Sibila, lugares contemporâneos da poesia: Jennifer Scappettone

Poeta da safra mais nova, performer, tradutora e professora, JENNIFER SCAPPETTONE nasceu e cresceu em Nova York. É PhD pela Universidade da Califórnia, em Berkeley. Publicou, entre outros títulos, Err-Residence (2007), Beauty – is the New Absurdity, (2007), Thing Ode / Ode oggettuale (2008) e From Dame Quickly (2009). Seu livro mais recente é Killing the Moonlight: Modernism in Venice (Columbia University Press). Seus interesses de pesquisa e ensino abrangem os séculos 20 e 21 com ênfase em modernismo mundial comparado, história e presença da vanguarda hoje, tanto quanto literaturas de viagem, migração e deslocamento, barbárie, multilinguismo e sobretudo, por ora, em cultura italiana e seus ecos. Scappetone, aliás, traduziu para o inglês a italiana Amelia Rosselli (1930-1996). Leciona em The University of Chicago, onde reside atualmente. Já morou na Itália e no Japão. Jennifer relata que: “já escrevi inspirando-me na sujeira que nos cerca, em lugares como depósitos de lixo”.

Leitura de poesia

Sibila: Você lê poesia?

Scappettone: Sim, mas a poesia é apenas um dos tipos de literatura que eu leio; sinto que é importante ler bem além dos limites genéricos estabelecidos e além de minhas próprias preferências enquanto autora. Isso, por sinal, é o hábito da maioria dos meus contemporâneos mais amados, de Amelia Rosselli a Lyn Hejinian, Lisa Robertson e Judith Goldman. Portanto, novamente, é importante reservar um tempo para acompanhar o que fazem os nossos companheiros em poesia, uma vez que, diante das atuais injunções de absorver o máximo de informação eficientemente possível, a poesia adquire facilmente o status de uma extravagância, reservada aos momentos livres de intimidade com um texto. Ela exige seu próprio tipo ameaçado de tempo.

Sibila: Que poesia você lê?

Scappettone: Tento ler poesia na língua original, ou cotejar as traduções com o original. É claro que eu consigo acompanhar melhor a poesia anglo-americana ou anglófona e a italiana, e ter vários graus de contatos enriquecedores com poesia escrita em francês, português, espanhol e japonês. Em outros casos eu procuro descobrir traduções convincentes feitas por tradutores confiáveis, tanto literais quanto selvagemente errantes (Ezra Pound, Haroldo de Campos, Anne Carson, Pierre Joris). Essas leituras levaram-me a usar muito de meu tempo com a poesia experimental moderna e contemporânea e eu gosto também de reservar certo tempo para as mais vetustas traduções que sobreviveram dos textos antigos. Ultimamente tenho me deleitado com as construções altamente líricas de Christina e Dante Gabriel Rossetti – exemplos remanescentes, tardios, de rima ornamental, não irônica. E nunca se consegue ler o bastante de Emily Dickinson.

Sibila: Você acha que a leitura de poesia tem algum efeito?

Scappettone: Para mim, a poesia é obrigatória, na medida em que ela questiona o decoro consagrado da língua e da cognição, na medida em que ela retarda a percepção e excede a transmissão de informação, história, da teoria. A poesia é uma espécie de pensamento, uma espécie de música – preciosa quando é a música, mesmo dissonante e imperceptível, que dirige o pensamento, de uma forma não discursiva, mais do que o contrário. Um poema pode agir também como um bofetão na cara: ele pode despertar-nos, fazendo confluir sem entraves vozes em conflito, próximas ou remotas, e arrancando a retórica familiar à qual estamos acostumados. Eu gosto de pensar que um poema pode transmitir os mesmos dados de um artigo de jornal e que pode permitir ao leitor complacente burlar e sintetizar a infinidade de transmissões, mas, ainda, que é capaz de instilar no leitor/ouvinte a intenção de (por Rilke) mudar de vida.

Escrita de poesia

Sibila: O que você espera ao escrever poesia?

Scappettone: Da poesia espero que a língua seja canalizada para reconfigurar a experiência, para transmitir alguma coisa que ainda não sabia, sobre história, política, sentir. Dela espero que o faça sem concessões, constantemente. Penso a poesia como o depósito da memória – não apenas para minha experiência peculiar, mas para as memórias daqueles outros incontáveis que têm lutado com a língua, tanto como escritores, quanto como falantes, alterando devagar nossas táticas de comunicação pelo espaço e pelo tempo, por meio de milhares de microdeslocamentos do significado. O poeta Emilio Villa gastou dezenas de anos compilando um dicionário etimológico renegado da língua italiana e um dicionário de mitos em pedaços de papel e em inúmeros cartões reciclados de convites de vernissages, nos anos do “milagre econômico” do pós-guerra. Ele estava rastreando a migração das línguas pelo tempo e pelo espaço, sem se importar com os preconceitos da visão eurocêntrica, e tentando diagramar isso em versos. Tenho um grande entusiasmo por esse tipo de trabalho.

Sibila: Qual o melhor efeito que você imagina para a prática da poesia?

Scappettone: Uma participação consciente nos processos da memória e da compreensão, como os descritos acima, como indivíduo e como parte de um coletivo. Enquanto trabalhadores da língua, podemos redefinir a compreensão e o engajamento no desastre sublime que é o atual sistema do mundo.

Sibila: Você acha que a sua poesia tem interesse público?

Scappettone: Espero que em sua opacidade, que – admito – limita sua acessibilidade enquanto “mensagem”, minha poesia esteja construindo uma experiência contra redes de comunicação e transferência de informação aparentemente transparentes que dominam todo tipo de discurso, desde o popular Hallmark ou Upworthy, até o esotérico e o acadêmico, com suas táticas de marketing e de rastreamento, de falsa urgência e de exclusões inevitáveis. Para citar Édouard Glissant, vertido para o inglês por Nathanael Mackey, “a poética do relacionamento parte do princípio de que para cada um é proposta a densidade (a opacidade) do outro. Quanto mais o outro resista em sua compactação ou em sua fluidez (sem se limitar a isso), mais sua realidade se torna expressiva e mais o relacionamento se torna fecundo”. Tratar uma experiência de linguagem como música confusa ou rumor “encarnado” põe em movimento uma espécie de enfrentamento que pode ser incômodo, rico, transitivo.

Jennifer Scappettone and Marco Ariano of the Difforme Ensemble at Cinema Palazzo in Rome, performing Exit 43. Credit: Pietro D’Agostino.

Jennifer Scappettone and Marco Ariano of the Difforme Ensemble at Cinema Palazzo in Rome, performing Exit 43. Credit: Pietro D’Agostino.

Publicação de poesia

Sibila: Qual o melhor suporte para a sua poesia?

Scappettone: Cada vez mais eu acho que meu trabalho é enriquecido pela tradução em formas e contextos diferentes; alguns elementos recentes de meu futuro livro em preparo, Exit 43, chegaram a nascer como já digitais e dependem desse tipo de navegação e de mudança algorítmica. Embora a esfera da língua literária inglesa seja notadamente conservadora, mesmo nos círculos “inovadores”, e ainda privilegie o poema antologizável e o livro, acima de tudo, eu tenho me inspirado em poetas como Tan Lin e Caroline Bergvall, para quem a página é apenas uma das matrizes possíveis. Aprendendo com poetas concretos, por exemplo, e graças à longa colaboração com musicistas e dançarinos, cheguei a pensar na poesia como uma partitura ou trilha semivisual para a performance, que se aloja silenciosamente na mente do leitor individual, ou social, ou múltiplo.

Sibila: Qual o melhor resultado que você espera da publicação da sua poesia?

Scappettone: Algumas leituras atentas de colegas e – espero – de desconhecidos, pelos anos que virão. Leituras essas anacrônicas, no sentido de que elas não podem ser cerceadas por um “gosto”. Leituras que fazem amigos: isso é o que conta, na vida.

Sibila: Qual o melhor leitor de seu livro de poesia?

Scappettone: Meus leitores mais imediatos são aqueles da comunidade da arte experimental. Os músicos parecem “captar” minha poesia, embora possa parecer abstrusa, no começo; eu tenho que superar minha aversão pelo lirismo enquanto contrapensamento e encontrar meios subversivos de ocupar-me dessa modalidade, de vez em quando, de maneira que possa ser ouvida. Eu posso ser um poeta para poetas, uma vez que não consigo deixar de deleitar-me com o passado da língua, mas em performances de poemas corais eu compus inspirando-me na sujeira que nos cerca, em lugares como depósitos de lixo, um teatro ocupado, um centro social em Roma. Descobri que um grande número de ouvintes estão abertos ao desafio de mergulhar nesses poemas. Quem sabe isso seja ajudado pelo fato de que esse problema nos toca a todos, de uma forma que a língua não pode exprimir.

Sibila: O que você mais gostaria que acontecesse após a publicação da sua poesia?

Scappettone: Eu gostaria que a publicação de minha poesia propiciasse uma hora de desalienação para alguém, uma discussão entre desconhecidos, uma melodia, uma festa dançante.

*  *  *

Papoulas na jarra

Crepúsculo violáceo
espartilhos enclausurados,
romãs sob o elástico
largadas por um vidro-Oz,

desilusão
alargada pelas prateleiras-pilares
pajeando sobre o pufe:

sua conversa forjou um jogo
entre os vãos cítricos
e a toalha imersa na taça
e sálvia picada
ou claros páleo-pinhões clivados.

Pós-moderno, emerso
Califórnia com a erva,
Qual banqueiro exala
tão fragrante platitude
quanto esse jargão errante?

Tradução: Aurora Bernardini e John D. Rowell

Vase Poppies

Lavenderish dusk
strapped for stays,
pomegranates under the rubberband
chucked for a glass Oz,

letdown
splayed by the pillar-shelves
to page upon the ottoman:

his talk has wrought suit
amid citrus gapes
and pall dunked in the bowl
and grated sage
or cleaved clear paleo-pines.

Postgeist, upcast
California upon weed,
what banker yields
so fragrant a cant
as this vagrant cant?

Ouça mais

*  *  *

Reading poetry

Sibila: Do you read poetry?

Scappettone: Yes, but poetry is only one of the types of literature I read; I feel it’s important to read well beyond entrenched generic boundaries and beyond my own predilections as an author, and this turns out to be the habit of many of my most cherished contemporaries, from Amelia Rosselli to Lyn Hejinian, Lisa Robertson, and Judith Goldman. Then again, it’s important to reserve time to keep up with one’s comrades in species of verse because in the face of today’s injunctions to absorb as much information as possible as efficiently as possible, poetry easily assumes the status of an extravagance, reserved for liberated moments of intimacy with a text. It demands its own endangered species of time.

Sibila: What kind of poetry do you read?

Scappettone: I try to read poetry in the original language, or to compare original with translation, which means I can best follow Anglo-American, Anglophone, and Italian poetry, and have various degrees of nutritive contact with poetry written in French, Portuguese, Spanish, and Japanese. Otherwise I do the research to find compelling translations by translators I trust, whether of the literal or wildly errant kind (Ezra Pound, Haroldo de Campos, Anne Carson, Pierre Joris). Research leads me to spend much of my time with experimental modern and contemporary poetry, but I relish reading historical poetry and like to spend time with the oldest surviving translations of antique texts. Lately I’ve been enjoying the highly lyrical constructs of Christina and Dante Gabriel Rossetti—those late, belated examples of ornament and unironic rhyme. And one can’t read enough Emily Dickinson.

Sibila: Do you think that reading poetry would produce any effect?

Scappettone: For me, poetry is compelling insofar as it cross-examines the accepted decorum of language and cognition—as it slows down perception and exceeds the transmission of information, story, theory. Poetry is a species of thinking, and a species of music—precious when it’s the music, however dissonant or imperceptible, driving the thinking nondiscursively rather than the other way around. A poem can also act as a political slap in the face: it can awaken by conveying untrammeled voices of dispute, near and remote, and stripping away familiar domesticating rhetoric. I’d like to think that a poem can transmit the same data contained in a newspaper article that would allow the complacent reader to tsk-tsk and resume scanning the thousand broadcasts, but instill in the listener instead a resolve that she has to (per Rilke) change her life.

Writing poetry

Sibila: What do you expect from writing poetry?

Scappettone: I expect the language being channeled to reconfigure experience, to transmit something I didn’t already know—about history, politics, feeling. I expect it to do so mercilessly, unremittingly. I think of poetry as a storehouse of memory—not only for my own mereness of experience, but for those of countless recorded and nameless others who have struggled with language, either as writers or speakers, slowly altering our tactics of communication across space and time through myriad microdisplacements of meaning. The poet Emilio Villa spent decades of his life compiling a renegade etymological dictionary of the Italian language and a dictionary of myth on bits of paper and card stock recycled from art opening invitations in the years of the postwar “economic miracle”. He was tracking the migration of tongues over time and space, without regard to the prejudices of a Eurocentric outlook, and trying to chart that in his verse. I have such ardor for that kind of work.

Sibila: In your opinion, which is the best effect one can get from practicing poetry?

Scappettone: Conscious participation in the processes of memory and understanding described above, as an individual and as part of a collective. As workers in language we can redefine comprehension and involvement in the sublime disaster that is the current world system.

Sibila: Do you think your poetry has any public value?

Scappettone: I hope that in its opacity, which admittedly limits its accessibility as “message,” it constructs an experience that cuts against the seemingly transparent networks of communication and information transferral that dominate discourse of all sorts, from the Hallmark – or Upworthy-popular to the esoteric and academic, with their marketing and surveillance tactics, false urgency and inevitable exclusions. To quote Édouard Glissant as brought into English by Nathanaël, “the poetics of relation assumes that to each is proposed the density (the opacity) of the other. The more the other resists in his thickness or his fluidity (without being limited to it), the more his reality becomes expressive, and the more fecund the relation”. To oblige an experience of language as confused music or noise incarnate sets into motion a sort of grappling that can be vexatious, rich, transitive.

Publishing poetry

Sibila: Which is the best support for your poetry?

Scappettone: I find increasingly that my work is enriched through translation among different forms and contexts; some recent elements of my would-be book in progress, Exit 43, have even been born digital and depend on that possibility of navigation and algorithmic change. Though the English-language literary sphere is remarkably conservative, even in “innovative” circles, and still privileges the individual’s anthologizable poem and the book above all, I have been inspired by poets like Tan Lin and Caroline Bergvall, for whom the page is only one possible matrix. Learning from the concrete poets, for example, and from collaboration with musicians and dancers over the years, I’ve come to think of poetry as a semi-visual score for performance, whether silent, taking place in the mind of an individual reader, or social and uproarious.

Sibila: Which is the best result you expect from the publishing of your poetry?

Scappettone: A few thoughtful readings by comrades and, I hope, strangers over the years. Readings that are anachronistic, in the sense that they can’t be encompassed by a “like”. Readings that make friendship happen: this makes for life.

Sibila: Who is the best reader of your poetry?

Scappettone: My most immediate readers are those in the experimental art community. Musicians seem to “get” my poetry, though it can at first seem abstruse; I had to get over my aversion to lyricism as anti-thought and find a subversive means of occupying that mode from time to time, so that it can be heard. I may be a poet’s poet because I can’t resist delectating in languages past, but in performance of the choral poems I’ve composed surrounding toxicity at places like a garbage dump, an occupied theater, and a centro sociale in Rome, I have found that a wide range of listeners are open to the challenge of being immersed in them; perhaps it’s helped by the fact that this problem touches all of us in a way we have no language for.

Sibila: What would you most like to happen after the publication of your poetry?

Scappettone: I would love for it to spur somebody’s unalienated hour, a discussion among strangers, a melody, a dance party.

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Leia a série completa

 

Lugares contemporâneos da poesia

Concepção do projeto: Alcir Pécora e Régis Bonvicino
Texto introdutório: Alcir Pécora
Realização: Régis Bonvicino, com a colaboração de Aurora Bernardini e Charles Bernstein

Há reiterados momentos do contemporâneo em que a prática da poesia se parece exatamente apenas uma prática, uma empiria, uma rotina. Faz-se poesia porque poesia é feita. Edita-se poesia porque livros de poesia são editados e foram editados. Por que não continuar editando-os?

Mas qual o significado da arte, quando a arte se reduz a empiria, procedimento habitual que não problematiza os seus meios? Que deixa de inventar os seus próprios fins? Que não desconfia de sua forma conhecida, nem arrisca um lance contra si, inconformada?

Para tentar saber o que pensam a respeito da poesia que produzem alguns dos mais destacados poetas estrangeiros em ação hoje, a Revista Sibila propôs-lhes algumas perguntas simples, primitivas até – silly questions! –, cujo escopo principal é deixar de tomar como naturais ou óbvios os automatismos da prática.

Trata-se de saber dos poetas, da maneira mais direta possível, o que ainda os move a ler, a escrever e a lançar um livro de poesia – ou, mais genericamente, a publicar poesia, seja qual for o suporte.

A condição de, por ora, ouvir apenas os estrangeiros é estratégica aqui. Convém evitar respostas que possam ser neutralizadas a priori por posicionamentos desconfiados de vizinhança.

Leitura de poesia, esforço de poesia e publicação de poesia: nada disso é compulsório, nada disso se explica de antemão. Tudo o que se faz, nesse domínio, é fruto de exigência apenas imaginária. Nada obriga, a não ser a obrigação que se inventa para si.

A revista Sibila quer saber que invenção é essa. Ou seja: o que os poetas ainda podem imaginar para a prática que os define como poetas.

Contemporary places for poetry

There are plenty of moments in our current life when the practice of poetry seems exactly a practice, something empirical, a kind of routine. One makes poetry because poetry has been made. One publishes poetry because books of poetry are published and were published, why not going on publishing them?

But what meaning does art have when art is reduced to empiricism, the habitual procedure which doesn’t discuss its means? Which doesn’t any longer make up its own aims? Which is not suspicious of its usual form, nor runs the risk of a move against itself, unresigned?

Trying to know what some of the most distinguished foreign poets in action today think about their own poetry, Sibila proposed some very simple questions, some naïve questions – silly questions! –, whose principal aim is no longer to consider as natural ( as obvious) the automatisms of the poetical practice.

Sibila asks the poets to tell in the more direct way what still moves them to read, to write, to publish a book of poetry – or, more generically, to publish poetry, in whatever support.

The choice, for the moment, to listen only to foreign poets’ voice is a strategic one. It’s better to avoid answers which would be neutralized a priori, due to suspicious neighbourly attitudes.

Reading poetry, straining to write poetry, publishing poetry: not at all compulsory, all this, not at all explainable in advance. Everything you do in this domain is the result of mere imaginary exacting. Nothing obliges you, unless the obligation you invent yourself, for yourself. Sibila wants to know what kind of invention is that. Id est: what poets may still make up for the practice which defines them as poets.