Sibila, lugares contemporâneos da poesia: Felipe Cussen

FELIPE CUSSEN, nascido em Santiago de Chile, 1974, é poeta, músico e ensaísta, com vários livros publicados, entre eles Opinología, Mil versos chilenos (antologia editada com Marcela Labraña) e Título. Doutor em Ciências Humanas pela Universidade Pompeu Fabra, é pesquisador do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de Santiago de Chile. Sua pesquisa centrou-se, por um tempo, no campo da literatura comparada, especialmente na poesia hermética, literatura experimental e misticismo. Atualmente investiga as relações entre poesia contemporânea e música eletrônica. Faz, também, com o mesmo interesse, poemas visuais, poemas sonoros, vídeos e performances. Ele já trabalhou com o músico Ricardo Luna em obras que combinam música, poesia e projeções visuais. Cussen é membro do Foro de Escritores e da Orquestra de Poetas.

Leitura de poesia

Sibila: Você lê poesia?

Cussen: Sim.

Sibila: Que poesia você lê?

Cussen: Tento ler poesia de diferentes países, especialmente poesia experimental e também me interessa a poesia em outros formatos, como a poesia visual, a poesia sonora etc.

Sibila: Você acha que a leitura de poesia tem algum efeito?

Cussen: O principal efeito da poesia, tal como do romance, da música, ou de qualquer outra forma de arte, é a possibilidade de conceber outras formas de ordenação da língua, os sons, as imagens etc.

Escrita de poesia

Sibila: O que você espera ao escrever poesia?

Cussen: Espero construir um objeto (seja linguístico, visual ou sonoro) que possua seu próprio funcionamento, independente de mim.

Sibila: Qual o melhor efeito que você imagina para a prática da poesia?

Cussen: O melhor efeito para a prática da poesia é uma maior atenção para com as coisas e as formas de percebê-las.

Sibila: Você acha que a sua poesia tem interesse público?

Cussen: Não.

 Cussen em primeiro plano na foto

Cussen em primeiro plano na foto

Publicação de poesia

Sibila: Qual a melhor suporte para a sua poesia?

Cussen: Creio que os apoios externos (dinheiro, tempo etc.) são úteis, porém de nada servem se não se trabalhar com rigor e afã de exploração.

Sibila: Qual o melhor resultado que você espera da publicação da sua poesia?

Cussen: Que possa ser lida por pessoas que não conheço.

Sibila: Qual o melhor leitor de seu livro de poesia?

Cussen: Quem quiser lê-la sem preconceitos.

Sibila: O que você mais gostaria que acontecesse após a publicação da sua poesia?

Cussen: Gostaria simplesmente que interessasse a algumas pessoas. Não. Minto. O que mais gostaria que acontecesse seria que me convidassem para a TV.

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Conheça os trabalhos de Felipe Cussen

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Leitura de poesia

Sibila: Você lê poesia?

Cussen: .

Sibila: Que poesia você lê?

Cussen: Intento leer poesía de distintos países y épocas, especialmente poesía experimental, y también me interesa la poesía en otros formatos, como la poesía visual, poesía sonora etc.

Sibila: Você acha que a leitura de poesia tem algum efeito?

Cussen: El principal efecto de la poesía, al igual que las novelas, la música, o cualquier forma de arte, es la posibilidad de concebir otras formas de ordenamiento del lenguaje, los sonidos, las imágenes etc.

Escrita de poesia

Sibila: O que você espera ao escrever poesia?

Cussen: Espero construir un objeto (ya sea lingüístico, visual o sonoro) que tenga su propio funcionamiento, independiente de mí.

Sibila: Qual o melhor efeito que você imagina para a prática da poesia?

Cussen: El mejor efecto de la práctica de poesía es una mayor atención sobre las cosas y las formas de percibirlas.

Sibila: Você acha que a sua poesia tem interesse público?

Cussen: No.

Publicação de poesia

Sibila: Qual a melhor suporte para a sua poesia?

Cussen: Creo que los apoyos externos (dinero, tiempo etc.) son útiles, pero no sirven de nada si no se trabaja con rigor y afán de exploración.

Sibila: Qual o melhor resultado que você espera da publicação da sua poesia?

Cussen: Que la puedan leer personas a quienes no conozco.

Sibila: Qual o melhor leitor de seu livro de poesia?

Cussen: Cualquiera que quiera leer sin prejuicios.

Sibila: O que você mais gostaria que acontecesse após a publicação da sua poesia?

Cussen: Me gustaría simplemente que a algunas personas les interese. Pero no, estoy mintiendo. Lo que más me gustaría que ocurriera es que me inviten a la televisión.

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Leia a série completa

 

Lugares contemporâneos da poesia

Concepção do projeto: Alcir Pécora e Régis Bonvicino
Texto introdutório: Alcir Pécora
Realização: Régis Bonvicino, com a colaboração de Aurora Bernardini e Charles Bernstein

Há reiterados momentos do contemporâneo em que a prática da poesia se parece exatamente apenas uma prática, uma empiria, uma rotina. Faz-se poesia porque poesia é feita. Edita-se poesia porque livros de poesia são editados e foram editados. Por que não continuar editando-os?

Mas qual o significado da arte, quando a arte se reduz a empiria, procedimento habitual que não problematiza os seus meios? Que deixa de inventar os seus próprios fins? Que não desconfia de sua forma conhecida, nem arrisca um lance contra si, inconformada?

Para tentar saber o que pensam a respeito da poesia que produzem alguns dos mais destacados poetas estrangeiros em ação hoje, a Revista Sibila propôs-lhes algumas perguntas simples, primitivas até – silly questions! –, cujo escopo principal é deixar de tomar como naturais ou óbvios os automatismos da prática.

Trata-se de saber dos poetas, da maneira mais direta possível, o que ainda os move a ler, a escrever e a lançar um livro de poesia – ou, mais genericamente, a publicar poesia, seja qual for o suporte.

A condição de, por ora, ouvir apenas os estrangeiros é estratégica aqui. Convém evitar respostas que possam ser neutralizadas a priori por posicionamentos desconfiados de vizinhança.

Leitura de poesia, esforço de poesia e publicação de poesia: nada disso é compulsório, nada disso se explica de antemão. Tudo o que se faz, nesse domínio, é fruto de exigência apenas imaginária. Nada obriga, a não ser a obrigação que se inventa para si.

A revista Sibila quer saber que invenção é essa. Ou seja: o que os poetas ainda podem imaginar para a prática que os define como poetas.

Contemporary places for poetry

There are plenty of moments in our current life when the practice of poetry seems exactly a practice, something empirical, a kind of routine. One makes poetry because poetry has been made. One publishes poetry because books of poetry are published and were published, why not going on publishing them?

But what meaning does art have when art is reduced to empiricism, the habitual procedure which doesn’t discuss its means? Which doesn’t any longer make up its own aims? Which is not suspicious of its usual form, nor runs the risk of a move against itself, unresigned?

Trying to know what some of the most distinguished foreign poets in action today think about their own poetry, Sibila proposed some very simple questions, some naïve questions – silly questions! –, whose principal aim is no longer to consider as natural ( as obvious) the automatisms of the poetical practice.

Sibila asks the poets to tell in the more direct way what still moves them to read, to write, to publish a book of poetry – or, more generically, to publish poetry, in whatever support.

The choice, for the moment, to listen only to foreign poets’ voice is a strategic one. It’s better to avoid answers which would be neutralized a priori, due to suspicious neighbourly attitudes.

Reading poetry, straining to write poetry, publishing poetry: not at all compulsory, all this, not at all explainable in advance. Everything you do in this domain is the result of mere imaginary exacting. Nothing obliges you, unless the obligation you invent yourself, for yourself. Sibila wants to know what kind of invention is that. Id est: what poets may still make up for the practice which defines them as poets.

Sobre Felipe Cussen

Es Doctor en Humanidades de la Universitat Pompeu Fabra e investigador del Instituto de Estudios Avanzados de la Universidad de Santiago de Chile. Sus investigaciones se han centrado en el ámbito de la literatura comparada, especialmente en el hermetismo poético, la literatura experimental y la mística. Junto a Marcela Labraña editó la antología Mil versos chilenos. Ha publicado los libros de poesía Mi rostro es el viento, Esto es la globalización: y Deshuesos, y la novela Título, y también ha presentado poemas visuales, poemas sonoros, videos y performances. Ha trabajado con el músico Ricardo Luna en obras que combinan música, poesía y proyecciones visuales. Es miembro del Foro de Escritores.