Sibila, lugares contemporâneos da poesia: Jean-Jacques Viton

JEAN-JACQUES VITON nasceu em 1933. Vive em Marselha. Passou a infância em Londres, 1934-1940. Voltou a residir em sua cidade natal, Marselha, durante a Segunda Guerra Mundial. Em seguida, mudou-se para Casablanca, Marrocos, 1945-1953. Navegou pelo mundo como funcionário da Marinha francesa entre 1955 e 1958. Foi administrador do Teatro Quotidien em Marselha (1958-1963). Membro do conselho editorial da revista Action Poétique, de 1963 a 1965, e novamente a partir de 1991. Colunista de teatro no diário La Marseillaise, Marselha (1964-1970). Cofundador e membro do conselho editorial da revista Manteia (1967-1974). Foi colaborador do Centro Literário Antoine Bourseiller (1971-1973). Cofundador, com Liliane Giraudon, do jornal Banana Split (1980-1990). Cofundador (1982) de Manicle Quartet (com Nanni Balestrini, Jill Bennett e Liliane Giraudon), que faz música com os poemas dos quatro poetas mencionados. Cofundador (2000), com Liliane Giraudon, de Comptoirs de La Nouvelle B. S.

Leitura de poesia

Sibila: Você lê poesia?

Viton: Sim, claro, e leio também prosa, romances, ensaios, novelas. Ler poesia é uma necessidade, para mim.

Sibila: Que poesia você lê?

Viton: Francesa, italiana, americana, alemã, portuguesa, espanhola (geralmente, em tradução).

Sibila: Você acha que a leitura de poesia tem algum efeito?

Viton: Sim, para mim sem dúvida alguma. Se eu não tivesse lido os objetivistas americanos (Reznikoff, Oppen, Zukofsky) e os novíssimos italianos (Sanguineti, Balestrini, Porta…), com certeza eu não teria conseguido descobrir como escrever.

Escrita de poesia

Sibila: O que você espera ao escrever poesia?

Viton: Simplesmente uma resposta necessária a esta pergunta…

Sibila: Qual o melhor efeito que você imagina para a prática da poesia? Você acha que a sua poesia tem interesse público?

Viton: Nenhum! Ou um pouco de curiosidade por uma leitura séria!

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Publicação de poesia

Sibila: Qual o melhor suporte para a sua poesia?

Viton: A publicação atenta de meu trabalho por parte de meu editor (P.O.L.).

Sibila: Qual o melhor resultado que você espera da publicação da sua poesia?

Viton: O interesse crescente dos compradores nas livrarias.

Sibila: Qual o melhor leitor de seu livro de poesia?

Viton: Aquele que me escreve dizendo por que minha poesia lhe agrada.

Sibila: O que você mais gostaria que acontecesse após a publicação da sua poesia?

Viton: Honestamente, não sei o que responder.

Ouça Jean Jacques Viton

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Lecture de poesie

Sibila: Lisez-vous de la poésie?

Viton: Oui bien entendu et je lis aussi de la prose, romans, essais, nouvelles, mais j’estime que lire de la poésie m’est nécessaire.

Sibila: Quel genre de poésie?

Viton: Française, italienne, américaine, allemande, portugaise, espagnole (pour la plupart en traduction).

Sibila: Pensez-vous que la lecture de poésie produit quelque effet?

Viton: Oui pour moi sans aucun doute. Si je n’avais pas lu les objectivistes américains (Reznikoff, Oppen, Zukofsky), les novissimi italiens (Sanguineti, Porta, Balestrini…)etc…, je n’aurais sans doute pás réussi à trouver comment écrire.

Ecriture de poesie

Sibila: Qu’est-est ce que vous attendez en écrivant de la poésie?

Viton: Simplement une réponse nécessaire à cette interrogation….

Sibila: Quel est le meilleur effet que vous imaginez pour la pratique de la poésie? Pensez-vous que votre poésie pourra avoir une certaine valeur pour le public? laquelle ?

Viton: Aucune! Ou un peu de curiosité pour une lecture sérieuse!

Publication de poesie

Sibila: Quel est le meilleur support pour votre poésie?

Viton: L’attentive publication de mon travail par mon éditeur (P.O.L.).

Sibila: Quel résultat le plus intéressant que vous attendez de la publication de votre poésie?

Viton: L’intérêt croissant des acheteurs en librairies!

Sibila: Quel est le meilleur lecteur de votre livre de poésie?

Viton: Celui qui m’écrit en me disant pourquoi cette poésie lui plait.

Sibila: Quelle est la chose la plus intéressante qui pourrait se produire pour vous après la publication de votre poésie ?

Viton: Très honnêtement, je ne sais pas quoi vous répondre!

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Leia a série completa

 

Lugares contemporâneos da poesia

Concepção do projeto: Alcir Pécora e Régis Bonvicino
Texto introdutório: Alcir Pécora
Realização: Régis Bonvicino, com a colaboração de Aurora Bernardini e Charles Bernstein

Há reiterados momentos do contemporâneo em que a prática da poesia se parece exatamente apenas uma prática, uma empiria, uma rotina. Faz-se poesia porque poesia é feita. Edita-se poesia porque livros de poesia são editados e foram editados. Por que não continuar editando-os?

Mas qual o significado da arte, quando a arte se reduz a empiria, procedimento habitual que não problematiza os seus meios? Que deixa de inventar os seus próprios fins? Que não desconfia de sua forma conhecida, nem arrisca um lance contra si, inconformada?

Para tentar saber o que pensam a respeito da poesia que produzem alguns dos mais destacados poetas estrangeiros em ação hoje, a Revista Sibila propôs-lhes algumas perguntas simples, primitivas até – silly questions! –, cujo escopo principal é deixar de tomar como naturais ou óbvios os automatismos da prática.

Trata-se de saber dos poetas, da maneira mais direta possível, o que ainda os move a ler, a escrever e a lançar um livro de poesia – ou, mais genericamente, a publicar poesia, seja qual for o suporte.

A condição de, por ora, ouvir apenas os estrangeiros é estratégica aqui. Convém evitar respostas que possam ser neutralizadas a priori por posicionamentos desconfiados de vizinhança.

Leitura de poesia, esforço de poesia e publicação de poesia: nada disso é compulsório, nada disso se explica de antemão. Tudo o que se faz, nesse domínio, é fruto de exigência apenas imaginária. Nada obriga, a não ser a obrigação que se inventa para si.

A revista Sibila quer saber que invenção é essa. Ou seja: o que os poetas ainda podem imaginar para a prática que os define como poetas.

Contemporary places for poetry

There are plenty of moments in our current life when the practice of poetry seems exactly a practice, something empirical, a kind of routine. One makes poetry because poetry has been made. One publishes poetry because books of poetry are published and were published, why not going on publishing them?

But what meaning does art have when art is reduced to empiricism, the habitual procedure which doesn’t discuss its means? Which doesn’t any longer make up its own aims? Which is not suspicious of its usual form, nor runs the risk of a move against itself, unresigned?

Trying to know what some of the most distinguished foreign poets in action today think about their own poetry, Sibila proposed some very simple questions, some naïve questions – silly questions! –, whose principal aim is no longer to consider as natural ( as obvious) the automatisms of the poetical practice.

Sibila asks the poets to tell in the more direct way what still moves them to read, to write, to publish a book of poetry – or, more generically, to publish poetry, in whatever support.

The choice, for the moment, to listen only to foreign poets’ voice is a strategic one. It’s better to avoid answers which would be neutralized a priori, due to suspicious neighbourly attitudes.

Reading poetry, straining to write poetry, publishing poetry: not at all compulsory, all this, not at all explainable in advance. Everything you do in this domain is the result of mere imaginary exacting. Nothing obliges you, unless the obligation you invent yourself, for yourself. Sibila wants to know what kind of invention is that. Id est: what poets may still make up for the practice which defines them as poets.

Sobre Jean-Jacques Viton

Nasceu em 1933. Vive em Marselha. Passou a infância em Londres, 1934-1940. Voltou a residir em sua cidade natal, Marselha, durante a Segunda Guerra Mundial. Em seguida, mudou-se para Casablanca, Marrocos, 1945-1953. Navegou pelo mundo como funcionário da Marinha francesa entre 1955 e 1958. Foi administrador do Teatro Quotidien em Marselha (1958-1963). Membro do conselho editorial da revista Action Poétique, de 1963 a 1965, e novamente a partir de 1991. Colunista de teatro no diário La Marseillaise, Marselha (1964-1970). Cofundador e membro do conselho editorial da revista Manteia (1967-1974). Foi colaborador do Centro Literário Antoine Bourseiller (1971-1973). Cofundador, com Liliane Giraudon, do jornal Banana Split (1980-1990). Cofundador (1982) de Manicle Quartet (com Nanni Balestrini, Jill Bennett e Liliane Giraudon), que faz música com os poemas dos quatro poetas mencionados. Cofundador (2000), com Liliane Giraudon, de Comptoirs de La Nouvelle B. S.