de outras vergas
antes de vê-la novamente.

Tradução: Régis Bonvicino

Tu retorno con aliento a peluche, biberón y verga ajena

Debo decir que tuve que trabajar
horas extras contra mis prejuicios,
que son muchos y muy grandes,
y que mis cuarenta días en el desierto
las ganó el diablo,
pero él no había visto tus ojos.

R. ISRAEL MIRANDA

Ella disfrutaba de la vida, o por lo menos eso parecía. Más tarde aquello no significaría mucho para mí, me refiero a su excitación y a su feliz relación ante la vida, de alguna manera me acabaría irritando, dejándome sin ningún sentimiento. Ni siquiera me aburriría.

CHARLES BUKOWSKI

Te dejo con tu novio
ese que te tiene en casa
conectada al facebook
las noches de miércoles
jueves
viernes
sábado
y domingo
cuando yo meo en las esquinas
porque mi pusher se demora demasiado.

Este lunes temprano
Mientras El gana dinero
tu novio, no el vago de mi pusher –
te escribo para contarte
que desayuné porno de chicas ojiverdes
con harta cerveza helada.
¡Puedo hacer dos cosas al mismo tiempo!
tres, si contamos el escribirte
¡y cuatro!…si también vale el desearte Lo Mejor:

Que tus calzoncitos sean cada vez más grandes

de tanto hijito de Señor novio que tengas.

Aclaro que no es que quiero verte obesa
simplemente te prefiero ocupada
con aliento a peluche
biberón
y verga ajena
antes que volverte a ver.

*  *  *

Leia a série completa

 

Lugares contemporâneos da poesia

Concepção do projeto: Alcir Pécora e Régis Bonvicino
Texto introdutório: Alcir Pécora
Realização: Régis Bonvicino, com a colaboração de Aurora Bernardini e Charles Bernstein

Há reiterados momentos do contemporâneo em que a prática da poesia se parece exatamente apenas uma prática, uma empiria, uma rotina. Faz-se poesia porque poesia é feita. Edita-se poesia porque livros de poesia são editados e foram editados. Por que não continuar editando-os?

Mas qual o significado da arte, quando a arte se reduz a empiria, procedimento habitual que não problematiza os seus meios? Que deixa de inventar os seus próprios fins? Que não desconfia de sua forma conhecida, nem arrisca um lance contra si, inconformada?

Para tentar saber o que pensam a respeito da poesia que produzem alguns dos mais destacados poetas estrangeiros em ação hoje, a Revista Sibila propôs-lhes algumas perguntas simples, primitivas até – silly questions! –, cujo escopo principal é deixar de tomar como naturais ou óbvios os automatismos da prática.

Trata-se de saber dos poetas, da maneira mais direta possível, o que ainda os move a ler, a escrever e a lançar um livro de poesia – ou, mais genericamente, a publicar poesia, seja qual for o suporte.

A condição de, por ora, ouvir apenas os estrangeiros é estratégica aqui. Convém evitar respostas que possam ser neutralizadas a priori por posicionamentos desconfiados de vizinhança.

Leitura de poesia, esforço de poesia e publicação de poesia: nada disso é compulsório, nada disso se explica de antemão. Tudo o que se faz, nesse domínio, é fruto de exigência apenas imaginária. Nada obriga, a não ser a obrigação que se inventa para si.

A revista Sibila quer saber que invenção é essa. Ou seja: o que os poetas ainda podem imaginar para a prática que os define como poetas.

Contemporary places for poetry

There are plenty of moments in our current life when the practice of poetry seems exactly a practice, something empirical, a kind of routine. One makes poetry because poetry has been made. One publishes poetry because books of poetry are published and were published, why not going on publishing them?

But what meaning does art have when art is reduced to empiricism, the habitual procedure which doesn’t discuss its means? Which doesn’t any longer make up its own aims? Which is not suspicious of its usual form, nor runs the risk of a move against itself, unresigned?

Trying to know what some of the most distinguished foreign poets in action today think about their own poetry, Sibila proposed some very simple questions, some naïve questions – silly questions! –, whose principal aim is no longer to consider as natural ( as obvious) the automatisms of the poetical practice.

Sibila asks the poets to tell in the more direct way what still moves them to read, to write, to publish a book of poetry – or, more generically, to publish poetry, in whatever support.

The choice, for the moment, to listen only to foreign poets’ voice is a strategic one. It’s better to avoid answers which would be neutralized a priori, due to suspicious neighbourly attitudes.

Reading poetry, straining to write poetry, publishing poetry: not at all compulsory, all this, not at all explainable in advance. Everything you do in this domain is the result of mere imaginary exacting. Nothing obliges you, unless the obligation you invent yourself, for yourself. Sibila wants to know what kind of invention is that. Id est: what poets may still make up for the practice which defines them as poets.