Sibila, lugares contemporâneos da poesia: Tarássik Petritchenka

TARÁSSIK PETRITCHENKA, nascido em 1975, é escritor, compositor e produtor teatral. Vive e trabalha em São Petersburgo. Um dos fundadores do Союз Рыжих [Soiuz Ryjikh], grupo que reúne músicos e artistas de áreas diversas.

Colaborador de várias publicações, em 2008 lança seu primeiro livro, Gata, em São Petersburgo. Os contos de Gata transitam com singular sensibilidade entre o real e o fantástico. Concisa e com elementos do nonsense, sua narrativa dialoga com a de escritores como Mikhail Bulgákov (1859-1907) e Daniil Kharms (1905-1942).

No ensaio “Sobre Gata e Kharms” (Jurnalnii Zal, 2008), Igor Sukhikh, crítico literário e professor da Universidade Estatal de São Petersburgo, ao comparar a poética de Tarássik Petritchenka com a de Daniil Kharms, um dos grandes nomes do vanguardismo russo, mostra que o absurdo e o estranhamento de Kharms estão presentes em Gata, mas aqui de algum modo esses elementos “se reconciliam com a realidade” – como se as histórias de Petritchenka aceitassem, com um sorriso irônico e compreensivo, o inverossímil e o insensato próprios do real.

Leitura de poesia

Sibila: Você lê poesia?

Petritchenka: A poesia se situa próxima da música, muito mais do que a prosa, que só raramente é musical. A poesia é mais íntima e nua. E o que seria da vida se não houvesse música? Os belos movimentos do espírito são “música”. Sim, eu leio poesia. Porque seu nascimento é semelhante a uma descoberta. Porque ela é milagre.

Sibila: Que poesia você lê?

Petritchenka: Leio Khlébnikov, Púshkin, Blok, Maiakóvski e Egor Létov. Torno também a ler meus versos, pois como que eu os esqueço.

Sibila: Você acha que a leitura de poesia tem algum efeito?

Petritchenka: A poesia pode provocar efeitos sim, sem dúvida, se os versos são bons a ponto de sacudirem a alma. Por seu efeito emocional, pela beleza do som e pelos achados léxicos.

Escrita de poesia

Sibila: O que você espera ao escrever poesia?

Petritchenka: O desejo de dar o que deve ser dado. Ao ouvir poesia, sentimos a necessidade de escrevê-la. Ela deve ser escrita. Isso é semelhante ao desejo animal de evacuar. Mas é … divino.

Sibila: Qual o efeito mais forte que você imagina para a prática da poesia?

Petritchenka: O suicídio. A revolução.

Sibila: Você acha que a sua poesia tem interesse público?

Petritchenka: Isso não me interessa. Hoje, com os meios de comunicação e o “zelo” necessários podem-se obrigar as pessoas a ler qualquer coisa que se queira. A Rússia é um exemplo. O tempo fará a diferença.

Petritchenka2

Publicação de poesia

Sibila: Qual o melhor suporte para a sua poesia?

Petritchenka: O eco em uma pessoa em que algo aconteceu. O leitor que sentiu alguma coisa. O leitor que, possivelmente, percebeu o que eu fiz para a expressão de uma ou outra situação, as tarefas da criação de poesia.

Sibila: Qual o melhor resultado que você espera da publicação da sua poesia?

Petritchenka: A satisfação de presentear a edição a meus conhecidos.

Sibila: Qual o melhor leitor de seu livro de poesia?

Petritchenka: Os senhores (ou os patrões) [Gospodá]. E as mulheres. É isso que acontece.

Sibila: O que você mais gostaria que acontecesse após a publicação da sua poesia?

Petritchenka: A possibilidade de realizar todos os meus inventos criativos, obras e projetos, como eu os imagino. A emoção (risos). O eco, naturalmente (risos, de novo).

*  *  *

(Чтение стихов)

Sibila: Вы читаете стихи?

Petritchenka: Поэзия близка музыке. Много ближе, чем проза. Редкая проза настолько близка музыкальному. Поэзия более интимна и обнажена. А что такое жизнь, если не музыка? Любое красивое движение души, что, как не музыка. Да, я читаю Поэзию. Потому, что её рождение сродни откровению. Потому что Она есть чудо.

Sibila: Какие стихи вы читаете?

Petritchenka: Перечитываю свои, потому как забываю. Хлебников, Пушкин, Блок, Маяковский, Егор Летов.

Sibila: Вы считаете, что чтение стихов производит какой-нибудь эффект?

Petritchenka: Несомненно, если они хороши настолько, что могут тормошить душу. Как эмоционально, так и красотой звучания и лексическими находками. Я читаю качественную = информативную Поэзию.

(Писание стихов)

Sibila: Что вы ожидаете, когда пишете стихи?

Petritchenka: Желание отдать то, что должен. Коли мы слышим стихи, мы испытываем необходимость их написать. Они должны Быть. Это сродни животному желанию испражняться. Но…Божественным.

Sibila: Какой наиболее сильный эффект, возможен, по вашему мнению, в практике поэзии?

Petritchenka: Суицид. Революция.

Sibila: Вы думаете, что ваши стихи интересуют публику?

Petritchenka: Меня это не интересует. Сейчас при должном рвении и средствах можно заставить людей, читать всё, что угодно. Россия тому пример. Время разберётся.

(Публикация стихов)

Sibila: Что может быть лучшей поддежкой для вашиx стихов?

Petritchenka: Отклик отдельного человека, для которого что-то произошло. Он что-то почувствовал. Возможно ощутил, что я сделал для выражения того или иного состояния, задачи стихотворения.

Sibila: Какой результат вы ожидаете от публикации ваших стихов?

Petritchenka: Приятное удовольствие подарить их издание своим знакомым.

Sibila: Кого вы считаете лучшим читателем вашей книги стихов?

Petritchenka: Господа. Он – лучший читатель. И женщин. Так уж получается.

Sibila: Какие результаты были бы для вас наиболее желательными после публикации ваших стихов?

Petritchenka: Возможность реализовать все мои творческие замыслы, произведения и проекты так, как я их вижу. Это эмоция. (Улыбается). Отклик, конечно. (снова улыбается).

*  *  *

Durante

No mês de julho esvoaça a borboleta,
Noite branca, os dedos despregados.
Quem adivinha você, hoje?
Quem faz a menina gargalhar?

Quem cura calmamente? O verso branco?
Quem beija sardas na cara? A cicatriz?
Quem beija os lábios, os pés, as mãos?
Quem lhe dá uma gaiola, para ser feliz?

Seremos idiotas ou de fato não percebes?
Com tantos beijos, não o crucificamos?
E agora dizemos – “como nós ousamos?”
Além daqueles que disparam “que cacete!”

O amanhã começa na cabeça.
O amanhã, melhor não ter começo.
“Quem é?” ou “Isto é…” ou “Qualquer um!”
O amanhã – é uma coisa à toa.

Faze de conta que não me interesso,
Todos os contos, as danças, as canções…
Mergulhamos no barro … do amanhã.
Já cansados… dose dupla, numa boa!

Tradução: Aurora Bernardini

За

За июль послушно бабочка порхает,
Белой ночи растопырив пальцы.
Кто тебя сегодня угадает?
Кто заставит девочку смеяться?

Кто, как белый стих, спокойно лечит?
Кто целует родинки – запястья?
Кто целует ноги, губы, плечи?
Кто подарит клеточку на счастье?

Мы ли идиоты в самом деле?
Мы ли распинались в поцелуях?
И теперь всегда – «как мы посмели?»
Мимо тех, кто был «какого хуя?»

Завтра начинается на совесть.
Завтра, лучше б ты не начиналось.
«Кто есть?» или «Кто-нибудь!» и «То есть…»
Завтра – это маленькая малость.

Сделай вид, что я не интересен,
Все эти рассказы, пляски, песни…
Мы ныряем в завтрашнюю плесень.
Мы устали… Наливай по 200!

*  *  *

Um conto de Gata, de Tarássik Petritchenka

AUTOR

Nada pior num livro do que uma introdução. Ela põe tudo a perder, tudo fica chato – um amontoado de parágrafos secos ou, ao contrário, absurdamente entusiasmados que o coitado do autor é obrigado a extrair de si mesmo.

Se estiverem de acordo comigo, parem de ler ISTO, vão direto ao que importa – que ele exista por si… De qualquer maneira será mais honesto.

Mas eu sou obrigado a continuar (disseram que eu tinha que fazer isso) – algo como “de outro jeito não dá”…

É impossível voltar ao que já foi vivido, obrigar-se a mergulhar no que ficou para trás. Já não sou a mesma pessoa de antes, quando este livro Gata estava sendo escrito, atrás da janela ainda sobrava um pouco de outono, mas, ao abri-la, agora eu sorrio. Não sei como, tudo em volta está mais claro, será que…

E, de repente, achei que era isso que eu podia dizer.

Agora tentarei espremer de mim o impossível – “assim é preciso” – aguentem firme aí, já que precisam tanto de uma “Intro-Dução” (sabem de uma coisa, comecem logo a ler a Gata, antes que comecem a achar que já não vale a pena lê-la – pois bem, se forem tão Intrófilos, este livro não é pra vocês: ele é “demasiadamente desligado”).

Que assim seja, vamos adiante.

1. Por que Gata?

Particularmente, não gosto de gatos, apesar de, pela minha natureza, eu ser um gato, caso fôssemos classificados nestas gategorias. Em segundo lugar, a gata na sua essência é uma criatura, a meu ver, inseparável da minha SPb (perdoe-me, Senhor). A gata é seu habitante, algo como seu símbolo. Além disso, a gata é minha assistente no Microsoft Word. Bem, chega.

2. Por que os contos foram dispostos em ordem alfabética? Há alguma razão “sacramental”?

Não há nenhuma razão para isso. Simplesmente o computador (eta, palavrinha, esta) tem o condão de dispor os arquivos em ordem alfabética – foi assim que eles se alojaram na minha memória, foi assim que começaram a ganhar a vida – não os vejo de outro modo (e isso se vê também no conteúdo, pelo menos). Sinto se alguém não gostou.

3. Seria proposital o fato de os contos possuírem “certa inconclusividade” (“um final abrupto”)?

“O autor propositalmente mostra que não é um Escritor no sentido comum, patético e indômito da palavra”… – tenho também este tipo de resposta.
Não irei nem refutar nem reiterar, vamos dizer que então fica assim: a) Eu e o pintor perseguíamos o objetivo de nos aproximarmos do leitor, b) Somos um não pintor e um não escritor. Quanto ao “final abrupto”, é uma “cortina abrupta” – apesar de essa combinação não me agradar.

4. Que pelo menos esta Gata seja do agrado do autor.

“Alguns contos se afastam da trama geral”, assim me disseram; no entanto, não posso nem quero tirá-los da “turma geral” em que estão: para mim, pessoas reais e queridas estão por trás deles – no entanto, a “trama geral”, a meu ver, de maneira alguma foi infringida, e, além disso, alguém ainda pode ficar ofendido… as pessoas são assim mesmo.

5. Na realidade, escrevi Gata para a minha filha, e o pintor o ilustrou para a dele.

Serafina (Anna, você também!), quando você crescer, às vezes as coisas serão difíceis, às vezes você se sentirá triste, isso é normal, isso é a vida… Nesses momentos, você abrirá a Gata e sorrirá: “Olhe o que meu pai fez!”. Às vezes é preciso olhar para algumas coisas com mais alegria, e para outras com mais atenção – então você entenderá como todos nós somos engraçados e notáveis – eis o que Deus inventou! –, entenderá que existem pessoas boas e pessoas idiotas, que existem pessoas que procuram tornar o mundo melhor e pessoas cansadas… Etc. etc.

Aí está.

6. Kin-dza-dza! é o meu filme favorito.

7. Não sei mais o que escrever para vocês…

Com dedicação e paciência, o autor.

АВТОР

Хуже нет в книге, чем вступление. Оно всё портит и делает скучным – куча сухих или, наоборот, нелепо восхитительных абзацев, которые автор вынужден из себя вынуть.

Если вы согласны со мной, не читайте ЭТО далее – идите прямо к сути – пусть она сама за себя… Как-то честнее будет.

А я вынужден продолжать (так мне сказали сделать) – типа «иначе нельзя»…

Невозможно вернуться к тому, что уже прожито, заставить себя погрузиться в то, что ты оставил за спиной. Я уже не такой человечек, каким был, когда писалась эта Книжка (К), и за окном немножко осень, но, открывая её, я улыбаюсь. И всё вокруг как-то светлее что ли…

Вот, пожалуй, и всё, что мне казалось возможным сказать.

Теперь попробую выдавить из себя невозможное – «так надо» – терпите, если вам-таки нужно «ВсТупление»1(лучше, пока не поздно, начните читать К, а то, боюсь, вы, вообще, решите, что читать её не стоит – ну и ладно – раз вы такие Introфилы, это не ваша книга: «слишком легкомысленна».

Ладно, давлю:

1. Почему «КОШКА»?

Лично я не люблю кошек, хотя сам по натуре – кошка, если мы делимся на эти Кат(Кот)Егории2. Во-вторых, кошка – существо, для меня нераздельное с моим СПб3(прости, Господи) – городом. Она – его житель, символ что ли. Кроме того, кошка – мой помощник в MicrosoftWord. Довольно об этом.

2. Почему рассказы расположены по алфавиту? В этом есть «сакральный» смысл?
Никакого смысла в этом нет. Просто компьютер (жуткое слово) имеет свойство располагать файлы4 в алфавитном порядке – так они и отложились в моей памяти, так и стали жить – по-иному я их не воспринимаю. Жаль, если разочаровал кого-то.

3. Специально ли рассказы имеют «некоторую незавершенность» («внезапный конец»)?

«Автор нарочно показывает, что он – не Писатель в общепринятом пафосном и бравом значении этого слова…» – есть у меня и такой отзыв.

Не стану ни опровергать, ни соглашаться – скажем так: а) мы с художником преследовали цель быть ближе к читателю, б) мы – нехудожник и неписатель. А «Внезапный конец» – это «внезапный занавес», хотя мне само сочетание «внезапный конец» не нравится.

4. Пусть хоть эта К понравится автору.

«Некоторые рассказы выбиваются из общей канвы» – так мне сказали – однако, убирать их из «общей толпы» я не могу и не хочу: за ними для меня стоят реальные, дорогие мне люди – т.о. для меня «общая канва» никоим образом не нарушена, да и обидятся ещё… люди-то.

5. На самом деле всю эту книгу я всю эту К я написал для своей дочки, а художник нарисовал для своей.

Серафима (Анна, и ты тоже!), когда ты вырастешь, иногда тебе будет тяжело, иногда грустно – это нормально – жизнь… В такие моменты ты откроешь эту К и улыбнешься: вот папка дал! Иногда надо смотреть веселее на одни вещи, внимательнее на другие – тогда понимаешь, какие мы все забавные и замечательные – вот Бог придумал! – понимаешь, что есть люди добрые / есть – глупые, есть те, кто пытается сделать мир лучше / есть люди уставшие…Ну и т.д. и т.п.

Тут всё!

6. «КИНДЗАДЗА»5 – мой любимый фильм.

7. Не знаю, что ещё вам написать…

С усердием и терпением, Автор.

Notas

  1. [VsTupliénie] “Introdução” em russo, sendo que тупость [túpost] quer dizer “embotamento”, “inexpressividade”, “estupidez”. Na versão em português: “Intro-Dução”.
  2. [Kat(Kot)Egorii] Kot significa “gato”; kategorii, “categorias”. Na tradução: “gategorias”.
  3. [SPb], abreviação de São Petersburgo.
  4. Files, em inglês russificado. Em português, optou-se por “arquivos”.
  5. [Kin-dza-dza], filme de G. Danelia, diretor moscovita nascido em 1930.

Trata-se da introdução ao livro Gata (São Petersburgo, 2008), publicada com autorização do autor.

Tradução: Moissei Mountian.

*  *  *

Leia a série completa

 

Lugares contemporâneos da poesia

Concepção do projeto: Alcir Pécora e Régis Bonvicino
Texto introdutório: Alcir Pécora
Realização: Régis Bonvicino, com a colaboração de Aurora Bernardini e Charles Bernstein

Há reiterados momentos do contemporâneo em que a prática da poesia se parece exatamente apenas uma prática, uma empiria, uma rotina. Faz-se poesia porque poesia é feita. Edita-se poesia porque livros de poesia são editados e foram editados. Por que não continuar editando-os?

Mas qual o significado da arte, quando a arte se reduz a empiria, procedimento habitual que não problematiza os seus meios? Que deixa de inventar os seus próprios fins? Que não desconfia de sua forma conhecida, nem arrisca um lance contra si, inconformada?

Para tentar saber o que pensam a respeito da poesia que produzem alguns dos mais destacados poetas estrangeiros em ação hoje, a Revista Sibila propôs-lhes algumas perguntas simples, primitivas até – silly questions! –, cujo escopo principal é deixar de tomar como naturais ou óbvios os automatismos da prática.

Trata-se de saber dos poetas, da maneira mais direta possível, o que ainda os move a ler, a escrever e a lançar um livro de poesia – ou, mais genericamente, a publicar poesia, seja qual for o suporte.

A condição de, por ora, ouvir apenas os estrangeiros é estratégica aqui. Convém evitar respostas que possam ser neutralizadas a priori por posicionamentos desconfiados de vizinhança.

Leitura de poesia, esforço de poesia e publicação de poesia: nada disso é compulsório, nada disso se explica de antemão. Tudo o que se faz, nesse domínio, é fruto de exigência apenas imaginária. Nada obriga, a não ser a obrigação que se inventa para si.

A revista Sibila quer saber que invenção é essa. Ou seja: o que os poetas ainda podem imaginar para a prática que os define como poetas.

Contemporary places for poetry

There are plenty of moments in our current life when the practice of poetry seems exactly a practice, something empirical, a kind of routine. One makes poetry because poetry has been made. One publishes poetry because books of poetry are published and were published, why not going on publishing them?

But what meaning does art have when art is reduced to empiricism, the habitual procedure which doesn’t discuss its means? Which doesn’t any longer make up its own aims? Which is not suspicious of its usual form, nor runs the risk of a move against itself, unresigned?

Trying to know what some of the most distinguished foreign poets in action today think about their own poetry, Sibila proposed some very simple questions, some naïve questions – silly questions! –, whose principal aim is no longer to consider as natural ( as obvious) the automatisms of the poetical practice.

Sibila asks the poets to tell in the more direct way what still moves them to read, to write, to publish a book of poetry – or, more generically, to publish poetry, in whatever support.

The choice, for the moment, to listen only to foreign poets’ voice is a strategic one. It’s better to avoid answers which would be neutralized a priori, due to suspicious neighbourly attitudes.

Reading poetry, straining to write poetry, publishing poetry: not at all compulsory, all this, not at all explainable in advance. Everything you do in this domain is the result of mere imaginary exacting. Nothing obliges you, unless the obligation you invent yourself, for yourself. Sibila wants to know what kind of invention is that. Id est: what poets may still make up for the practice which defines them as poets.